O Segundo Motivo
Às vezes eu quero ser um peixe,
Às vezes eu quero ser um pássaro,
Um pergaminho, uma ilusão
Outra pessoa, fugir de mim.
Às vezes eu quero ser um gato,
Às vezes eu quero ser uma ovelha
Um guerreiro da Idade Média,
A promiscuidade lapidada.
Às vezes eu quero ser um motivo
O segundo motivo,
O próprio amor e a amizade,
A obediência, o entendimento.
Às vezes eu quero ser a explicação
Às vezes não,
Às vezes eu quero ser o futuro
A luz, a vida, o dia, a noite, o som,
Às vezes eu sou o que penso ser
Eu sou o que penso ser.
Melancolia
O arbítrio me cerca
A realidade é a mesma
Fico sozinha curtindo minha melancolia
É livre, é preso, só, seco.
O que posso fazer?
Como um pássaro sem destino
Curto ou longo,
Momentos sós, a sós
Não quero ficar, também não quero ir
A dúvida existe, então pra que mentir?
Quero um talento
Só eu não quero, não posso
Só quero viver
Já nem quero mais
Nada muda, as mudas são as mesmas
A hora, o canto é anacrônico.
Os sorrisos, os choros e o mundo
É a vida, a gente entende e fica
Preso, solto, o rio corre solto
Da forma que a vida corre ou não corre
A tristeza acontece
O oposto do seu sorriso
E a gente nem entende, aceita;
Nem se conforma, mas fica.
Concreto
Um caso do acaso
Distinto destino
Não mais.
Adjuntas, juntas
Delirando meu lírio, rio,
Espaço ocupa, culpa,
Não mais.
Bravamente, minha
Mente
Ente.
Visão Louca - Crônicas da Vida
Loucura é qualidade. Só os loucos possuem uma visão perfeita do mundo.
Eles enxergam o que os anormais seres humanos não conseguem vê.
Eles aplaudem o que para os estranhos não há graça.
Eles são loucos e os estranhos são apenas humanos.
Crônicas da Vida - Quando eu envelhecer
Quando eu envelhecer meus cabelos serão brancos e brilhantes. Digo isso porque me dei conta que a vida passa rápido. Ela é de muitas sensações, um dia estou muito feliz e em outro estou muito triste, mas de uma coisa eu sei: “eu quero viver e me tornar imortal, pelo menos no meu mundo”.
Viver é um presente dos céus e cada pessoa é a estrela da sua própria vida. E cada vida dá uma vida!
Anormal - Crônicas da Vida
Eu hoje estou num estágio de loucura total, não estou escrevendo nada de mais, só lhes digo que no dicionário da minha vida não existe a palavra normal. É impossível usá-la. Para falar a verdade devo dizer que essa palavra nunca deveria ter existido, não pras pessoas. Só um louco inventaria algo assim!
Relicário de meus delírios
Súbito desejo
Corpo alvorecer
Em sã loucura
Relicário de meus delírios, lírios.
Tua vida vivo a viver, ver.
Em você, tua paz perdida
De desejo a merecer, tecer
Tuas mãos sobre mim
Acalentada estará,
Tua boca faz-me suar, suave.
Quando me vês, te vejo.
Quando observas o profundo de minh'alma
Com teus olhos bonitos, livros
Escrevo a você, pra ver
Só você, vai ler
Nas páginas de meu interior, amor.
Ao meu amor
Por você roubaria os anéis de Saturno;
Gritaria para o mundo ouvir o que você quer escutar;
Faria loucuras;
No céu pegaria sua estrela favorita, você é uma estrela;
E, por que as pessoas dizem que se pudessem escolher quem amar, amariam outro ser?
Eu amo amar você, minha cabeça não escolheu isso, foi meu coração.
Se eu pudesse escolher quem amar, você eu escolheria;
Você tem nos olhos a beleza da vida;
Tem na mente, sonhos bons e reais;
Tem no coração o sentimento mais belo.
Se eu nascesse mil vezes, mil vezes te amaria.
Você enxerga em minha mente tudo o que eu ainda não declarei;
Enxerga em meu coração, versos ainda não recitados;
Enxerga em minha alma meu grande amor por você.
Por você eu nem sei mais o que eu faria, mas faria!
Por você eu nem sei mais o que diria, mas diria.
Amor por Engano
O meu carinho,
Perdeu-se;
A minha paixão,
Arrebatada foi;
Minha ilusão,
Não existiu;
Meu olhar de encontro ao seu,
Já passou;
As tuas sensações,
Nunca senti (percebi);
Teu toque,
Não testemunhei;
A tua verdade,
Não entendi;
As tuas declarações,
Não ouvi;
As tuas (falsas) cartas de amor,
Não li;
O gosto da tua boca,
Nunca provei (não gravei);
O teu cheiro,
Esqueci;
Tuas doces expressões,
Nem sequer as guardei,
Meu amor a você,
Senti;
Amor por engano,
Senti.
Tempo no Tempo
O tempo passa
Dê tempo ao tempo
Um dia passa o que te faz lembrar.
O tempo passa
Num dia lembra
O que o tempo irá mudar.
O tempo passa
E você lembra de esquecer
Que já sofreu por amor.
O tempo passa
Dê tempo ao tempo
A vida passa
Viva os outros pensamentos.
O Moço da Esquina
Eram seis e meia da manhã, ele estava se aprontando para o trabalho quando de repente escutou lá de fora algo que lhe chamou atenção. Ainda não dedilhou aquelas palavras como deveria e até como desejaria, mas algo em seu mundo parou e andou rapidamente, ele tentara acompanhar, mas de nada adiantava seu sentimento de perda e ganho. Trabalhou introspecto querendo ainda ter o pouco de nada ter. Queria ter o dom, a beleza que jurava estar na casa do vizinho. Ele queria mudar até o dia em que percebeu que não se entenderia de forma alguma. E continuou a viver com o peso silente de existir. Ainda não me contou o que aconteceu, ainda não sei o que havia escutado. Mas ele queria mudar o mundo e de tanto tentar acabou sendo modificado pelo mundo, mas não sobreviveu a tal e voltou a fazer do desentendimento seu fiel companheiro.
Minhas Certezas (keidylee.blogspot.com)
De todas as coisas que juro ter nessa vida
Poucas são as que realmente tenho
As que eu sei: são minhas e das quais pertenço.
São poucos os fatos que considero
Poucas pessoas e objetos
São bem poucas minhas certezas.
Já andei duvidando de coisas que não podia
Confiando em coisas que não mereciam
Precavendo-me excessivamente por medos passados.
Já andei parando pra pensar
Quando os fatos queriam que eu andasse
E fui impulsiva quando na verdade deveria está intacta.
Andei fazendo balanços relevantes
E cada vez mais concluo
Que são poucas as minhas certezas.
Contáveis certezas,
Deus, a primeira delas.
E você.
Meus Instintos
Há gestos que insisto em complicar
Foram tantas vezes, não consigo contar
Não cobrei entendimento
Não iria esperar.
Quando tive vontade fiz
Coisas que cheguei a duvidar
Pô-las em prática
Ideias que habitam dentro de mim.
Parei de pensar quando tinha
Milhões de coisas a fazer
Depois aprendi a pensar ao mesmo tempo.
No barulho e no silêncio
Não destino minha cabeça a coisa inúteis,
Simplesmente esqueço-as.
Meu gênio não é muito educado
Mas, me desobedece em momentos contados
E, quando tive de ficar calado
O silêncio invadiu o espaço que habito
Quis explodir com as circunstâncias
Achei melhor ficar quieto,
E fiquei.
O Mestre
Há cem anos indaguei um mestre
Queria saber o que é sentir
E, sair de minha vida anestesiada
Longa demais em um só dia.
Ele esperou o inverno chegar
E o frio acalentar minhas vestes suadas
Levou-me a ruas calmas,
O mundo estava calado
Só se ouviam suspiros raramente
Quando até as matas se fechavam.
Ele segurou minha mão
E mortalmente intactos
Escutamos um barulho inebriante do inexpressivo,
Das pessoas paradas nas ruas desertas,
Dos pingos de chuva
Que insistiam em lavar minha alma
E, em me dizer: você está vivo.
Escutamos o puro inocente barulho do mundo
Que não conseguia calar,
Pois suas paredes riscadas insistiam em me comunicar.
Entrara em mim. Senti.
Viagem ao Fundo
Isto está ficando estranho,
Meu medo desapareceu quando percebi
Que ele era pai dos covardes.
Afundei e desafoguei
Rastros pintados e bonitos
E levei minha mente a um lugar longe
E cantei: “vamos sair daqui
Pra qualquer canto ainda mais perdido”.
Você ainda está perto,
E isso não alivia minha dor.
Minhas bases caíram
E meus amigos sumiram
Minhas provas apontaram
Suspeitos comumente culpados.
Em meu traço cansado
Pousou um pássaro
Pediu-me para voltar a copiar
Rostos em minha mente,
Concordei e depois fui há um lugar
Cá estou, perdido de todos
Encontrando a mim mesmo.
Mundo Virgem
Intimidade ao mundo
Que a lágrima não enxugou com amor
Dos altos lares e profundos
De minha alma que talvez esteja perdida.
Em luas sozinhas de qualquer galáxia
Um dia o mundo acabou
Meu silêncio se fez para sempre
Meu século passou
Minhas pregas na cara viverão
Por mais dois minutos apenas.
Meu copo está seco
Está em qualquer recanto imundo
Teu sorriso se mostrou para mim
Porém não gravei,
Perdi,
Eu não sei mais
Acabou.
O Ciclo
A calmaria da noite agitada não me deixa dormir
São tantos conselhos internos que chego a explodir
E encontro minhas maneiras que só agora aprendi.
Ela se revelará nas noites tranqüilas
Com um diálogo bonito cheio de ternura
Que lhe tocará a alma e entregar-se-á.
"Após dois séculos diários
a demora sai de cena
e os corações se encontram.
Tadinhos! Estão cansados".
Então, sendo assim, a rosa que acalanta
Deixa seus espinhos secos
Em cima de algo que você esquecera de lembrar.
Seu coração passeou sozinho e submisso
Ele não foi capaz de retratar um rosto e guardar,
Esqueceu as poucas feições ontem à noite
Quando saiu e começou tudo de novo.
Contemporaneidades (keidylee.blogspot.com)
Não gosto de pessoas, das multidões,
Tampouco fazer amigos. Eu detesto fazer amigos!
São poucos os que conseguiram quebrar minha barreira.
Bem poucos.
Poucos mesmo.
Meu quarto, minha caneta e papel me bastam.
Não gosto de conversas para conhecer pessoas,
Perguntas bobas, convites...
Não gosto de pessoas.
Eu detesto coisas contemporâneas,
Causam-me um nojo enorme
Prefiro beber vinho, ler e fingir que vivo no ano um.
Minha vida passada foi no ano um.
E quando conversam comigo pela primeira vez,
Rolam duas ou três palavrinhas de minha parte,
O restante é observação, não das pessoas, mas do complexo.
Nunca uma pergunta!
Detesto responder e fazer perguntas de pessoas que nunca vi.
E são perguntas bobas, cansativas.
- O que gosta de fazer?
Ah! Eu não gosto de responder.
Poucos conseguem sobreviver ao pouco diálogo
E ainda sim gostar de mim.
Eu detesto fazer amigos.
Eu gosto de coisas diferentes,
Detesto as pessoas que me agradam por conveniência.
Amigos são bem poucos,
Os que realmente confio são meus amigos.
A Razão de Nossas Vidas
(keidylee.blogspot.com)
Lá do alto das montanhas
Sejamos firmes – alguém gritou.
Friamente sinto um toque
Algo desandou.
Cumpria com paixão
Cada ordem recebida
Sim, estamos em busca,
Da razão de nossas vidas
Decifrando mapas
Atrás de novas conquistas
Às vezes esquecendo das velhas
Que no passado nos livrara da guilhotina.
O capitão havia esquecido as trilhas
Caminhar com o coração, é essa nossa ida
Atrás de alimentos que matem, toda a dor da partida
Sejamos fortes – novamente o capitão gritou
Nada vai nos parar enquanto houver vontade
Aqui é nosso lugar,
Novamente preocupados
Pois tudo se perdeu.
Um bando ameaça:
– Rendam-se ou morram!
Isso ainda não se ouviu
Devemos continuar tentando
Pois nada sucumbiu.
Não me entrego,
Não me entristeço
Com a ira dos dragões
Somos tão pequeninos
Mas nossa coragem se entrelaça
Com um desejo insano de vencer
Enfrentamos mil ladrões
Levantar é preciso quando o sol amanhecer
Nem que amanheça dormindo
E acorde quando o dia escurecer.
É de onde sai toda a raça,
Razão de nossas vidas
Pois preferimos morrer a nos render
A eternidade de nossas feridas.
Traição
Quando eu digo que não a trairei
Não é por respeito ao seu amor
Pois dele talvez, eu desconfie.
Não traio a minha dignidade
Porque ela está em mim
Eu não conseguiria viver enganado.
Teu amor pode só existir aqui,
É triste dizer isso.
Mas foram as coisas da vida
Que escreveram isso aqui.
Foram elas que me tornaram assim.