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Frases de JWPapa

86 frases

<Trevo de quatro folhas> Plantei minha alma num vaso de escuridão, regando as dores mais inquietantes do meu silêncio.
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<Trevo de quatro folhas> Plantei minha alma num vaso de escuridão, regando as dores mais inquietantes do meu silêncio. Sofri calado por vidas karmicas inteiras, a solidão roubou-me tudo, até a tristeza. Regava meus lamentos três ou quatro vezes por semana, num esquema de água fresca na nuca quando o mundo parecia querer cair, sol quente nas costas quando não sabia aonde ir e muita conversa ao pé dos ouvidos dos meus trevos da sorte sempre que eles estavam tristes. Plantei minha sorte em um vaso raso de terra preta muito fértil e de brotos dores muito prósperos. Sequei, chorei, quase parti, mas não morri de inanição. Reergui-me e, resiliente, hoje floresço trevo de quatro folhas.

<Trevo de cuatro hojas> Planté mi alma en un jarrón de oscuridad, Regando los dolores más inquietantes de mi silencio.
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<Trevo de cuatro hojas> Planté mi alma en un jarrón de oscuridad, Regando los dolores más inquietantes de mi silencio. He sufrido silencio por vidas karmicas enteras, La soledad me ha robado todo, hasta la tristeza. Regaba mis lamentos tres o cuatro veces por semana, En un esquema de agua fresca en la nuca cuando el mundo parecía querer caer, Sol caliente en la espalda cuando no sabía adónde ir Y mucha charla junto a los oídos de mis tréboles de la suerte Siempre que estaban tristes. Planté mi suerte en un vaso profundo de tierra negra muy fértil Y de brotes muy prósperos. Sequé, lloré, casi me fui, pero no me morí de hambre. Salido y, resistente, hoy crezco trébol de cuatro hojas.

[...] Não se trata de trabalhar duro ou ganhar dinheiro e enriquecer e depois guardar tudo debaixo do colchão. Existir é descobrir um sentido novo de estar na vida, mesmo essa sendo tão dura as vezes, e fazer da sua realidade o lugar perfeito para se estar durante toda a sua exis…
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[...] Não se trata de trabalhar duro ou ganhar dinheiro e enriquecer e depois guardar tudo debaixo do colchão. Existir é descobrir um sentido novo de estar na vida, mesmo essa sendo tão dura as vezes, e fazer da sua realidade o lugar perfeito para se estar durante toda a sua existência.

Quem existe aí que atire a primeira pedra Não basta estar vivo. É preciso se sentir vivo todos os dias. A cada milésimo de segundo. Já pela manhã bem cedinho antes mesmo de pormos os pés no chão. Não basta estar vivo. É preciso se sentir vivo. De outra forma, seria como não exis…
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Quem existe aí que atire a primeira pedra Não basta estar vivo. É preciso se sentir vivo todos os dias. A cada milésimo de segundo. Já pela manhã bem cedinho antes mesmo de pormos os pés no chão. Não basta estar vivo. É preciso se sentir vivo. De outra forma, seria como não existir verdadeiramente. Multidões caminham cegamente pelas ruas, e caminhando vazias ou esvaziadas, seguem seu rumo preestabelecido pela sorte sem se importar com o seu karma. Existir é mais que isso. Existir como pessoa humana que se faz cotidianamente na relação com o outro, nas convergências e divergências próprias aos sujeitos em relação e que entendem o real significado das palavras empatia, diferença, diversidade, resiliência vai muito além disso. Talvez seja mesmo imensurável a ideia de existir. Pois não se trata de trabalhar duro, ou ganhar muito dinheiro e enriquecer e depois guardar tudo debaixo do colchão. Existir é descobrir um sentido novo de estar na vida, mesmo essa sendo tão dura as vezes, e fazer da sua realidade o lugar perfeito para se estar durante toda a sua existência. Existir é, na verdade, estar em relação com o outro que o tira de sua zona de conforto fazendo com que você se pergunte a cada novo encontro quem é você e em que medida você existe enquanto tenta existir o outro ao relacionar-se com você. A sua relação com o outro lhe confere o sentimento de existência? Você percebe-se capaz de transcender ao estar em contato com a maior inspiração de Deus? Se o outro não te faz existir e você não permite que o outro exista, então temos um dilema... Na verdade, um paradoxo. Matamos Deus e em consequência disso deixamos de existir? Ou passamos a existir somente a partir da morte de Deus na contemporaneidade?

[...] No fim, talvez seja essa mesma a grande questão da vida: a nossa capacidade de absorver as quedas e buscar forças onde aparentemente não há, para incessantemente continuarmos a seguir em frente todos os dias. Fragmento do texto: "A reinvenção diária do 'eu' e as mudanças '…
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[...] No fim, talvez seja essa mesma a grande questão da vida: a nossa capacidade de absorver as quedas e buscar forças onde aparentemente não há, para incessantemente continuarmos a seguir em frente todos os dias. Fragmento do texto: "A reinvenção diária do 'eu' e as mudanças 'definitivas' da vida".

[...] A sua relação com o outro lhe confere o sentimento de existência? Você percebe-se capaz de transcender ao estar em contato com a maior inspiração de Deus? Se o outro não te faz existir e você não permite que o outro exista, então temos um dilema... Na verdade, um paradoxo.…
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[...] A sua relação com o outro lhe confere o sentimento de existência? Você percebe-se capaz de transcender ao estar em contato com a maior inspiração de Deus? Se o outro não te faz existir e você não permite que o outro exista, então temos um dilema... Na verdade, um paradoxo. [...] Matamos Deus e em consequência disso deixamos de existir? Ou passamos a existir somente a partir da morte de Deus na contemporaneidade?

[...] Todo mundo precisa de alguém. Eu preciso de alguém que precisa de alguém que precisa de mim... Mas isso não precisa ser um toma lá dá cá! Pode ser natural.
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[...] Todo mundo precisa de alguém. Eu preciso de alguém que precisa de alguém que precisa de mim... Mas isso não precisa ser um toma lá dá cá! Pode ser natural. Sem ninguém ter de se machucar. A vida é curta demais para sermos arrogantes. Quando se vê já passou, perdemos, e ai já não adianta de nada. Podemos sempre recomeçar, é claro, mas as lágrimas demoram a cicatrizar e recomeços podem ser um grande martírio para alguns.

Copacabana, quem te viu quem te vê Gosto é das pessoas simples, por mais complexas que elas sejam.
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Copacabana, quem te viu quem te vê Gosto é das pessoas simples, por mais complexas que elas sejam. Encanta-me nelas a inediticidade em seu agir, o brilho sincero no olhar e a deferência para com o outro. Gosto de gente de outra época, gente que viveu de verdade, calejada pela vida, marcada pelo trabalho duro nas roças do campo. Gente que desbravou os bairros urbanos ainda in-natura. Eu me identifico é com o meu povo, esse povo guerreiro que fez do limão azedo uma limonada saborosa desbravando as matas, abriu estradas, ergueu pontes e alicerçou casas. Hoje tem água, luz, asfalto... E quem se lembra dessa gente? Desses homens e mulheres resolutos. Que do barro e da argila da paupérrima vila, ergueram um império, comunidade que cresceu na unidade coletiva da colaboração. E hoje, impermeável e hesitante, se perde na individualidade e na autointrospecção. Meu Deus! Nossa Senhora... Acabaram com tudo. Nem a fé de antes restou.

<<A Lenda do Chapelão>> Pelas duras estradas de terra do bairro Copacabana do passado, tocando sua boiada em meio à solidão de tais caminhos seguia firme o arauto, desbravando a mata virgem para dar de comer ao seu gado, pisando o barro da estrada encharcada para por o que de co…
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<<A Lenda do Chapelão>> Pelas duras estradas de terra do bairro Copacabana do passado, tocando sua boiada em meio à solidão de tais caminhos seguia firme o arauto, desbravando a mata virgem para dar de comer ao seu gado, pisando o barro da estrada encharcada para por o que de comer sobre a mesa de sua própria casa, enquanto caminhava descobrindo e ou construindo novos caminhos por onde seguir... “Ôh Marruh”! “Bora Sergipe”! “Boi bandido”. Seguia pelos caminhos, sozinho, com a força típica dos homens valentes do campo, que tocam as boiadas no comando firme de suas vozes imperativas, e que apesar da doçura e mansidão de gente que de tão sofrida tem a paz estampada no olhar, seguia em frente fazendo a sua própria história fazendo a infância da gente ser grande, gostosa de ser vivida de ser lembrada. Fazendo a infância das gentes, todas, terem aquele gostinho de terra pequena, fazendo-nos todos, nostalgicamente, lembrarmo-nos da roça ou vivenciar uma experiência aproximada com o que há de ser de fato a vida no campo, mesmo para aqueles que nasceram e cresceram nas cidades já imensas e cheias de todo tipo de confusão e que jamais pisou o pé no mato de uma roça qualquer. Lembrança de quando tudo o que se tinha por aqui era ainda o que estava por ser conquistado e do mato rude que perfazia todos os caminhos fazendo capoeira para as brincadeiras das crianças à época. Quando passava a boiada assombrada pela ligeireza do chicote do vaqueiro hábil torneando o seguir dos bois, ditando o ritmo do caminhar (tanto do gado quanto das pessoas a observar o movimento) agitava-se toda a molecada pelos caminhos de terra vermelha, de barro preto dos brejos encharcados pelas inúmeras minas d’água existentes (hoje extintas), e ou pela argila cintilante das encostas de barrancos que serviam de arquibancada pra fugir das possíveis chifradas dos bois desembestados às vezes. Ao ver aquele mundaréu de boi seguindo no rumo comandado pelo vaqueiro de chapelão de palha ou de feltro marrom na cabeça e estaca de madeira e chicote de couro às mãos e berrante uivando repertório vasto e requintado o mundo pequeno que era o de quem observava, agigantava-se, tornando-os expectadores do evento: - “Bois passando, cuidado”! E por fim, quando já lá longe ia o último boi gritava de cá a criançada animada: Vai com Deus Chapelão! Vai com Deus. E todo mundo tinha um boi preferido dentre os bois do rebanho, só que de tanto medo de ser chifrado, ninguém ousava chegar perto. Particularmente, lembro-me com muito carinho das “benzeções” e das “rezas” carregadas de fé, que curavam mesmo, qualquer tipo de problema. Certa vez, minha mãe achando-me aguado, levou-me e deixou-me aos cuidados dele. Depois de colher alguns ramos de uma planta qualquer no mato e embeber-lhe em água benzida (benta) saraivaram sobre mim umas duas ou três ramadas, na hora ri, mas doeu de verdade. Depois lavou meu corpo todo na bica que escorria ao pé da mina d’água que corria perto de sua casa, nos arredores da Rua Argentina, com um incômodo banho de leite de cabra, ordenhado naquele exato momento, para tal finalidade. Enquanto minha mãe me espreitava com uma galha lavrada de goiabeira na mão, por medo de eu reagir negativamente me recusando ao tratamento ou por medo de eu tentar fugir por vergonha da azaração dos meus amigos e desconhecidos da mesma idade que aguardavam por ali. No auge da minha ingenuidade infantil achei fantástico tão espetáculo de alegoria irreparável. Apenas fiquei com medo das rezas estranhas e com vergonha das risadas das outras crianças na fila para serem benzidas (bentas) também. Não há de minha época uma criança sequer, fosse da religião que fosse que não tenha vivenciado experiência parecida. Lembro-me até hoje, com nostalgia, de tal procedimento e sinto-me honrado todos os dias por isso. Hoje, me sinto um pouco órfão dessa época e desse tipo de ser humano que aos poucos vai deixando de existir no bairro Copacabana. >>> OBS: Homenagem ao grande Srº Chapelão, morador do bairro Copacabana, BH, MG. Com toda a minha deferência.

Gigante No peito a dor que aflora e florescida faz surgir o medo
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Gigante No peito a dor que aflora e florescida faz surgir o medo - um medo gigante - do tamanho da tua solidão. Na escuridão do teu quarto, apavorado e indefeso, você sofre sozinho(a) a dor que o peito grita. E gritando em silêncio o mais alto que pode você cobre a cabeça com o cobertor e abafa o som do teu próprio pranto com o travesseiro por medo de alguém ouvir. Gigante é a dor que sente agora do tamanho do mundo - um mundo enorme – que existe por detrás dos olhos, por detrás dos óculos, por detrás do muro, por detrás de tudo. O monstro, antes minúsculo e insignificante, agora agiganta-se e vorazmente o devora por completo.

<Estes dias> Eu sou os lugares que fui as pessoas que vi
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<Estes dias> Eu sou os lugares que fui as pessoas que vi sou as canções que escutei as dores que senti. Eu sou os passos que dei nos caminhos rudes que percorri eu sou de longe o melhor dos outros um pouco de cada um eu sou o brilho nos olhos da noite e a cegueira que hora menos hora nos orienta eu sou o que de bom há nos outros e o que deles pelas estradas da vida recolhi. Mas não tenha grandes pretensões a meu respeito! Tenho em mim o pior das ruas: - o grito mais ensurdecedor - a tristeza mais aguda - o vazio mais estridente... Tenho em mim todas as dores da alma e as vezes fico tão insuportável, que me torno instável, perigoso! As vezes saio sem rumo, saio do prumo, desqualifico-me como pessoa, beiro a irracionalidade. As vezes me sinto perdido, perco o sentido, decolo em pista curta e pouso no raso do céu. As vezes... Na maioria das vezes, eu sigo sozinho, tentando encontrar o caminho de casa. Mas sem asas, voo pra qualquer direção. Tem dias que eu encontro o caminho, e há aqueles dias em que perco totalmente a noção.

<Memórias do caos> Põe fermento na mistura, sova e amassa a massa, deixa a mistura vingar, deixa o bolo da vida crescer.
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<Memórias do caos> Põe fermento na mistura, sova e amassa a massa, deixa a mistura vingar, deixa o bolo da vida crescer. Por que o tédio, amigo, é a sala de espera do caos: - Do nada, transborda e escorre pelas bordas e sem se perceber, o vazio que era, rapidamente deixa de ser. Valoriza as suas conquistas diárias, segue em frente com a tua vida, dá um beijo de boa noite na sua filha e um abraço apertado no seu pai... Por que de repente a roda da vida gira e até o caos que parecia bom vai entediar você.

<Chiquinho (Sexta-feira treze)> Quando a morte nos abraça e segue caminhando a nosso lado, falando baixinho em nossos ouvidos os seus segredos mais bem guardados, ela parece querer que ninguém desconfie que seus intentos são engenhosos:
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<Chiquinho (Sexta-feira treze)> Quando a morte nos abraça e segue caminhando a nosso lado, falando baixinho em nossos ouvidos os seus segredos mais bem guardados, ela parece querer que ninguém desconfie que seus intentos são engenhosos: - Uma queda da própria altura, um tropeção imbecil e a cabeça explode em uma quina qualquer... Quando a morte nos abraça pelo caminho é o nosso descaminho que ela quer. Não foi a cachaça maldita nem esse bendito calor caminhando pela rua do bairro, esquivou-se pra despedida veio a morte enxerida e com um abraço apertado o golpeou. Tentaram reavivá-lo... Não teve jeito! Já estava confortável em seu leito chão. Todos diziam que ele era um bom sujeito mas agora caído, morto, duro e frio o que dirão? Chamavam incessantes por seu nome: - Chico! - Chico! - Chico! - Chico... Tentavam reavivá-lo, faziam massagem em seu coração, respiração artificial, preces a Nossa Senhora Aparecida... Mas ele já estava confortavelmente acomodado em seu leito chão. Descansava da vida da sua nada mole vida em vida. Todos perplexos já haviam entendido encerrara-se mais uma vida, secara mais uma flor e aquele corpo duro e frio contorcido na avenida padeceu feito outros tantos todos os dias, o motivo: - desamor.

Um quase lamento de domingo Naquela madrugada, juntei todos os meus cacos com os restos da imensa tristeza que me consumia
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Um quase lamento de domingo Naquela madrugada, juntei todos os meus cacos com os restos da imensa tristeza que me consumia e tranquei tudo junto com os meus sonhos em um envelope branco sem selo. Junto com as cinzas do meu corpo cansado e com o pranto que inundava meus olhos de lágrimas na ocasião. Por todos os lados que eu olhasse só via os insetos (todos) caminhando sem rumo, perdidos pelo chão da cozinha. Na pia, os pratos sujos, com os restos da janta de ontem. Despedaçado por dentro, vesti a dor que o caminho pintava d’ouro. Caminho amargo e duro que se precipitava. E bem em meio a este meu lamento, vi refletido no espelho do móvel de subir ratos lá de casa, dois ou três segundos do mais puro desespero e da mais singular desilusão.