Estrada de Chão
Quanto tempo eu andei tão só.
Garganta seca deixada pelo pó
De uma estrada toda esburacada.
Caminho que não me levava a nada,
Somente conflitos internos que espalhei
Junto das lágrimas que solitário chorei.
Contudo fizeram por fim nesta poeira,
E ver por momentos uma nova clareira
E o olhar conseguir assim se firmar
Na vida como percurso de leve caminhar.
Jorge Jacinto da Silva Junior
Equilíbrio
Cobramo-nos tão rigorosamente quanto ao entregar-se aos erros
Como se o passado fosse uma lição de fácil percepção
Páginas vividas a serem esquecidas como filme velho branco e preto
Ausente de cores comoventes do provocar da sincera emoção
Exerça a humildade em assumir seu lado fraco humano
Não deixando passar notório o temor de novamente erros cometer.
Errar é o ato verdadeiro do tentar acertar com enganos
Mas não se deve estender isso na vida como razão de sofrer
Justo que falsas esperanças as quais vendemos nos custam caro nessa balança
Mesmo que os motivos sejam sensatos e não puramente emocionais
Constantes e sem emendas como dourada aliança
Não roube jamais o direito do outro ser feliz por todos serem iguais
Temos que nesta flamejante bandeira de fé nos apoiar
Esta é o peso de medida certa para o equilíbrio subsistir
Crer em algo que não sabemos se realmente ali está
Mas o qual só existe e muda nossa vida no acreditar de seu existir
Autor: Jorge Jacinto da Silva Junior
Eu quero ser
Eu quero ser o amor que te completa o coração
Calor que acalma sua ansiedade em beijo quente
E mata seus desejos em apenas um olhar
Preciso ser a lua que te conforta na solidão
Que invade sem pedir permissão sua vida
Com íntimos pensamentos a te provocar
Permita que seja a noite estrelada a domar sua alma
Aprisionando sua razão em meus braços seguros
Conquistando na minha presença a confiança sua
Deixa-me aos poucos te roubar o gosto
Como doce morango em seus lábios úmidos
Na maciez de sua pele entregue nua
Sou aquele vulto que te estimula medo
Algum motivo forte em seu corpo frágil
Quero pertencer ao seu mundo e nada mais
Renasço vivo como o sol que te sufoca no desejar
Grito de liberdade que invoca em cada eu te amo
Num sentimento contido em volúpia fugaz
Eu quero ser muito mais você no sentir
Transformar essa brisa que não sopra em vão
No reencontrar da razão de meu melhor existir
Autor: Jorge Jacinto da Silva Junior
Mundo Mulher
Mulher... tão pouco melhor seria mulher
O mundo visto pela janela dos seus olhos
Neste observar carinhoso deveras meigo
As minúcias riquezas do amor próximo.
Quanto o perceber feminino é primoroso
O dom da sensibilidade o qual comete à pele
Reverte em postura vitoriosa perante as batalhas
Conquistadas com sabedoria que sempre a segue.
Como é divino o Ser Mulher
Este presente da maternidade na alma
O respeito no falar de lábios sinceros
Como voz de mãe que a escuridão acalma.
De: Jorge Jacinto da Silva Junior
Mágoa
Os sonhos perderam-se com frigidez do tempo
O que era para ser apenas um começo
Morreu antes de nascer
Na calmaria veio forte vento
Emoções agitaram-se numa bandeira de trégua
Mas já era tarde
Sobrevive somente um último suspiro
O desgosto ressurge iminente face a face
Os olhos vermelhos não demonstram sentimentos
O passado por instantes dominou o presente
Todas as chances sepultaram-se em um silêncio vazio
Soluços controlados prevalecem à clareza das palavras
Pensamentos propagam-se em vãs formas fúteis
E em uma troca de olhares inúteis decidem
É hora de partir
Não há mais motivos para esperar o que se tornou fatal
O enfraquecido tudo que existia não tem mais valor
Seguem-se caminhos distintos com destino sem volta
Onde como bagagem restou somente a mágoa
Autor: Jorge Jacinto da Silva Junior
Esperança
Não se busca a esperança
Como desequilibrada criança
Que está aprendendo a andar.
Devem ser passos firmes
Feitos um faminto lince
A sua ágil presa a caçar.
Menina FlorA
Flora cresceu quando se deparou
Quando enfrentou coisas da vida.
Percebeu que o seu puro coração
Em toda sua pureza nada entendia,
Sobre tudo o que ao redor acontecia.
Nesta quebra abrupta de paradigmas,
Ficou deprimida quanto em si percebeu
Que todos são assim em suas alianças,
Puros tão somente quando crianças.
Jorge Jacinto da Silva Jr.
A Sua Fêmea Dignidade
Ela achou que não deveria,
Porém mesmo assim,
Virou-se e olhou para trás.
Com sua voz engasgada ainda,
Exaltou-se por alguns instantes
Com falas que sempre as faz,
E não fez mais nada que deveria.
Com o que lhe estavam obrigando
Calada dentro de si ia lutando,
Para que em seus pensamentos
E no seu cuidado com a decência,
Provar que não há no mundo dinheiro
Ainda que em seu estado de carência,
Roube-lhe sua dignidade e resiliência.
Nisso contra tantos de muitos se indispôs,
Brigas sozinha diferentes batalhas batalhou.
Lábios com discursos firmes e sólidos propósitos,
Com serenidade no olhar a todos bem claro diz,
Qual certo o resumo de sua vida se explica
Que não precisa de muito e assim acredita,
Para que em sua existência ser e estar feliz.
Jorge Jacinto da Silva Jr.
Próprios Confrontos
É muito mais que resenha complexa,
Enfrentar dia a dia os nossos medos
A todo instante nos confrontando,
Pois são tão grandes quanto queremos
E tão indomáveis quanto os desejamos.
Jorge Jacinto da Silva Jr.
Jogo dos Segredos
Vejo naqueles olhos Segredo,
Mistério de Almas gêmeas,
Dividas simétricas partes inteiras,
Como quisessem se completar.
Boca entreaberta trêmula de medo.
Mal tentava falar só calar este jogo,
Que perturbava suas noites de sono.
Algo que não queria desde início jogar.
Jorge Jacinto da Silva Jr.
Relacionamento Tóxico
Minha vida é viver livre,
Por isso não me obrigue
A te dar alguma satisfação,
De toda coisa que faço ser,
ou deixo por vezes de fazer
sem a sua tóxica autorização.
Demorei mas agora aprendi.
Uma hora a ficha viria a cair.
Considero a luta pela liberdade,
A qual quem ama precisa aceitar,
Quem se ama não há de enganar
A sua própria felicidade.