À noite quando me deito.
O céu ouve-me.
Ouve-me, o quanto sinto-me perdida.
Perdida sem uma causa.
As tempestades de inverno vieram.
E escureceram o meu sol.
O meu chão.
Perco a minha respiração.
Os meus pensamentos procuram uma porta aberta.
Aberta para levarem-me para longe.
Longe...
Longe desta batalha que é viver.
Onde eu possa ser forte.
Como a chuva que cai no telhado.
Trazendo a esperança.
Deixo-a cair sobre mim.
Para que ela leve consigo todas as dores.
Sofridas
Vividas
Amadas
Não tenho medo, nem das chuvas tempestivas.
Nem da solidão.
Que ronda a minha alma.
Talvez o meu coração!
Noites sombrias
Chamadas de perigosas
Mágoas proibidas
Antigos fantasmas
Murmúrio turvo feito num sonho
Negras obscuras do caminho
Manhãs de sol
Noites de luar
Destinos feitos num olhar
Longe de tudo
Longe de nada
Solidão em súplicas
Coração nas chamas
Perdeu a cor
Perdeu a razão
Sonhos vazios
Sonhos de amor
Noites sombrias da minha solidão!
Nos dias de silêncio.
O meu coração não tem voz.
A dor dos outros, são os meus olhos.
Que vê a profundidade da alma.
Os segundos passam.
Ficam as lembranças.
Na mente.
No corpo.
Elas só dizem que o tempo passou.
O resto é só saudade.
Triste das ondas, de uma voz calada.
Boca fechada.
Olhar ausente.
Hoje simplesmente.
Joguei o devaneio ao vento.
Num breve momento.
Sinto que a alma é livre.
Para toda a eternidade de uma vida vazia.
Murmurada ao vento.
Na sombra.
Cantada numa melodia triste.
Triste das ondas de uma voz calada.
Nos dias de silêncio, é só silêncio!
Caminho
Na beira da estrada da saudade...
A minha alma grita de agonia.
De dor
Alma em desassossego.
Pela ausência
Pela falta
Do toque dos teus dedos.
Do silêncio.
Dos lençóis acetinados.
Perdido no brilho.
Brilho do teu olhar doce.
Onde toca o meu coração quente.
Percorrendo cada canto do teu corpo.
Arrepio inimaginável desejo partilhado.
De memórias
Emoções
Suspiros de ternura.
Unindo os nossos corpos.
Como um raio de sol.
Magia dos sentidos.
Sentidos das as almas dos corações unidos!
Senhor dá-me a tua mão.
Paz à minha pobre alma.
Porque é chegada a minha hora.
Senhor dá-me a tua mão.
Neste mundo, onde tudo é incerto.
Menos a morte, que ela é certa.
Senhor dá-me a tua mão.
Sinto o aumento da minha solidão.
Pois não há ninguém, que chora por mim.
Senhor dá-me a tua mão.
Até que o amanhã me resgate.
Talvez não exista, ou demore-se.
Senhor dá-me a tua mão.
Pois perdi a idade.
E não possuo ninguém.
Senhor dá-me a tua mão.
Aconchego-me de mim mesma.
Sou solitária a viajar sem bagagens.
Senhor dá-me a tua mão.
Socorre-me do vale das sombras.
Porque é chegada a minha hora!
Abraça-me
Amor por onde vagueio.
Vagueio nas páginas rasgadas.
Rasgadas de um velho livro.
Neste momento estou triste.
Soluço e choro.
Choro pelo orvalho da manhã.
Sem ti, sou como um livro nunca lido.
Com segredos autênticos.
Silêncios feitos nos becos da vida.
Leva as letras até ao vento que sopra.
Dá-me de beber, tenho sede.
Sede dos teus beijos.
Sede da profundeza do teu ser.
Encontras-me no meio do silêncio.
Silêncio de gestos.
Palavras, gritando ao vento.
Sem encontrar-te.
Tu apareceste no meu caminho.
Despertando a paixão.
Abriste o teu coração para o meu.
Abraça-me amor.
Vagueio nas páginas rasgadas de um velho livro.
Perdidas...
Esquecidas nas letras escritas de mim mesma!
É urgente
O tempo
Antes que se perca o amor.
Um marinheiro.
Antes que o barco encalhe na praia.
Construir certas palavras.
Antes de destruir palavras certas.
Inventar a felicidade.
Antes que sejamos invadidas pelo
Ódio
Solidão
Multiplicar os beijos.
Descobrir rosas.
Rios
Mar
Orvalho
Manhãs de luz.!
Ando pelo espuma do mar
Descalça na areia branca da praia.
Deixem-me viver
Viver livre
Não imponhas regras
Condições
Não questiones-me as minhas decisões.
Suposições
Quero viver cada dia como se fosse o primeiro
Mas também vivê-lo como se fosse o último
Não imponhas conselhos
Opiniões
Sermões
Sou como as ondas do mar.
Como o vento
A tempestade
A brisa do deserto
O raio do sol
Como a tempestade
O lobo que uiva no grito do vento.
Não tentes limitar os meus passos.
Pará de me aprisionar.
Com coisas que me deixam deprimida
Só quero ser livre como uma águia.
Deixem-me viver, viver livre contigo.
Senhor
Aceita-me como sou.
Aceita os meus conflitos.
As minhas decepções.
As minhas desilusões.
As minhas ingratidões contra ti.
Tudo e todos.
Os meus atos e atitudes.
Compreender o que não compreendo!
São os afetos
Na ausência de quem dá.
As lágrimas derramadas.
De quem queria bem.
No meio de tantos versos.
De tantos verbos
Exclamados
Lidos
Não lidos
Esquecidos
O melhor recanto, que seja o silêncio.
Só o silêncio!
Amar-te é descrever-te.
Nos sonhos enlouquecidos.
Teu corpo é como uma canoa.
Em que me entrego à deriva.
O nossos corpos.
São casulos de infinitas sedas.
Sentir a tua pele.
Ser a saudade do teu doce gemido.
Roubar os teus beijos.
Gritos sem dor.
Ser o teu céu.
Sentir o bater do coração.
Ver nos teus olhos a paixão.
Soltas em mim o vulcão.
Tenho sede.
Dos rios do teu desejo.
Mergulho no teu corpo.
Delira como o mel da paixão.
Dois corpos que fundem.
Que se consomem sem fim.
A melodia que se fez poesia.
Amar-te é descrever-te.
É iluminar-te nas noites frias!
Agarrei na minha caneta.
Senti saudade de escrever.
Olhei para o papel
E nada
Tudo em branco
Pedaços rasgados de papel.
Olhei é só dor.
Há momentos que marcam-nos na vida
As saudades
As partidas
Ficam como pedaços
Lembranças
Memórias
Volto a tentar escrever
Lembrei-me dos meus pais
Que estão velhinhos
Doentes
Numa aldeia escondida lá para Trás os Montes.
Por serras montes e fragas
Saudades que tenho.
Tantas lembranças de crianças.
Como era bom ser criança.
Feita de miminhos e carinhos.!
Gosto do cheiro a terra molhada.
Do aroma do campo.
Da brisa que cruza no mar com o canto do vento.
Da água fresca que percorre o leito do rio.
Sombras dos choupos nas suas margens.
Perfume das flores.
Dos gritos das papoilas.
Gosto da chuva miudinha.
Da água fresca da fonte.
Dos seixos, fragas, pedras atiradas da ponte.
Do canto dos grilos nas noites de insônias.
Das cegonhas no lameiro.
Do coaxar das rãs, nas águas do rio
Gosto da mãe natureza, respeito a sua vontade!
Gosto de fechar os olhos.
Sentir o amor e o calor.
Calor daqueles que partiram.
De mim.
Para sempre.
Sentir as mãos frias.
Frias sobre o ferro quente.
Quente como o meu corpo.
Que não me reconhece.
Perdeu-se no espelho.
Espelho da vaidade.
Das grades de ferro da cela.
Onde dorme a minha alma.
Ferros meus
Corpo teu
Mãos que já foram minhas.
Tuas.
Não partas fica na noite que desbrava-se.
Cama.
Silêncio.
Margens do tempo.
Livros das cores que nos cegam.
Espelhos do quarto.
Que nos ferem.
Em estilhaços de luz.
Poeiras soltas.
Rasgar dos panos.
Das janelas abertas.
Murmuram o teu nome, o meu.
Lambuzam os dedos no pote de mel.
Gritam
Gemem
Na primeira lua.
Saltam o muro fingindo.
Fugindo e perguntam.
Perguntam onde estão os que partiram!
Eu não sei o caminho.
Pois ando perdida.
Reuni-me por dentro.
Por dentro da vida.
Os teus olhos sopram.
Sopram no vento.
Melodia encantada.
Encantada no tempo.
Sulco que chega.
Que chega na hora.
Sem tempo
Sem nada
Num andar descalço.
Vou levá-lo a lugar nenhum.
À distância da noite.
Distância do dia.
Arrasta a sua sombra.
Cansada e triste.
Procuro um amigo.
Procuro uma mão.
Eu sei o caminho, mas ando perdida.
Perdida esquecida.
Dentro de mim.
Da vida reunida, reunida no tempo!
Vive hoje
Não olhes para o passado
Abraça o presente
O tempo que te resta
Sem saber que existe o amanhã.
Ama
Vive
Sem medo
De amar
Sem medo
De sentir o ridículo
Ridículo na pele
Vive o presente
Segue para a frente, sem olhar para trás!
Constrói frases...entrelacei letras.....
Através de palavras....soltas......
Reveladas dos nossos desejos...
Em cada sussurro oiço ...o vento.....
Distante e sufocante....
Pensamento do teu querer..ou meu.....
Cada palavra que leio....
Leio-te......e descubro-te...
Em palavras ousadas....
Onde o meu corpo treme....de Paixão...
De tempo.... do desejo.......
Gravado.....e tatuado no corpo...
Tempo perdido no desejo...
Onde tudo são horas preenchidas......
Pelo desejo..... de um tempo que não termina...
Constrói frases...entrelacei letras...
distantes e sufocantes..!!!
Morrer de amor
Morrer por ti
Trocar tudo
Trocar por ti
Por castelos se for preciso.
Príncipes perfeitos.
Jardim de borboletas.
Dorme comigo meu amor
Agasalha-me nas noites frias.
Sufoca-me de prazer.
Com o teu corpo.
Sufoca a tua boca à minha.
Até desfalecer na pele.
De um sorriso.
Imperfeito como o amor.
Bebamos e falemos
Pois nada é eterno.
Becos sem saída.
Resistimos ao cansaço.
Os nossos beijos são as línguas,
Delirantes de um poema.
Poema escrito com o corpo.
Amo-te meu amor.
Morro de amor, morro por ti!
Sinto.
Sinto a ausência da tua voz.
Despojada de temores.
Das lágrimas silenciadas.
Vivo com este desejo oculto.
De correr
Misturar
Separar
Desarrumar
Pedras arrastadas no leito.
De um lugar mágico.
Onde existe novo trilho.
Percorrendo um caminho.
Seguro para ser corrido.
Mãos
Emudecidas.
Suadas
Gestos esquecidos.
Em posse.
Desejo.
Ausência dorida tardia!
Este inferno que amordaça-nos
Do silêncio da lareira.
Onde arde o carvão que grita o infinito
Cego de dor
De angústia
Vicio feito em egoísmo.
Ironia sem fumo.
Sem raízes
Vedado
Condenado
Enganado
Em gestos de palavras
Da própria dor, onde rasgam os lábios
Pedra sôfrega sem nome.
Terra impura sem flor.
Sacia a fome entre os muros.
Do sofrimento e felicidade!
Sem ti é estranho
Sentir este silêncio
O ar deixou de circular
O relógio parou
O tempo passou ao desespero
As sombras
Vieram fazer-me companhia
Oiço os gritos
Sinto falta dos gemidos
Procuro-te nesta casa vazia
E nada encontro
Quero encontrar qualquer memoria
Que traga-te perto de mim
Apenas encontrei este silêncio
Em formas de sombras!
Assusta-me,
Acreditar nos sonhos.
Onde a realidade é tão dura.
De ver o céu nublado
Sem estrelas
Sem o brilho
Sinto dor dos dias vividos.
Do frio das noites.
Da náusea do tempo.
Carrego a saudade na alma.
O peso da renúncia.
Angustia das estrelas.
Nostalgia das incertezas.
Assusta-me
As ilusões dos dias.
Da esperança que não tenho.
Onde o destino foge.
E o deixo fugir!