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Frases de Júlio Corrêa

32 frases

Somos todos lagartas mutantes na eterna transformação do mundo.
Trídent de Canela Você engravida meus anseios incendeia meus neurônios
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Trídent de Canela Você engravida meus anseios incendeia meus neurônios enfraquece minhas atitudes. Eu me pergunto o porquê de tudo isso se nossos caminhos parecem-estar-outros retas-paralelas-opostas procurando alvos imprevisíveis. A solidão me convida pra dançar puxa meu braço rouba meu sorriso oferece abrigo. Finjo ser surdo-cego-mudo. Você reclama do tédio da monotonia dos dias não gosta de ficar sozinho. Classifico sua carência através da minha fome. Somos mariscos na pedra imprensados pelas ondas do mar. As horas se transformam em urgência. Jogo minha timidez pra escanteio. Adjetivo minha identidade sugerindo uma rápida reflexão em sua jornada desnivelada. Você ingere uma dose de vento masca um afrodisíaco trídent de canela. Eu bebo uma ice encaro seu rosto enquanto seus potentes diamantes negros procuram um breve romance na multidão. Percebo sua pressa em encontrar alguém que acelera minha embriaguez. Mas você não entende ou falta coragem pra aceitar que sou sua presa esperando o tiro acertar minha alma. Cadê sua arma frasal? Onde está sua atitude? Por que não dispara o projétil certeiro no centro da minha carência afetiva? Parto pro ataque! Deixo de ser ovelha. Ser lobo me excita! Retiro seu trídent de canela de dentro de sua boca domesticada com minha língua hábil-atrevida. Vou mostrar pro seu corpo o lado agridoce da vida! Ele vai a-do-rar!

Constatação Chove nos edifícios, nas árvores e nos sapatos. Um silêncio mudo invade meu olhar distante.
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Constatação Chove nos edifícios, nas árvores e nos sapatos. Um silêncio mudo invade meu olhar distante. Sou aquele que espera a resposta do vento e acredita explodir todos os porquês. Não mendigo razão, nem uso maquiagens no coração... O que fascina meu olhar é o inesperado, a ausência de regras descoloridas. Abro a porta, castro a covardia, saio sem capa de chuva pela tempestade da incompreensão. Gosto dos pingos da chuva acariciando minha nuca, beijando minha face... Busco a sensação peculiar que a naturalidade pode oferecer aos lábios sem prisão, sem cortes, sem escudos, sem perfeição. Sou lagarto se adaptando ao clima da vegetação.

TORPEDO POÉTICO Só sei que de alguma coisa eu sei *é sempre mais difícil ancorar um navio no espaço
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TORPEDO POÉTICO Só sei que de alguma coisa eu sei *é sempre mais difícil ancorar um navio no espaço Sem amarras sem espias sem cais você corre esconde a fala-resposta apaga meus torpedos de desespero desliga o celular Fico sem ponto de atracação sem cumplicidade sem beijo Roupa pendurada no varal da ventania garrafa quebrada pela incompreensão corpo vazio Uma onda morde meu sonho engole minha gravidez Seus lábios tipo A têm medo da minha boca tipo AB * Ana Cristina Cesar do meu livro Substantivo Desvairado-Sedutor

O amor é para ser levado a sério. Ele não gosta de prateleira, nem brinca de esconde-esconde. Na verdade, ele não gosta de ser levado. Ele se instala. É dono, senhor intransferível. O amor é uma avalanche num desfiladeiro – precipício de boas intenções. Contém todas as reticênci…
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O amor é para ser levado a sério. Ele não gosta de prateleira, nem brinca de esconde-esconde. Na verdade, ele não gosta de ser levado. Ele se instala. É dono, senhor intransferível. O amor é uma avalanche num desfiladeiro – precipício de boas intenções. Contém todas as reticências, todos os pleonasmos. É o ponto final iniciando o período. É o desvario ambicionado das emoções. O amor não pula numa perna só, como o saci-pererê. Ele usa todas as que lhe são alternativas. O amor aniquila projetos a curto ou longo prazo. Concede esperar, mas cobra uma atitude e as contas com reajustes. Não aceita o faz-de-conta. O amor é imperioso, sendo que, em fúria, se permite a doçura extrema e se torna vulgar e frágil como um favo de mel. O amor é um par em um. É a célula recomposta. É a correspondência plena. O amor é uma estrela de primeira grandeza. Ilumina a quintessência do universo, do interior para o exterior. (Do meu livro: E-mails para Clarice)