Para ti
Tenho vontade de (te) escrever :
Então os poemas que escrevo são para ti
Também os que não escrevo
Mas guardo em mim, são para ti.
Os que li e ainda não li
É pensando em ti.
Porque escrever é amar (te ) !
É encontrar nas palavras uma maneira de sonhar
Deixar a imaginação sem rumo
E estar onde desejar.
Neste desejo de te ter e não saber
O que te dizer
Todos os meus poemas são para ti.
AONDE
Aonde andas minh' alma que te desprendes de mim, vagando por aí, sem destino nem rumo !
Porque teimas em apanhar novos ares, sentir novos aromas e calcorreares novos lugares , levando contigo os meus desejos mais profundos ? O meu "eu" e tu formam apenas um - és cativa do meu corpo, não te deves ausentar.
Ignoras a minha dor, quando sabes que sem ti, a vida é sem sabor e sem cor ,os dias são nublados e o meu coração gelado.
Volta ! Restaura-me a alegria neste meu corpo agora vago.
Toca-me no peito, funde-te em mim, no meu abraço, beija-me e sente-me por inteira, minha’alma e prova-me que és verdadeira .
O MEU OUTONO
Chegou o Outono, há folhas a voar ao vento sem destino
são castanhas e amarelas douradas.
O sol escondeu-se, foi dormir
o tempo arrefeceu e a chuva vai cair.
Também em mim o Outono chegou de repente
Sonhos caíram no chão empurrados pelo tempo.
Momentos vividos contigo, com alegria, sorridente.
Molhei meu corpo de lágrimas e delas nasceram novas folhas
folhas verdes, flores lindas, todas elas bem coloridas.
Renasci para a vida! Teria amado tanto ser a tua preferida!
DEIXA
Deixa-me ser
A raíz que te prende aos teus sonhos
O mar que acolhe o teu corpo
A fenda da rocha, nascente do teu prazer
O teu sol numa tarde de chuva
O orvalho dos teus olhos
A estrêla guia que te alumia
A melodia que entoas em dias de pranto
A aurora que te inspira, o teu riso, o teu encanto.
Deixa-me ser
O teu trevo de quatro folhas
O teu ponto fraco, o teu pecado
O beijo que desflora o teu
A respiração da tua boca
A flor que acaricias entre os dedos
O perfume que rega o teu corpo
O teu mistério a desvendar,a aventura a afrontar
As tuas dúvidas, reflexão e um pouco de confusão.
Não digas nada, deixa-me somente ser...
AGORA
Entre sentimentos intermitentes
Idas e voltas, dúvidas e certezas
Eis-me, coração magoado
Dentro de um corpo dormente
Sim fui embora !
Prefiro lembrar um amor com tudo
Que ter um cheio de nada.
Agora
Eu sou a saudade que te faz chorar,
A insónia das tuas noites
A ferida que não cicatrisa
A dor que solta as tuas lágrimas
E que te prende as palavras.
Dizes chorando que sofres,
com profundo arrependimento ?
Pois, lamento !
RETICÊNCIAS
Somos todos poemas em construção, seres em reticências…
Inteiros mas nunca completos…
Reticências é évolução e aprendizado…
saltar pela janela quando uma porta se fechar…
é por vezes observar o cenário da vida mudar e ter em vez de jardins
montanhas e desertos áridos a atravessar…
Confiar que no cimo da montanha alguma paisagem magnifica nos espera
e que também podemos descobrir maravilhas enterradas na areia…
Reticências é sempre caminhar mesmo quando cansados nos apetece parar…
Reticências é semear, colher, cuidar, amar e deixar ir o que não floresceu por alguma razão…
E mesmo quando a bateria do corpo acabar e o relógio deixar de funcionar, com dor no coração pensar que é um ponto final não é não…
Porque reticências é VIDA em continuação,é movimento,é existência em renovação….
JoRut " Tranchas de vida"
JUVENTUDE
Folheio o livro do tempo…
As memórias desfilam como um filme
Sonhos,ousadia,um pouco de rebeldia
Curiosidade,e muita ingenuidade.
Recordações que têm odores, amores
Muitos segredos e alguns dissabores.
Abrir as asas,querer conquistar o céu
Impetuosos atirar sentimentos ao léu
Amizades fáceis, ausência de rotina,
vida que pulsa, lembranças sentidas
nas retinas da nossa mente retidas
Trazendo poesia ao outono da vida.
É uma primavera que deixa saudades,
Nostalgia pelos tempos de leveza
Experiências próprias que deixam sua marca
Construindo o berço onde crescemos e
Solidificando as nossas personalidades.
Canção de amor
Tenho um sonho encantador
As tuas mãos no meu corpo
Deslizando suaves e leves
Como em teclado de piano.
Fecho os olhos e ouço-te
Compondo uma canção de amor
Com teu corpo no meu, te amo
A cada nota te beijo com ardor.
Saudade / Lembrança
O que eu amo, são as lembranças … não domino bem a saudade …
A saudade é FALTA, é fome que não se pode saciar, mão estendida que nada pode alcançar …é perda , nostalgia, angústia.
A lembrança PREENCHE, é a pacificação da alma, é olhar para trás e compreender o quanto foi bom tudo o que se viveu, ela existe acarinhada dentro de nós.
Se nada morreu, poderá até voltar a repetir-se… e tu, não me queres oferecer mais uma lembrança?
BEIJOS
São como brotos de flores
Ávidos por desabrochar
Perfumando lábios indomados,
Unindo duas bocas enlouquecidas.
O coração pulsa mais forte
Enquanto duas mãos se abraçam :
- Ressuscitam borboletas
dentro de nós, falecidas …
e os teus, profundos e suaves como cetim
voam ainda dentro de mim.
SAUDADE
Saudade é um vazio cheio de emoções
Que nos enchem por dentro.
Saudade é sentir-se presa na teia
de datas, lugares e momentos.
Saudade é quando se esvai o visivel
E tatuado fica o invisivel, o amor-raiz
Viver no apego dessa dolorosa cicatriz
Que nos sustenta embala e acalenta.
Saudade são velas acesas no altar da alma…
Saudade corre nas veias como água do rio…
Saudade é menina que noite e dia corre,vadia …
É pássaro voando brincando com pensamentos
Folhas de Outono em tardes de vento,
Riscando o tempo e reviravoltando sentimentos.
UM ANJO
Um raio fulgura
um coração magoado
Acende, incendeia.
A cinza
se transforma em luz
Rutila e seduz
A alma retalhada
por uma navalha.
Vem a calmaria,
Amar sem pressa
Em inteira confiança
Não ser trocada
Repartida, corrompida !
A alma feliz descansa
A vida retoma cores …
O teu amor ilumina
De mulher me faz menina .
Tão seguro e tão atento
Um anjo … meu apego !
ESTA MANHÃ
Esta manhã andaste
no caminho
dos meus labios.
Abrandas os passos
na languidez
dos teus susurros
escrevendo com o corpo
o que a tua alma deseja.
Com ardor
cadência certa ,
o coração pulsa
sente e enlaça..
Em gotas de suor
e grito silencioso
renascemos, entrando
com deleite
na casa do amor.
E num olhar
refletindo o mar
Foi lindo
ouvir-te dizer baixinho
Ao som
da nossa musica tema
- amo, te amar !
Procuráva-te sem saber bem onde e como te encontrar. Vieste no Verão, inadvertivamente, como frescura de Outono. Olhaste-me e sorriste.
Tudo mudou em mim quando chegáste. Deixámos escapar alguns segredos e houve encanto nas palavras : amáste-me para que eu pudesse renascer. Gosto do que és e do que me fazes ser através de ti.
O sentimento de perda se esconde na magia de cada encontro!
O LIVRO
Foi o livro na mão ou o ar enternecido ?
Pediste perdão e sem esperar resposta
Estavas sentado, no banco de jardim
Num ar decidido, olhando para mim.
Falavas como quem não espera resposta
De quem por dentro se ilumina
Com entusiasmo e paixão, e eu
Embevecida,vi que era um livro de poesia.
Fico em silêncio a ouvir, cativada
Untas-me a alma, o corpo se arrepia
Estranho aquele casual momento
Uma estrêla filante caída no meu firmamento.
Amo tanto o teu rosto inclinado para o meu
Expressivo, ousado, seduzindo com palavras lidas
Afago-o jà com mãos invisíveis, decido ler-te
Mostrar que a tua poesia não é o livro - sou eu !
O BANCO DA PRAIA
Um banco solitário, triste olhando o mar
Querendo carinho…
Recordando abraços, beijos, sorrisos
Sussuros,algumas lágrimas
Saudades deixadas, guardando mil segredos
Nas fibras da sua madeira pintada.
O banco mudo e frio,cansado de esperar
Quer voltar a escutar... ali me encontro
Sentada, aconchegada, enternecida
Partilhando lembranças, passeios infinitos
Em dias sem data, o sol e a maré se deleitando
Na praia da minha infância ainda adormecida.
AMOR OBSESSIVO
O meu amor desagua na opacidade da tua virtude
Perco-me de mim e de tudo o que sinto
Presa no labirinto tortuoso dos teus sentimentos
Nascem delirios que me envenenam a alma.
Tento combater esse monstro sangrento
Grandes temores, pérfida obsessão
Que consomem como labaredas ardentes,
Que me devoram cada instante,a toda a hora .
Cansado o coração grita paz, felicidade.
A dor dá à luz uma nova visão, clama liberdade!
Bati as asas feridas, voo longe,voo alto
Solto-me da tua argúcia e deste tormento
Vejo que nunca me afastei de mim
Contigo, esvai-se o meu delirio…
E desabrocho viçosa como um lirio
CAFÉ
Fazes parte integral da minha vida
De manhã, à tarde ou mesmo à noite
Aprecio-te nos bons e maus momentos
Quente ou gelado, puro ou adoçado
Mas sempre delicadamente perfumado.
Em grão ou em pó,em roda de amigos ou só
Com frio, chuva ou em tarde de verão
Levo-te aos lábios,em silêncio ou em música
Com prazer degustado ,suavemente saboreado…
Sentada, ou mesmo de pé, amo-te café !
O LEGADO DO FUTURO
Tapetes de veludo em rocha descarnada
Oásis de flores dançam em diversas cores
Os passáros namoram,cantam em louvor
As árvores com os seus galhos se abraçam
Mãe Natureza cheia de mil riquezas tem alma
Toda ela é harmonia,se exprime com amor.
O Legado do Futuro,agora comprometido
Sofrido, agoniza soltando gemidos.
Fauna em extinção, pela pele e o marfim
Florestas silenciosas, aves raras jà não falam
Nos rios poluídos peixes jà não nadam
Ninguém aguenta mais,nem homens nem animais.
Somos todos dependentes desta Caixa de surpresas
Tomara que o homem na sua ganância e desdém
Compreenda que dizimando a Natureza
Busca a sua desventura também !
Breve
Aquele lenço vermelho
Atado no cabelo
Breve
O beijo entrelaçado
Que é do passado
Breve
O desabrochar da flor
Morreu-lhe nas mãos
Breve
O canto do passarinho
Cantava igual em cada ninho
Breve
E fatal !
A sua imagem quebrou-se
Como bola de cristal.
O Canto do passarinho
Da minha varanda, ouço o cantar de um passarinho ao lado na floresta que borda a minha casa. Não posso vê-lo, mas posso ouvi-lo e o seu canto é como uma oração, um louvor que perfuma aquele meu instante com essências de serenidade, de paz.
Como o pássaro assim é o nosso coração : cada um tem a sua própria melodia espalhando-a sem saber até onde ela pode chegar ...
Como te choro Mundo
*
Como te choro Mundo
Tão colorido e delicado
Fonte de inspiração
És agora conspurcado
Moribundo, desencantado
Exausto de competição.
Vais perdendo o teu fulgor
Num lento e apático turpor.
E o Homem ?
Alheio ao sangue que escorre
Inspira e respira, olhos ao Alto
Que alivia o peso da consciência
Os gritos de sofrimento
As cóleras lavradas em explosão
A busca de um pouco de pão.
E o mar ? E os rios ? E os animais ?
Palavras, promessas, ações e omissões…
Somos sentenças de homens que mandam
Apenas trágicas consequências
De convergências e divergências !
O Gato
Cabeça dócil e altiva
Olhar perspicaz,profundo
Garras que dilaceram
E ferem fundo
Aéreo, elegante
Calmaria, nervos de aço
Quando feroz
Ninguém cala a tua voz
Liberdade, intuição
A tua indiferença é só ilusão
O teu ronron afetivo
Traz calma ao coração.
No teu olhar em ranhura
Há torrentes de ternura
Voltas à noite, desejas caricias
E logo depois,como que alheio
Dou contigo confortavel
Já deitado na minha cama
Ou mesmo no meu regaço.
Matreiro !