Sinto-me muito bem nesse meio, contanto que não me lembre de um mundo de aspirações adormecidas no mais íntimo do meu ser, entorpecendo-se pela inação, e que eu preciso ocultar com todo o cuidado. Ah! Como isso me aperta o coração! E, no entanto, ser incompreendido é o destino de todos aqueles que se parecem comigo.
Ah! Por que a amiga da minha juventude está morta? Por que cheguei a conhecê-la, ai de mim? Poderia dizer a mim mesmo: "És um insensato em busca daquilo que não se encontra nesse mundo."
Mas eu o encontrei, senti junto de mim um coração, uma alma eleita, junto dos quais eu cria superar-me, tornando-me tudo aquilo que serei capaz de ser.
(Os sofrimentos do jovem Werther)
FAUSTO
Que sou eu, se não posso alcançar, afinal,
A coroa com louros da nossa humanidade,
A que todos almejam com tanta ansiedade?
MEFISTÓFELES
Não és mais, meu senhor, do que és: um mortal!
Perucas podes ter, com louros aos milhões.
Alçar-te com teus pés nos mais altos tacões,
Serás sempre o que és: um pobre ser mortal!
Eu me embriaguei por mais de uma vez na vida, minhas paixões nunca estiveram longe da loucura, e não me arrependo: porque foi assim que vim a compreender que, desde tempos imemoriais, foram considerados ébrios ou loucos os homens extraordinários, que realizaram grandes coisas, coisas que pareciam impossíveis.
Noturno do Andarilho
Em todos os cumes:
sossego.
Em todas as copas
não sentes
um sopro, quase.
Os passarinhos calam-se
na mata.
Paciência, logo
sossegarás também.