O Alquimista de Si Mesma Houve um tempo em que meu nome era Resistência. Eu me fiz de pedra para não quebrar,
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O Alquimista de Si Mesma Houve um tempo em que meu nome era Resistência. Eu me fiz de pedra para não quebrar, e de muro para ninguém atravessar sem permissão. Aprendi a ler o silêncio dos outros antes de ouvir minha própria voz, acreditando, genuinamente, que o amor era um prêmio de consolação para quem conseguia carregar o peso mais pesado sem reclamar. Mas a terapia é esse outono necessário. É o momento em que a árvore percebe que as folhas — aquelas certezas antigas, aqueles medos vigilantes — já não nutrem mais; elas apenas pesam. E eu estou aqui, na delicadeza de me deixar desfolhar. Dói nomear os fantasmas. Dói perceber que, por anos, eu não vivi, eu apenas estrategiei a sobrevivência. Mas há uma beleza sagrada em olhar para as mãos cansadas e decidir que elas não precisam mais segurar o mundo. Que elas podem, enfim, se abrir para receber. Eu me perguntava: “Quem serei eu se a dor for embora?” Hoje, o espelho responde com um sussurro: Você será o horizonte, não apenas o caminho. Será o mar, não apenas a barreira que contém a onda. Não sou fraca por querer descanso. Sou, pela primeira vez, forte o suficiente para admitir que sou humana. Estou trocando a minha armadura de ferro por uma pele que sente, que vibra e que, apesar de tudo, ainda se emociona. Não estou apenas me curando; estou finalmente me apresentando a mim mesma.