Eterna Aflição
De quem herdei o dom, de ser poeta?
Herdei dos meus caminhos arredios
Todo poema que da humanidade resta
Fragmentado em profundos versos vazios…
Herdei dos meus antepassados os arrepios!
Herdei das gerações dos deuses da guerra
Toda derrota e desgraça da face da Terra,
As ameaças obscuras e os cruéis calafrios…
Ó arte sublime do sentimento de amor,
Se és poesia, por que herdaste a dor,
Dissimulada no meu sereno sorriso??!!
Herdei da minha infância uma esperança!
Herdei do meu mundinho de criança
Um semblante de paz de um paraíso!!
Eterna Virtude
Servindo a vida, desentendia os mundos
Imundos, nesta profunda viagem frustrada!
Crescia, renascendo em segundos,
Aprendendo sobre “O Tudo e o Nada"!
Partindo, desejarei estar pronto
Nesta estação universal para desaparecer,
Aceitando o meu eterno encontro
Com a minha paz, sem enlouquecer!
Na minha lápide ficará escrito assim:
“Que o meu túmulo seja doado a alguém,
Sem que ninguém se importe a quem...
Porém, doado a outro corpo ocioso,
Para que seja eu, eternamente Virtuoso,
Quando meu túmulo não mais servir para mim...”
Quem Sou
Sou alguém sem lembranças de onde veio,
Como a outrem com saudades para onde ir.
Sou alguém que sonha o próprio meio,
Como a outrem com dificuldades em dormir.
Como o sol se pondo e nascendo a um novo dia,
Morro a cada instante em todo entardecer!
Como o espetáculo de uma nova magia,
Renasço a todo tempo num novo alvorecer!
Mesmo outrem como a mim, que trilha,
Superando tristezas, e que alegremente diz:
"Sou também assim, simplesmente feliz!"
Sou a outra estrela distante, que brilha!
Sou a mais bela poesia, sem querer...
Sou um outrem... Alguém, como você!
Desamores
Li teu Diário de “Amores Delirantes”!
Também não fui para ti a felicidade...
Fui mais outro alívio às tuas dores angustiantes,
Furtivas sensações de um amor de verdade!
Fui paixão repetida de teus antigos amantes
Descendo correntezas requintadas de magias,
Águas passadas em leitos ofegantes
Regressadas em pulsões de nostalgias!
O nosso amor também acabou em fantasias
Transbordantes de efêmeras alegrias...
— sou resquício Dos teus sonhos infantis...
Dos teus traumas dilemáticos recalcados
Agora sou vontade e desejos insaciados!!
Sou página virada do teu Livro Infeliz!!
Eterna Despedida
Nunca, Jamais, estranho viajante,
Os monstros das aventuras milenares
Iguais a ti, os que partiram, aos milhares,
Voltaram a esta Terra deslumbrante!
Quilha de um imenso barco desejante!
A tua língua é o teu grandioso leme.
O teu cérebro, de tanto guiar-te, geme,
Na tua insaciável mente delirante!
Longe do cais, aos caos de rios e mares,
És mais um arredio nômade dos lugares,
Ancorado nos fragmentos dos teus outros Eus...
A tua vida é uma Nau que te conduz ao Fim...
Ó desorientado moribundo igual a mim...
Um dia, hás de dar ao mundo, teu Eterno Adeus...
Mulheres
Esse amor de mulher! Seleção natural
Da cortesia feminina sem batom!
A singela melodia do bom som
Da voz que irradia todo dia como especial!
Mulher, não corra! Pra que andar depressa?
A sensualidade é desfilar, nesse dom,
De manter na memória o bom tom
Do caminhar, que esse charme interessa!
Sempre sorrindo, avante! Sem a gargalhada,
Dessa risada, que só deixa atrapalhada
A bela expressão de paz, extirpada pela dor…
Ah! Mulher! Resgata essa energia que agita
A postura desse oposto que ainda acredita
Nessa imaculada fantasia desse amor!
Situação de Rua
Um brilho no olhar reluz gemido
Que alguém conduz fazendo um pedido,
Tentando suprir os que a vida consomem
Na grande carência existente de um homem.
Andando e catando o próprio alimento,
Respirando odores do próprio excremento,
Criam escudos na pele ao relento
Depois das feridas saradas ao vento.
Nos horrores da sobrevivência humana,
São doutores da experiência insana
Insurgida aos preceitos da vida.
Na grande cidade, mais querida...
Na idade racial da humanidade...
Ser um mendigo é identidade!
Situação de Rua II
Uma águia trocando o bico a garrido
Além da alta montanha o reclama,
Esperando sozinha, sem alarido,
Aquém seu instinto o proclama.
Alguém pedindo a outrem um ouvido
Sussurra sobre o ombro um problema,
Tentando sozinho, sem ter um abrigo,
Por um diálogo, para esquecer um dilema.
Como aliviar as dores na solicitude
Dos passos da vida, se em atitude,
Uma criança quer mais que um abraço??
Na escuridão de um rua sozinho,
Um andarilho, menino sem ninho,
Como a solidão de um grande pássaro!!
Um Grito
Abdico-me de efêmeras paixões
Nesta vida belamente moderna!
De sorte, escrevo grandes emoções,
Aceitando a Morte, Naturalmente Eterna!
Sussurro poemas às minhas rainhas amantes
Aflorando em pequenas linhas minhas dores,
Dando aos meus mais majestosos amores,
Delírios em prantos serenos ofegantes!
Às minhas intensas e eternas paixões,
ainda que eu viva, que em mim sobreviva,
numa estrofe um Grito de Eternidade!
Aos meus intensos e eternos amores,
Antes que eu morra, que em mim socorra,
em um só verso um Grito de Liberdade!