IRÔNICA LIBERDADE Preso à janela do trem, Observo uma paisagem.
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IRÔNICA LIBERDADE Preso à janela do trem, Observo uma paisagem. Estranha para mim. Chamo-a, natureza, Chamamos-la, Deusa. Entre tanto primitivismo, Descobri um pouco de vida Nas pequenas plantas Que margeiam a estrada, Por onde passa esse trem. Há no campo, lá distante Uma pequena e rústica casa. Rústica como o que a cerca. Porém, os ventos sopram, Carregando um imenso amor, O amor do mundo todo, para lá...seu lugar Como eu gostaria de poder ficar...me deixar ficar. Ficar como ? Sou um homem da cidade, Transbordando direitos e deveres, Imerso em obrigações engravatadas, Com códigos e posturas...para ir ao banheiro E ainda chamam-me de livre. 08/03/1975