Impaciência Eu queria dormir longamente…
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Impaciência Eu queria dormir longamente… (um sono só…) Para esperar assim o divino momento que eu pressinto, em que hás de ser minha… Mas… e se essa hora não devesse chegar nunca?… Se o tempo, como as outras cousas todas, te separa de mim?!… Então… ah!, então eu gostaria que o meu sono, friíssimo e sem sonhos (um sono só…) não tivesse mais fim… Se eu pudesse correr pelo tempo afora, vertiginosamente, futuro adiante, saltando tantas horas tediosas, vazias de ti, e voar assim até o momento de todos os momentos, em que hás de ser minha!… Mas… e se esse minuto faltar nas areias de todas as ampulhetas?… E se tudo fosse inútil: a máquina de Wells, as botas de sete léguas do Gigante?!… Então… ah!, então eu gostaria de desviver para trás, dia por dia, para parar só naquele instante, e ele ficar, eternamente, prisioneiro… (Tu sabes, aquele instante em que sorrias e me fizeste chorar…)”