Livro Fechado Em tempos, já tive nome de livro aberto Uma chuva de lágrimas assim me chamou
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Livro Fechado Em tempos, já tive nome de livro aberto Uma chuva de lágrimas assim me chamou Sob notas musicais, alma a descoberto Revelando ao mundo aquilo que sou. Livro que contava o tempo que passou Página a página, o tempo que chegava Eu era a tinta que nele se cravou Palavra a palavra que tagarelava. Mas o vento deslocou as páginas por ler E a metade já lida do seu lado cresceu Páginas não lidas com pouco espaço a ser Desfolhando-se todas o vazio nasceu. Porém, um dia, a última página virou Não sobrando lugar para se escrever Com o tempo também a capa se fechou E aquele branco calado acabei por esquecer. Sou livro fechado, selado, trancado Que teve um nome, uma causa, uma vida Não existe mais força para ser forçado Este livro fechado a letra dorida. Na fúria do tempo, das palavras sem tinta Frases sentidas presas no emaranhado Talvez seja o tempo que no peito minta Nas letras perdidas deste livro fechado.