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Frases de Josias Pereira Bahia

1 frases

O Roceiro Pelas paredes gretadas Mugidouras vacas deitadas
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O Roceiro Pelas paredes gretadas Mugidouras vacas deitadas Paciente e ruminante Observava, ele via O amanhecer no horizonte Lá vem a barra do dia. Acorda mulher, acorda Lia O algor cobria de neve o chão Que frio!... Virgem Maria Levanta mulher, coragem e opinião No poleiro, não tem mais galinha Façamos junto a oração Salva-nos, ajuda-nos oh!... mãe rainha Opinião! Opinião! Exclama Com mãos calejadas o rosto lava Descalço, pisa n' água, na lama Se não fosse ele, homem chorava Sorrindo, alegre, a vida leva Mulher!... este frio é geada Mas enquanto o café côa Amolo minha enxada Pois, não gosto, não fico a toa Também trato das bicharadas Dos porquinhos e da marrôa Marido o café tá coado Vem beber senão esfria O roceiro vem afoitado Não vim antes, não sabia Bebe e pega seu machado Nossa lenha não vai ao dia. É triste; não sei ler, sou tapado Amanhã preciso de arrogo Marido!... me dá licença Vou por feijão no fogo Desculpe, arrogo não é doença Fala logo com seu sogro Meu pai tem clemência. A tarefa d' manhã terminada O roceiro vai sossegado Cachimbo na boca e na mão a enxada Também no ombro o machado Derrubar a matarada Onde tudo é plantado Descalço, nos trieiros, na saroba Alegre, cantando, não tango Pula, um bicho, é cobra Foi engano é um calango Que bela mata e gigante peroba Roço, queimo e planto morango O céu, a serra enfumaçada Dos roceiros a história narra Árvores deitadas, folhas esturricadas Por todo lado zumbido de cigarra É tempo agora de queimadas Quase tristeza o roceiro agarra Vamos urgente aproveitar Chegou a flor do mandacaru O sol não vai mais esquentar Que fumaça! Foge o inhambu Nossa roça vou por fogo, queimar Essa chuva não vai pegá-la cru Mulher!... Vamos agora plantar Arroz, milho, mandioca e feijão Se o pai do céu nos ajudar Vamos fazer um farturão A nossa fé não pode, não vai faltar Não esquecendo da oração Na roça tudo é dureza Lá dá praga pra chuchu O prejuízo é quase certeza Corre perigo da cobra urutu Formiga, cupim é da natureza Destruidores, passo preto e tatu Quando planto, sou feliz O tatu, mandioca e milho ranca O roceiro não maldiz E por Deus, não adianta Formiga nas folhas, cupim na raiz E vem o sol virgem mãe santa Chega então a colheita Houve grande resultado Labuta, sofre, não deita Corajoso, alegre vai o coitado Uma boa cama ele enjeita Foice no ombro, fazer novo roçado A história do roceiro Ela é indeterminada Bolso limpo sem dinheiro E a ele não falta nada Veste algodão e sempre caseiro Crê em Deus, crendice e fada.