A borboleta e o lirio O lírio ergue-se, altivo, como templo branco no jardim das eras.
Continuar lendo
A borboleta e o lirio O lírio ergue-se, altivo, como templo branco no jardim das eras. Enraizado no mistério, não se curva ao vento, não se rende ao efêmero. A borboleta o busca, peregrina das auroras, traz no voo a lembrança dos mundos, na cor das asas — o sopro das almas que já se amaram. Ela pousa, e em silêncio o universo desperta: pétala e asa não se tocam apenas, se reconhecem. É a paixão que não se mede em carne, mas em eternidade. O lírio permanece, irredutível em sua pureza, e a borboleta dança, abandonando o tempo a cada batida de asa. São diferentes como raiz e vento, mas unidos como chama e oxigênio. Na eternidade, não há fronteira. O amor deles não é desta vida — é um cântico gravado na alma do cosmos, onde o lírio espera, e a borboleta retorna, sempre, sempre.