O sedutor ama o mundo. Ao procurar o amor eu descobri a mim mesmo.
Frases de irmosvoltaire4444_1120041
373 frases
O homem é uma criança num corpo de adulto e a mulher é um adulto num corpo de criança. Os homens se divertem, as mulheres não têm senso de humor.
O nariz, o olfato, é a chave.
Caminhada Caminhar, caminhar. Como é bom caminhar. Os pés se ajustando ao chão, se distendendo ao abranger a zona de equilíbrio do corpo. Era assim que eu pensava ao caminhar em círculos pelo meu quarto. O quarto não é grande mas tem uma saída, a janela. Lá enxergo os pombos ase…
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Caminhada Caminhar, caminhar. Como é bom caminhar. Os pés se ajustando ao chão, se distendendo ao abranger a zona de equilíbrio do corpo. Era assim que eu pensava ao caminhar em círculos pelo meu quarto. O quarto não é grande mas tem uma saída, a janela. Lá enxergo os pombos asejando de topo a topo dos prédios. Logo ali as caturritas fizeram um ninho na parte alta do pinheiro. Ficam na altura da janela. Levam galhos para a rústica construção. São como eu, voltam para casa o quanto podem e se abrigam das feras. As feras estão em toda parte, menos no meu ninho. Há uma porta, um computador, um rádio, uma janela e um telefone. São canais que me ligam ao exterior. Eu vejo as feras no computador. É quando aparecem mais assustadoras, se pavoneando, mostrando os dentes e tentando ser sedutoras. Eu nunca me manifesto: que não saibam que eu existo. À noite tomo um chá. Queima a boca, eu gosto. Ontem o telefone tocou e eu estava tomando um chá. Respondi com uma voz fumegante. Fiquei com medo que não ligassem mais. Não tenho amigos, mas aí a ter inimigos, não dá! Eu não tomo remédios, mas alguém me indicou o Oxalato de Escitalopram. Mas para comprar só com receita. Então fui ao médico. O homem me examinou, mediu, dissecou. Descobri que eu era um doente, crônico, um neurastênico, quase oligofrênico. E com pressão alta. Observei as pombas da janela do médico e perguntei-lhe se ele gostava de caminhar. Ele me olhou desconfiado e eu imaginei as neuroses que ele estava descobrindo dentro do meu cérebro inocente. Fui saindo de mansinho enquanto ele escrevia alguma coisa. Deveria ser uma sentença. Um diagnóstico. Um epitáfio. Cheguei à farmácia com a receita. Os nomes dos remédios pareciam fórmulas químicas e eu, assustado, não comprei nada. Voltei para o meu quarto e fui ouvir uns discos. Essas coisas modernas não têm cheiro, nem vida. A música do vinil fluía junto com o som da agulha correndo pelos sulcos. Havia ruídos, estalos e uma sonoridade sofisticada e quente. A Wanda Landowska e o chá de capim cidró, isso combinava, mas queimei a boca de novo. O toca-discos era um mecanismo, mas não era uma criação que produzisse um som fantasmagórico como o do CD. Manifestação dos elétrons do micromundo. Já sonhei com os espíritos e mesmo já os ouvi. Ficam sob a minha janela cantando para mim para que eu fique louco. Serei um louco que acha que é médium, ou um médium que ouve espíritos loucos? Uma vez eu comprei uma tartaruga chinesa de pelúcia e dei de presente. Não gostaram. Então eu pedi de volta e nas noites quentes sonho em nadar nos trópicos com a tartaruga em evoluções fantásticas à luz da lua cheia. E também com as minhas bonecas espanholas ao som da salsa e do merengue. Ontem me lembrei de um tio, já morto. Já foi tarde. Como é bom envelhecer e ir ficando livre das malas. Haverá um dia, depois da guerra, da peste e da fome, em que eu estarei sozinho. Tão só que eu não vou ter mais motivo para não me conhecer profundamente. Depois de muitas décadas não haverá gente no caminho e eu vou poder me encontrar comigo. Vou estar em cada esquina, em cada bueiro, em cada ninho de pomba. Vou me enxergar como eu sou, não como agora em que deixo partes invisíveis. Vou me desejar sem a interferência de toda essa poluição humana.
Fria noite Caminho pela rua à noite. A luz mortiça se refletindo nas lajes. Ó meu querido papel que aceita tão docemente a minha mágoa, o que não encontramos na noite, lar do sonho e da imaginação? Enquanto abro caminho na névoa, os espectros tomam forma, passam por mim protegid…
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Fria noite Caminho pela rua à noite. A luz mortiça se refletindo nas lajes. Ó meu querido papel que aceita tão docemente a minha mágoa, o que não encontramos na noite, lar do sonho e da imaginação? Enquanto abro caminho na névoa, os espectros tomam forma, passam por mim protegidos pela escuridão. O escuro contém algo que eu perdi, que não me deixa encontrar. Foi a luz do dia, a clareza e a certeza da compreensão. A certeza da morte ao final. O breu do meu sonho cria vagos lampejos de nebulosidades. Durmo e vivo num mundo em que não há memória, que não tem passado nem futuro, ele existe sem termos consciência. Não quero, não posso voltar, a noite me seduziu e me tomou como posse. Só quero imaginar e isso acontecerá.
Sonhador Os meus sonhos valem mais que qualquer coisa que eu tenha vivido. A imaginação cria um mundo mais completo do que aquele que eu nunca vou conhecer. A minha arte sou eu, vivo. A arte de me construir é maior do que se chama de realidade.
Tudo o que é difícil, é para que fique fácil.
Qual é a verdade da lógica dos sons? O que as cores têm a ver com a verdade? Ser escritor é mentir sempre, é criar a realidade. Ser artista é tornar pública uma visão pessoal.
Como pode ser surpreendente a realidade, se, neste instante, estamos lhe criando os pressupostos?
Todos estão iludidos pelo espaço, quando estão presentes num pequeno ponto, indo e voltando, sem sair do lugar.
Tudo pode dar certo ou errado. O que importa é o que acontece, a prova da realidade.
O Dia Internacional da Mulher é muito paternalismo.
O dia se repete infinitamente, a não ser pelos pontos chaves, em que podemos modificar o looping. Para saber quando mudar, isso só usando a intuição.
As mulheres são espertas: rendem-se por quinze minutos, e conquistam o poder por cinquenta anos.
É fácil enxergarmos o mundo. É difícil enxergarmos como ele nos vê.
A arte vence a morte.
Obrigado, Deus, pela luz.
No silêncio, a Verdade.
A realidade é uma ideia, nós a compreendemos ao senti-la. As palavras só podem definir, quando tudo é o infinito. A Verdade é a imaginação, pois além de nós está Deus e o que vemos é o que nós somos. Nunca a visão será suficiente para contentar a nossa sede de saber.
A paciência é mágica: nos dá tudo o que desejamos, na hora em que precisamos.
Todos usam a morte para transmutá-la em vida. Assim, esta muda de lugar e continua.
Aqui no penhasco, onde mora a paz e a tranquilidade, vemos o prazer e a dor se degladiando lá no vale. O ensinamento de quem não é mais alguém.
Cascavéis sibilam pelos candelabros.
Embora eu seja senhor da minha vida, há alguém que está mais longe, que já chegou aonde eu só desconfio. Seguindo por esse caminho do desconhecimento, nem sei se chegarei há algum lugar, só vendo.