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Frases de Isabel Furini

24 frases

O PROCESSO DE KAFKA (Poema de Isabel Furini) Opinião de Miguel Sanches Neto:“O poema é fiel ao tom misterioso dos livros de Kafka.” Gárgulas procuram o Processo
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O PROCESSO DE KAFKA (Poema de Isabel Furini) Opinião de Miguel Sanches Neto:“O poema é fiel ao tom misterioso dos livros de Kafka.” Gárgulas procuram o Processo e o misterioso Castelo de Kafka. Gárgulas ferozes conspiram no silêncio, escalam as muralhas e descobrem invisíveis paredes de pedra e solidão. Medos instintivos voam por ruas ignoradas, poeirentas, em uma cidadela de fracassos e desamor. Cobras de emoções envenenam antigos alfabetos e invadem os livros de Kafka, (triunfantes) reeditam o processo (eterno) no labirinto do tempo. ***

A FOFOQUEIRA (Crônica de Humor) Durante três dias, Raquel, a fofoqueira do bairro, observou a vizinha Valéria que morava na casa antiga, na frente da sua. Rua sem saída. Os vizinhos comentavam que Valéria havia enlouquecido. Fazia três anos que perdera o marido e um ano da mort…
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A FOFOQUEIRA (Crônica de Humor) Durante três dias, Raquel, a fofoqueira do bairro, observou a vizinha Valéria que morava na casa antiga, na frente da sua. Rua sem saída. Os vizinhos comentavam que Valéria havia enlouquecido. Fazia três anos que perdera o marido e um ano da morte da mãe. Valéria passou muito tempo de luto e tristeza. Dois meses atrás, havia se aventurado numa viagem turística ao Nordeste, junto com uma prima. Voltou de bom humor, mas nos últimos dias falava sozinha, gesticulava, ria... Teria alguma visita? Nesta tarde de sábado, Valéria ria muito. - Ela enlouqueceu!.. - gritou Raquel. - Venha, querido, venha e olhe... O marido relutou um pouco, mas como a esposa continuava: Venha... venha... ele deixou o jornal e levantou-se, com dificuldade, da poltrona onde estava esparramado. Aproximou-se da janela. Olhe lá, olhe, João, parece que está falando com alguém.. mas Valéria está sozinha desde que a mãe morreu. Falarei com ela. Talvez precise de um médico... de um psiquiatra... de terapia... Raquel pegou o telefone: - Olá,Valéria? Você está bem? - Feliz com meu noivo nordestino – respondeu rindo Valéria. Raquel, curiosa, continuou a espiar pela janela. Querido, venha, venha ver... venha, por favor... O marido novamente deixa o jornal de lado e se aproxima a passos vagarosos até a janela. - Olhe, disse a mulher... Valéria fala e ri... sozinha.... - Sozinha, não! Com seu noivo imaginário, ironiza o marido. Volta a sentar-se na poltrona e pega o jornal. - Eu vou falar com ela – enfatiza Raquel. Minutos depois, Raquel aperta com força a campainha. A porta se abre. – Este é Armando, meu noivo... - grita Valéria da cozinha. Só nesse momento Raquel repara no anão de pijama azul, na ponta dos pés, segurando-se na maçaneta da porta. Sorridente, o anão a convida a entrar. Raquel fica paralisada ao lado da porta. Armando insiste. - Sente-se, vizinha, pode pegar um pedaço de bolo. Eu mesmo fiz... - Aqui está o chá mate!... – disse contente Valéria. Coloca a chaleira na mesa, agacha-se e abraça o anão. Ele, sempre sorridente, dá um beijão na boca da namorada. Depois sobe na escadinha que está ao lado da mesa e serve um pedaço de bolo para dona Raquel. Raquel, sem palavras, senta-se na cadeira e pega o pratinho com o bolo, acanhada, não sabe o que dizer. Os três ficam em silêncio. Raquel, tentando ser agradável pergunta: - É bolo de laranja? No dia seguinte, Raquel falava com Adelaide, a velhinha do sobradinho amarelo, quando vê passar, Valéria, de mãos dadas com Armando. Os dois, sorridentes, cumprimentam e continuam seu passeio. Sem poder conter-se, Raquel murmura para Adelaide: Como ela pode sair com um homem tão pequeno? A velhinha, muito jocosa, emenda: Segundo ouvi dizer, Armando é pequeno só de estatura, dona Raquel, só de estatura...

Todo escritor é viciado no tormento da busca e no prazer de encontrar as palavras que entrevia no espaço interior, de resgatar elementos vivenciais que dormiam em algum canto ignorado da mente. Encontrar o enredo, o personagem, o espaço, a linguagem, a voz, o tom, é encontrar-se…
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Todo escritor é viciado no tormento da busca e no prazer de encontrar as palavras que entrevia no espaço interior, de resgatar elementos vivenciais que dormiam em algum canto ignorado da mente. Encontrar o enredo, o personagem, o espaço, a linguagem, a voz, o tom, é encontrar-se a si mesmo. Reconhecer o próprio rosto atrás das máscaras. Talvez o escritor não seja senão um camponês da palavra. Escritores são Argonautas, teimosos aventureiros em busca do carneiro de ouro - o texto perfeito." de O Livro do Escritor

MENSAGEM Quando a emissora abriu, já havia uma fila de milhares de palavras. As arrogantes empurravam, e as tímidas, acovardadas, cediam os seus lugares. Algumas palavras eram boas, mas também havia palavras ruins. Algumas eram arcaicas, outras, sofisticadas. Entre as piores est…
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MENSAGEM Quando a emissora abriu, já havia uma fila de milhares de palavras. As arrogantes empurravam, e as tímidas, acovardadas, cediam os seus lugares. Algumas palavras eram boas, mas também havia palavras ruins. Algumas eram arcaicas, outras, sofisticadas. Entre as piores estavam as difamatórias e as depreciativas. A fila foi andando. A última palavra, cabisbaixa, apoiou-se na porta. – Pode entrar. – falou o porteiro. – Para quê? Ninguém se lembra de mim. – Neste lugar inspirarás poetas, participarás de diálogos e discursos. Ressurgirás! A palavra fraternidade entrou e propagou-se pelo mundo.

Poema: CAMPO DE TRIGO DE VAN GOGH (tela de 1890) Cuervos ferinos, mímicos ferinos,
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Poema: CAMPO DE TRIGO DE VAN GOGH (tela de 1890) Cuervos ferinos, mímicos ferinos, sombras de la genialidad, murmullo de ríos subterráneos, canal de las aguas del inconsciente, campo de trigo con negros cuervos moliendo las tenebrosas horas. El viento susurra entre los oídos y la tela - casi un ulular de muerte. do livro de Isabel Furini: "Os Corvos de Van Gogh"

Introdução do livro "Mensagens das Flores" de Isabel Furini INTRODUÇÃO - AS FLORES Existe algo no mundo que possa dar uma lição tão direta de beleza e entrega quanto uma flor? Ela perfuma o ambiente, perfuma até a mão daquele que a corta, porque sua natureza é a doação. Uma flo…
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Introdução do livro "Mensagens das Flores" de Isabel Furini INTRODUÇÃO - AS FLORES Existe algo no mundo que possa dar uma lição tão direta de beleza e entrega quanto uma flor? Ela perfuma o ambiente, perfuma até a mão daquele que a corta, porque sua natureza é a doação. Uma flor desperta o sentimento estético, alegra o coração e purifica os sentimentos. Não há flor feia. Não importa quão simples possa ser a flor do campo, ela é bela. Parece que a natureza de cada planta está empenhada na arte de refletir a beleza divina por meio das flores. Onde existem guerras, o nascimento de uma flor é esperança. Onde existe ódio, a entrega de uma flor é reconciliação. Onde existe tristeza, a presença de uma flor traz alegria. Por isso, observe as flores no decorrer deste livro e reflita sobre suas mensagens. Mas não leia só com os olhos, leia com o coração. Deixe que o impulso de vida que existe em seu interior se manifeste e o leve das coisas cotidianas para as coisas espirituais. Reconheça que, no íntimo, você também é como uma flor: existe em você um sentimento maravilhoso, um sonho de beleza, uma procura incansável. E como caminhante nas estradas do mundo, aprenda a aspirar o perfume das flores e a receber a sua mensagem, que é a mensagem do Amor.

CONTO DE NATAL: O Caçador e o Anjo Era uma vez um jovem Anjo que duvidava da existência dos homens. Ele via uma forma de carne, ossos, sangue, pele, cabelos, uma forma material. Essa forma se movia, alimentava-se e descansava, mas ainda assim o Anjo duvidava de que fosse um home…
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CONTO DE NATAL: O Caçador e o Anjo Era uma vez um jovem Anjo que duvidava da existência dos homens. Ele via uma forma de carne, ossos, sangue, pele, cabelos, uma forma material. Essa forma se movia, alimentava-se e descansava, mas ainda assim o Anjo duvidava de que fosse um homem. O anjo sabia que os homens são espírito e matéria, e que ele tinha uma missão: cuidar de um deles. Porém, questionava se a forma rude que enxergava era mesmo de um ser humano. O homem, chamado Estevão, só acreditava no mundo material e ria quando alguém lhe dizia que existiam anjos. Um dia ele foi caçar numa floresta e, correndo sobre o mato úmido atrás de um veado, bateu contra o tronco de uma árvore morta que estava caída no chão. A arma escorregou de suas mãos e um forte estrondo, como o rugido de um leão, agitou a floresta. Rapidamente os pássaros revoaram e animais pequenos voltaram a suas tocas. Ao cair no chão a espingarda disparara e o caçador, com tão pouca sorte, foi ferido. Estevão, lá deitado, vendo o sangue escorrendo de seu peito, olhou para o céu a fim de pedir socorro e, num raio de sol que penetrava pela copa das árvores, divisou a imagem de um anjo com suas asas brancas. O Anjo, por sua vez, ao ver o homem clamando por Deus, percebeu seu espírito. Ambos se olharam com curiosidade e, em seguida, passaram a se examinar mutuamente. – Você é um Anjo? – Então os anjos existem! – disse o homem, admirado. – Você é um homem? – Então os homens existem! – exclamou o Anjo. Ambos deram-se as mãos. Estevão, no entanto, havia perdido muito sangue e desmaiou. Foi acordar num quarto simples, da casa de um lenhador que por acaso passara por onde ele se encontrava na floresta e, ao vê-lo ferido, decidiu a ajudá-lo. Desde esse dia o caçador se fez amigo do Anjo, e o Anjo se fez amigo do homem. O humano sentiu-se tão feliz com seu companheiro celeste que deixou de matar outras criaturas. Agora, sua maior diversão era observar os seres da natureza: ondinas e gnomos, silfos e salamandras. Mostrou também seu mundo a seu amigo: casas e fábricas, lojas e clubes, cinemas, teatros e shoppings. Mas o ser celeste preferia as florestas, as montanhas e os mares, o ruído dos ventos, das ondas e dos pássaros. O homem e o Anjo sempre permaneciam juntos, e os sensitivos que por acaso os viam, detinham-se perplexos a observá-los: ambos caminhavam juntos, tão serenamente que ninguém sabia se o homem era guiado pelo Anjo ou se o Anjo era guiado pelo homem. Isabel Furini é escritora e poeta.

A dengue (Poema Infantil) A dengue é terrível faz um mal danado.
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A dengue (Poema Infantil) A dengue é terrível faz um mal danado. Os mosquitos da dengue são como vampiros, pois atacam os humanos. Água empoçada, você já deve saber, é uma bela casa para o mosquito da dengue morar e crescer. A mamãe coloca as plantas em vasos, os vasos em pratos, os pratos nos cantos. Quando molhar as plantas, que vivem nos vasos, cuide para que no prato não fique água acumulada. Pneus velhos, jogados, com água empoçada são perigosos como velhas armas. Homens e mulheres, velhos e crianças, devem ter cuidado e espreitar direito. E ao enxergar água empoçada, devem jogá-la na hora, limpar, ou ligar para o prefeito. É preciso acabar com a dengue!

OCTOPUS exilou-se o artista e percebeu seus tentáculos
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OCTOPUS exilou-se o artista e percebeu seus tentáculos abrangendo a Metafísica (além da técnica do pincel) as ideias chegaram em tropel pois pintar não é só um desejo a inspiração não é só uma flor em um jardim é uma alienação é um octopus que navega na sua alma talvez Kim seja um Minotauro – um ser mitológico de olhar metafísico exilado no labirinto do mundo Isabel Furini

O CÍRCULO QUE O RIO NÃO LEVOU (Miniconto Observou o círculo. Uma cobra branca, nuvens e fantasmas faziam parte do espetáculo. A cobra era enorme e mordia a própria cauda. Devorava-se (como um homem mastigando seu passado). Pensou em Heráclito. As águas levariam o círculo branco…
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O CÍRCULO QUE O RIO NÃO LEVOU (Miniconto Observou o círculo. Uma cobra branca, nuvens e fantasmas faziam parte do espetáculo. A cobra era enorme e mordia a própria cauda. Devorava-se (como um homem mastigando seu passado). Pensou em Heráclito. As águas levariam o círculo branco dos sonhos? Cinzelava o rio de Heráclito quando foi deglutido pela cobra. Hoje, ele faz parte do círculo e de sua quadratura.

ARTE (Conto de Natal) Enlouqueceu depois de muitas exposições sem êxito. Seu trabalho não repercutia na mídia. Abandonou a casa. Começou a morar na rua. Continuou pintando compulsivamente. Era alto, elegante e belo. Meu irmão e eu o observamos enquanto comia. Não parecia um indi…
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ARTE (Conto de Natal) Enlouqueceu depois de muitas exposições sem êxito. Seu trabalho não repercutia na mídia. Abandonou a casa. Começou a morar na rua. Continuou pintando compulsivamente. Era alto, elegante e belo. Meu irmão e eu o observamos enquanto comia. Não parecia um indigente. Tinha a postura de um príncipe. No Natal pintou barcos carregados de presentes nos muros de uma fábrica. Os adultos nem paravam para olhar, mas meu irmão, eu e outras crianças do bairro de operários, admirados, aplaudíamos o artista louco. Isabel Furini

JUSTIÇA (Conto) – Deus abrirá as portas do Céu para eles? – perguntavam-se os Anjos ao pesar os corações de dois homens. Para o ateu compassivo, de coração bondoso, Deus abriu as portas do Céu. Fechou-a para o fanático religioso, que, cheio de arrogância e sem compaixão, julgav…
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JUSTIÇA (Conto) – Deus abrirá as portas do Céu para eles? – perguntavam-se os Anjos ao pesar os corações de dois homens. Para o ateu compassivo, de coração bondoso, Deus abriu as portas do Céu. Fechou-a para o fanático religioso, que, cheio de arrogância e sem compaixão, julgava-se superior ao ateu e o condenava. “Ele prosseguiu: Atendei ao que ouvis: com a medida com que medirdes, vos medirão a vós, e ainda se vos acrescentará”. Marcos, 4-24.