Memória Não me lembro de tudo. Na verdade, não me lembro de muito.
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Memória Não me lembro de tudo. Na verdade, não me lembro de muito. Lembro do começo Da inocência, da experiência Do esforço, da decepção Da persistência, da vitória. Me lembro do novo Do medo, do respeito De grandes amigos, hoje esquecidos De coisas irrelevantes De conversar, de brincar De amar, de chorar Também de estudar e aprender De competir, de ganhar e de perder Da família Garança, dos Excelentíssimos senhores Comandantes Da farda e dos desfiles Me lembro da rotina De ter tempo para tudo De não ter tempo para nada Me lembro do ônibus e da Vam De fazer tudo, sonhando em não fazer nada Me lembro dos campus, das cantinas e das práticas Da solda, do código e das máquinas De amigos e também das vinhadas. Engraçado, não me lembro do concurso Me lembro dos trotes e das provas Da diferença entre aquário e mar De colegas e semidesconhecidos De aprender e trabalhar De que ser júnior, é ser gigante pela própria natureza E é também nadar contra a correnteza De clientes, de projetos, de professores Do sentimento de Dono Me lembro do macarrão e do Açaí Como me lembro do macarrão e do Açaí. Me lembro do Alemão e da Alemanha De dias indecisos, quentes e frios De não entender, de quase entender, de sonhar entender Me lembro das bikes, dos trens, dos aviões e dos ônibus Das viagens e dos viajantes De grandes amigos, de eternos instantes De tudo me lembro em flashes Com nostalgia realizo Que todo tempo é finito Que todo tempo é único Que a memória é fugaz Mas que o sentimento é profundo.