O lamento do céu inatingível Mais uma manhã, ela se vai, sem ao menos se despedir de mim. O peito dói, aperta como se a própria alma fosse arrancada.
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O lamento do céu inatingível Mais uma manhã, ela se vai, sem ao menos se despedir de mim. O peito dói, aperta como se a própria alma fosse arrancada. Minha amada parte ao primeiro raio de sol, deixando-me sozinho com o vazio da sua ausência. Ainda assim, amo-a mais a cada dia que passa. Seu mundo desperta quando a noite cai, quando a lua ascende ao firmamento e o sol repousa em seu leito de luz. Eu, mortal insignificante, moldei meu tempo aos seus passos celestes apenas para contemplá-la. Ela dança junto à lua com tamanha harmonia que o ciúme me devora. Ó deuses — Oxalá, Odin, Tupã ou qualquer outro que ouça este lamento —, por que não a trazem para mim? Ou, então, permitam-me tocar o firmamento onde ela habita! Neste universo imenso, ela é a única que ilumina minha escuridão. Sentado na relva fria da noite serena, fito-a com olhos de súplica e conto-lhe tudo. Revelo meus sonhos, meus medos, cada desejo enterrado no âmago do meu ser. Ela nunca responde, mas sinto que me escuta, silenciosa e etérea. Garanto, não há outro amor no mundo que se iguale ao meu. Nenhuma paixão poderá rivalizar com esta devoção impossível. E quando o dia nasce mais uma vez, levando a noite consigo, minha amada desaparece no horizonte, sem deixar rastros, apenas saudade — e um coração que jamais será o mesmo.