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Frases de Hugo Pires

50 frases

DIREITO Sempre acreditei demasiado na força das palavras. Sempre acreditei que os nossos pensamentos nos levam aonde quer que queiramos, e que basta ter perseverança para alcançarmos os nossos sonhos, pois o único direito que não nos foi dado é a desistência. Foi com esses idea…
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DIREITO Sempre acreditei demasiado na força das palavras. Sempre acreditei que os nossos pensamentos nos levam aonde quer que queiramos, e que basta ter perseverança para alcançarmos os nossos sonhos, pois o único direito que não nos foi dado é a desistência. Foi com esses ideais que comecei a escrever esse texto, vez que tenho visto por aí inúmeras chacotas envolvendo estudantes e profissionais do Direito, algo como "por que se chama Direito se está dando tudo errado?" ou "Aí você se forma, não é mais estagiário e ainda não passou na OAB, o que você é?", "Por que eu fui estudar Direito!?", entre outras tantas que me fariam ficar nesse parágrafo até o fim da Faculdade. Amigo leitor, não quero ser falso moralista, tampouco tenho pretensão de convencê-lo acerca dos meus erros ou acertos, de modo que às vezes também rio dessas frases, às vezes até as compartilho em tom de gozação, mas eis que descubro a trama ardilosa do desânimo que isso pode causar lá dentro dos ideais, pois se é certo que as palavras têm poder, não ganhamos nada em desmerecer a nossa escolha, ainda que por mera brincadeira. Lembro-me dos primeiros passos que dei na jornada do Direito, a primeira vez que li o art. 5º da Constituição, que, com a ajuda do professor, fez surgir interpretações que não estavam estampadas no texto, mas guardadas para aqueles que se debruçavam sobre elas. E tantos sonhos que nutria, e ainda nutro, de ser um grande jurista para poder ajudar quem precisa e fazer a diferença. Sim, pode soar piegas a última frase do parágrafo acima, mas é esse o meu mapa do maroto: "poder ajudar quem precisa". E é justamente essa meta que a gente vai perdendo no decorrer dos anos, é justamente essa utopia que vai se desfazendo no horizonte enquanto ficamos presos a encarar somente o lado negativo dos desafios. Vamos nos tornando individualistas demais, pessimistas demais. Sempre comento com meus amigos, pelos corredores da Faculdade de Direito, que a nossa escolha não é para qualquer um. É preciso ter gana por vitória para vencer o curso e não apenas cumprir a hora, é preciso ter sonhos para superar a longa caminhada que se apresenta e, sobretudo, acreditar que é possível ser melhor, não melhor que os outros, mas melhor que nós mesmos. Não podemos deixar essa chama apagar dentro da gente, de verdade, se é Juiz que queremos ser, corramos atrás desse sonho, essa é a hora! Se é Promotor, Desembargador, Ministro, Advogado, Professor, seja lá qual for o sonho que você, leitor, nutre, não o deixe se perder em frases desanimadoras sobre a carreira, porque ao final quem se perde somos nós mesmos, e então seremos apenas mais um... E quanto às respostas para as perguntas do começo do texto ("por que se chama Direito se está dando tudo errado?" ou "Aí você se forma, não é mais estagiário e ainda não passou na OAB, o que você é?", "Por que eu fui estudar Direito!?"), ninguém melhor que você para encontrá-las. E na mesma toada de Tércio Sampaio, despeço-me desse texto para ir às aulas de sexta-feira à noite na Faculdade de Direito: “o encontro com o direito é diversificado, às vezes conflitivo e incoerente, às vezes linear e consequente. Estudar direito é, assim, uma atividade difícil, que exige não só acuidade, inteligência, preparo, mas também encantamento, intuição, espontaneidade. Para compreendê-lo, é preciso, pois, saber e amar. Só o homem que sabe pode ter-lhe domínio. Mas só quem ama é capaz de dominá-lo, rendendo-se a ele.”

O Batman e a justiça com as próprias mãos Ben Affleck será o próximo Batman. Como todos devem saber, tal personagem é um homem morcego que venceu o medo e luta contra as injustiças do cotidiano, fazendo justiça com as próprias mãos a fim de salvar Gotham City de toda a corja de…
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O Batman e a justiça com as próprias mãos Ben Affleck será o próximo Batman. Como todos devem saber, tal personagem é um homem morcego que venceu o medo e luta contra as injustiças do cotidiano, fazendo justiça com as próprias mãos a fim de salvar Gotham City de toda a corja de malfeitores que tentam destruir a cidade. Batman sai todas as noites atrás de bandidos e mafiosos para fazer valer a sua própria lei. Entre prédios, muros e escuridão, brilhará sempre o sinal do morcego, e o homem das trevas restabelecerá a paz aos homens de "bem" de toda a Gotham. E assim a trilogia vai se refazendo... Num salto, da ficção para o mundo real, nos últimos meses homens e mulheres sem fantasia, na luz do dia e sem sinais de morcegos, têm saído às ruas para fazer justiça com as próprias mãos, com o anseio de vingar as atrocidades cometidas pelos seus acusados. É algo como "olho por olho, dente por dente", em um inquérito feito às pressas pelos mesmos juízes que executarão a pena. Em Gotham, quando o caos beira o precipício, a luz do Batman brilha sobre a escuridão e traz esperança aos desafortunados. E no Brasil, qual luz vai brilhar? E eis que alguns "Batmans à brasileira" acendem uma luz que não clareia no fim do túnel e, motivados pela morosidade da justiça (aqui leia-se no avesso "celeridade da injustiça"), saem às ruas prontos para linchar os Judas, num jogo de todos contra todos, onde o próximo pode ser o justiceiro de ontem. A diferença é que as ações do Batman são cuidadosamente planejadas e gozam de um farto amparo tecnológico, o que lhe proporciona uma excelência extraordinária. Excelência essa que nem mesmo as Excelências dos tribunais brasileiros detêm, tamanha a lentidão do Poder Judiciário no Brasil, além da ineficiência das polícias nas investigações criminais, mais por falta de amparo do que por falta de vontade dos seus agentes. Mas a diferença primordial é a que se refere ao fato de o Batman ser apenas um personagem fictício, e talvez os "Batmans tupiniquins" tenham se esquecido desse mero detalhe, pois justiça com as próprias mãos só é justa se for aperto de mãos, do contrário é só vingança. A consequência de tudo isso é a que se vê no dia a dia, atrocidades cometidas por marginais que não cumprem devidamente a pena, e, em contrapartida, barbáries cometidas por "cidadãos" como forma de resposta vingativa da sociedade. O problema é que aquilo que para alguns é a luz no fim do túnel, na verdade é um trem descontrolado vindo na direção de todos, e nesse empurra-empurra total, os "Batmans" têm matado Robin no lugar de Coringa, Alfred no lugar de Pinguim. Um verdadeiro retrocesso aos tempos remotos! E, assim, a história vai se repetindo...

"ROLEZAUM" Um país onde jovens pobres se reúnem aos milhares para marcarem seus encontros e fazerem algazarra em shopping centers. Como se isso fosse a bandeira revolucionária de um grupo. Apartheid? Não, não se trata de um apartheid à brasileira. Lembrem-se que o direito de ir…
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"ROLEZAUM" Um país onde jovens pobres se reúnem aos milhares para marcarem seus encontros e fazerem algazarra em shopping centers. Como se isso fosse a bandeira revolucionária de um grupo. Apartheid? Não, não se trata de um apartheid à brasileira. Lembrem-se que o direito de ir e vir, parar e ficar, é um direito consagrado pela Constituição de 88, mas consentâneo de outros direitos também constitucionais, com os quais deve conviver de forma horizontal, pois não pode haver direitos absolutos numa democracia, nem mesmo a vida goza de tal presunção. Como bem frisou o Juiz da 14ª Vara Cível de São Paulo: "O Estado não pode garantir o direito de manifestações e olvidar-se do direito de propriedade, do livre exercício da profissão e da segurança pública. Todas as garantias tem a mesma importância e relevância social e jurídica" (Processo n.º 1001597-90.2014.8.26.0100). Não tenham dúvidas de que 6 mil jovens não se reuniriam por acaso em um local destinado às compras por aqueles que têm dinheiro, e, sobretudo, por aqueles que não o têm, mas que parecem ter e pretendem manter a ilusão de um padrão de vida falacioso. Tão falacioso é pensar que esses jovens estão ali apenas para se divertirem, apenas para um "rolezinho", apenas para poderem participar de uma vida que eles não possuem acesso. A força motriz que move esses milhares de jovens é a oportunidade de poder chamar a atenção, fazer baderna, pois se quisessem reivindicar melhorias de vida não estariam aos montes na frente dos shopping centers, mas diante da Assembléia Legislativa exigindo seus direitos. Se quisessem alcançar melhores padrões de vida, estariam lotando as bibliotecas municipais e provando para si próprios e para todo o resto da sociedade que são capazes. É precipitado gritar que estão proibindo os jovens pobres de entrarem em shopping centers, beira o sensacionalismo. Eu, pobre que sou, sempre pude ir e vir, parar e ficar nos corredores, nas vitrines e nas lojas desses centros comerciais, e creio que você, que agora está lendo essas palavras, pobre que também é, pois se não o fosse estaria nesse momento numa montanha russa da Disney ou no gelo europeu esquiando com mais zelo que o campeão, também nunca fora barrado de entrar num shopping. O discurso de que estão proibindo a entrada de pobres nesses "templos da riqueza", é um discurso perverso que pretende criar uma celeuma e gerar um conflito de proporções prejudiciais para todos nós. Não é proibido entrar. O que acertadamente se proíbe é a aglomeração de milhares de jovens sem finalidade definida, em um local destinado a compras e não a manifestações, ante o risco iminente de desentendimentos. O exercício de um direito não pode obstar a aplicação dos demais direitos, do contrário estaríamos fadados a conviver em uma ditadura dos direitos fundamentais, na qual um direito do indivíduo se sobreporia aos interesses econômicos, políticos e sociais de toda a nação. É a minha opinião.

REPÓRTER INGLÊS E A REENCARNAÇÃO DO CARAMURU Um repórter inglês foi "gentilmente" convidado para vir ao Brasil relatar as benesses do país ao mundo, algo como conhecer e conviver com o povo primata do capitalismo selvagem tupiniquim, anfitriões da Copa do Mundo 2014. Por volta d…
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REPÓRTER INGLÊS E A REENCARNAÇÃO DO CARAMURU Um repórter inglês foi "gentilmente" convidado para vir ao Brasil relatar as benesses do país ao mundo, algo como conhecer e conviver com o povo primata do capitalismo selvagem tupiniquim, anfitriões da Copa do Mundo 2014. Por volta das duas horas da manhã, Ian Herbert e sua comitiva "iam" pela praia de Copacabana quando foram abordados por um grupo de brasileiros da tribo "ladrão vida loka", que avisou de prontidão a necessidade de possuir os seus pertences através da subtração, por sinal, atividade costumeira pelos nativos dessa tribo. Talvez ele tenha sido descuidado em sair uma hora dessas, afinal, duas horas da manhã não é o momento certo para estar nas ruas. Mas, que horas são? Enquanto começo esse parágrafo, o relógio no canto da tela marca exatamente 12h30m, será esse o momento adequado para sair às ruas? Quando descobrirem, e se voltarem da descoberta, me avisem... Agora já são 12h31m, ainda não sei o momento certo, mas ao invés de progredir de minuto em minuto no texto, preciso fazer um retorno arcaico aos longínquos anos de 1500, quando um certo Diogo Álvares naufragou em terras brasileiras, ou Terrae Brasilis. É que, ainda perturbado pelo naufrágio avistou logo um grupo de assustados e selvagens antropófagos, que cercaram-no por volta das 14 horas (creio eu) e, em dialeto próprio e gestos avisaram que necessitavam, não de seus pertences mas de suas partes para saciar a fome. Diogo teve sorte, descobriu logo um meio de enganar os nativos com a velha espingarda salva no naufrágio, apresentou a malandragem lusitana aos indígenas e se tornou o temido e respeitado "Caramuru - Filho do Trovão", enviado por Tupã para protegê-los. Começa então a INVENTAR o Brasil. Quem se interessar mais pela saga de Diogo Álvares, indico a leitura do livro "CARAMURU", de Frei José de Santa Rita Durão. Só quero antes contar que Diogo Álvares acaba casando-se com a índia Paraguaçu, que tem ares de adivinhar o futuro. Tudo bem! Para quem não leu, estraguei o final do livro, mas o fato é que a Paraguaçu jamais teria previsto que 514 anos depois, o inglês Ian Herbert estaria ainda na mesma condição que Diogo esteve no século XVI. No poema épico de Santa Rita Durão os primatas não conheciam o capitalismo selvagem, sequer sabiam que estavam rodeados por tanta riqueza material, andavam "pelados pelados nús com as mãos no bolso" e nem imaginavam que os bolsos foram feitos para guardar as riquezas, achavam que a coisa funcionava assim espalhada pelo ar. O que eles queriam do português náufrago, era a carne dele para se alimentar, mas, então, a arma de fogo encantou a todos. Os portugueses foram embora, as riquezas também, e o que ficou foi o legado de pobreza, de malícia, de esperteza sobre o outro, e, sobretudo, o desejo material a qualquer custo. Já o Ian Herbert, chegou em praia tupiniquim e encontrou uma tribo não tão inocente, que não deseja comer a carne humana, mas quer os seus pertences, por isso é capaz de matar com a arma de fogo que Diogo esqueceu. Já não há mais espaços para "Caramurus", pois eles, primatas, são os pretensos filhos do trovão. Ian foi esperto, porque não bancou o esperto. Se fosse o Diogo... Contudo, ainda há políticos espertos que querem bancar o Caramuru, que contratam repórteres para virem falar bem do país e passar uma boa imagem para o mundo lá fora, que tentam amansar os selvagens com pão e circo, com bola e grito. Mas o gol foi contra... E nessa onda de fantasias, a reencarnação do Caramuru quer REINVENTAR o país, não através da solução dos problemas, mas pela pintura de um Brasil para inglês ver. E essa frase continua fazendo sentido...

Quanto vale uma curtida no Facebook? A pergunta é desafiadora, de tal modo que vale a pena tecer algumas palavras sobre o tema, não com o fito de obter muitas curtidas, mas, na busca de tentar decifrar o significado e a valoração de uma "curtida". Verdade seja dita, a grande ma…
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Quanto vale uma curtida no Facebook? A pergunta é desafiadora, de tal modo que vale a pena tecer algumas palavras sobre o tema, não com o fito de obter muitas curtidas, mas, na busca de tentar decifrar o significado e a valoração de uma "curtida". Verdade seja dita, a grande maioria dos "facebookeiros", senão todos, buscam diuturnamente uma curtida em seu perfil, seja de um texto, de um post engraçado, de um prato de comida, de uma foto em frente ao espelho... Ah! As fotos em frente ao espelho... Narciso sente inveja quando lembra que se apaixonou por sua imagem refletida nas águas do Estige, e não teve um celular com câmera e um espelho cristal três milímetros para tirar fotinhos quinze vezes por dia, postar na rede e ter muitas curtidas por isso. Mas Narciso teve sorte, o Facebook o teria consumido muito antes que o reflexo das águas. Hoje, o reflexo das águas na rede revela que as curtidas representam uma espécie de afago emocional, algo como "você é foda", no entanto, ser foda no Facebook é como ser rico no Banco Imobiliário, e o leitor esperto já sacou o silogismo proposto. O pior de tudo é que há textos fantásticos na internet, fotos de acontecimentos históricos que jamais vimos por aquele prisma, fatos que transmudam a nossa forma de encarar o mundo, frases que embalam mesmo os que sofrem do "mal de Barrichello" (aquele que chega sempre atrasado), há até piadas engraçadas que nem o Ary Toledo nunca contou, e recebem em troca uma, duas, dez ou quinze curtidas. Daí vem clichês com erros de português (cento e cinquenta curtidas), indiretas para o mundo (cento e sessenta curtidas), pratos de comida (cento e sessenta e oito curtidas), fotos de melancia a cerveja (cento e setenta curtidas), e, claro, as fotinhos em frente ao espelho (quatrocentas e tantas curtidas). É, existem coisas que o bom senso não compra, ou melhor, não curte. Aí eu te pergunto, à moda " marcelo-rezendiana": se eu vejo uma futilidade, seja qual for, com erros crassos de português, com um vazio que ecoa pela tela do computador, e, ainda assim, eu curto, não estou compactuando com uma ideia vazia e ajudando a propagar uma sociedade estapafúrdia que valoriza o fútil e cava o seu próprio fim? Eu sei que você pode estar pensando que eu sou moralista, antiquado e xarope, mas o Facebook se revela pra mim como a Ágora que Sócrates não pisou, não como o lago que Narciso não viu. Por isso, se me perguntarem quanto vale uma curtida no Facebook, eu direi de pronto: vale aquilo que você vale.

Essa coisa de selfie aqui, selfie ali, tem tomado proporções preocupantes ultimamente. Já disse em outra oportunidade que Narciso sente inveja quando lembra que se apaixonou por sua imagem refletida nas águas do Estige, e não teve um celular com câmera e um espelho cristal três m…
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Essa coisa de selfie aqui, selfie ali, tem tomado proporções preocupantes ultimamente. Já disse em outra oportunidade que Narciso sente inveja quando lembra que se apaixonou por sua imagem refletida nas águas do Estige, e não teve um celular com câmera e um espelho cristal três milímetros para tirar fotinhos quinze vezes por dia, postar na rede e ter muitas curtidas por isso. Só que hoje, durante um sequestro com reféns na Austrália, várias pessoas na frente do Lindt Café posaram para uma "selfie adrenalina". É a moda. E agora ela vem acompanhada de um bastão. Algo como "selfie-varinha-de-condão-harry-potter" - estão quase todos enfeitiçados.

Entre lições – Parte I É de longa data o ditado “planta hoje, colhe algum dia”, que nas palavras polidas de Robert Louis Stevenson, poeta escocês do século XIX, implica não julgar cada dia pela colheita que você obtém, mas pelas sementes que você planta. "Planta hoje, colhe alg…
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Entre lições – Parte I É de longa data o ditado “planta hoje, colhe algum dia”, que nas palavras polidas de Robert Louis Stevenson, poeta escocês do século XIX, implica não julgar cada dia pela colheita que você obtém, mas pelas sementes que você planta. "Planta hoje, colhe algum dia" é imperativo que nos dá a certeza de que devemos plantar exatamente hoje, mas a colheita não sabemos qual dia virá, de modo que falacioso é o pensar que se colhe sem plantar. Tudo isso é lição que aprendemos somente com a própria vida, e não vai adiantar muito explicar para quem não quer escutar, pois só a vida pode dizer e mostrar aquilo que os ouvidos não são capazes de ouvir e os olhos não querem enxergar. Lição de vida cabe a cada um apreender ou não, a prova somos nós quem fazemos. Assim, a colheita só pode ser feita se um dia se plantou a semente. E semente só arvora se chover na medida certa. Como a vida: só crescemos quando lutamos e cuidamos para sermos melhores que nós mesmos; seguindo em frente, ainda que algumas lágrimas caiam vez em quando...

Eu e minha mochila Ontem, enquanto eu saía do colégio, parei diante de uma lixeira na esquina e decidi fazer uma limpeza rápida em minha mochila. Só então me dei conta do quão importante ela é para mim e do quão eu fui descuidado com ela durante todos esses anos. Por isso decid…
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Eu e minha mochila Ontem, enquanto eu saía do colégio, parei diante de uma lixeira na esquina e decidi fazer uma limpeza rápida em minha mochila. Só então me dei conta do quão importante ela é para mim e do quão eu fui descuidado com ela durante todos esses anos. Por isso decidi escrever algo, afinal não é sempre que vemos as pessoas reconhecendo o valor de quem está conosco todos os dias. Somos tão apegados aos nossos planos e aos nossos compromissos, à nossa correria do dia a dia e à nossa gana por chegar lá, que nos esquecemos que para chegarmos temos que ter bagagem, e essa bagagem pode estar um pouco dentro de uma mochila. A verdade é que foram tantos anos juntos desde o vestibular na primeira faculdade, tantos e diversos livros que ela carregou, algumas poucas peças de roupas nas viagens que fiz, a pé, de carro, de ônibus, de carroça e até de avião, que muitas vezes não sei ao certo se sou eu que a carrego ou se é ela que me leva. E se é ela que me leva, que carrega parte dos meus sonhos e enaltece a minha sombra quando olho para trás, que deita ao lado da minha cama ou jogada em algum canto do quarto, que esteve comigo nos dias de alegria e nos dias de tristeza, que venceu comigo a Faculdade de Letras, que esteve comigo nos tempos em que trabalhei como vidraceiro (Chaplin, que também cumpriu esse ofício, sentiria pena em não tê-la como eu a tenho), que carregou meu primeiro Vade Mecum na Faculdade de Direito, e que hoje (dia 25/11/2014) protegeu da chuva a minha monografia, quero poder dizer que ontem, naquela esquina de Santa Cruz, depois de um dia de aulas no colégio, com todas as desventuras da vida, eu reconheci verdadeiramente o valor das coisas pequenas em si, mas grandes nos significados. Mochilas não são só mochilas, depende de nós...

O advogado tem o condão de proteger os desesperados. É interessante pensar que todos somos passíveis de erros e, porque somos imperfeitos, temos direito à defesa. O advogado assume, pois, quase o papel de um salvador; a pessoa entra em seu escritório, imersa em suas desventuras,…
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O advogado tem o condão de proteger os desesperados. É interessante pensar que todos somos passíveis de erros e, porque somos imperfeitos, temos direito à defesa. O advogado assume, pois, quase o papel de um salvador; a pessoa entra em seu escritório, imersa em suas desventuras, na escuridão de suas crises, e o bom advogado com o seu conhecimento jurídico acalanta o desafortunado mostrando um novo caminho, uma saída. É como se o seu saber jurídico fosse uma lanterna aos afogados. Quando essa pessoa sai dali, cheia de luz e esperança, talvez o seu problema nem tenha se resolvido, mas ela vai esperançosa por um porvir melhor, e se enche de força para encarar os seus problemas, pois sabe com quem contar.

No conto "O alienista", de Machado de Assis, um médico que achava que todo mundo era louco, no final descobre que dos loucos somente ele o era. Isso me faz pensar nos que têm visão romântica e apaixonada sobre a Política, visão que tira o cidadão da razoabilidade do pensar, como…
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No conto "O alienista", de Machado de Assis, um médico que achava que todo mundo era louco, no final descobre que dos loucos somente ele o era. Isso me faz pensar nos que têm visão romântica e apaixonada sobre a Política, visão que tira o cidadão da razoabilidade do pensar, como aqueles que parecem amar o Partido, a tal ponto de não ter a responsabilidade de ter olhos quando todos os perderam. Mesmo Saramago parece tê-los perdido, tal como o médico de Machado de Assis.

Ainda que você erre, faça o bem durante a vida. Arranje uma maneira de tornar-se inesquecível, pois, assim, quando a morte vier, será como a raiz para cada semente que você semeou. Cultive a vida, não permita que o fim enterre também a sua história, busque motivos para ser planta…
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Ainda que você erre, faça o bem durante a vida. Arranje uma maneira de tornar-se inesquecível, pois, assim, quando a morte vier, será como a raiz para cada semente que você semeou. Cultive a vida, não permita que o fim enterre também a sua história, busque motivos para ser plantado.

"Ando devagar Porque já tive pressa E levo esse sorriso
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"Ando devagar Porque já tive pressa E levo esse sorriso Porque já chorei demais" A todos que irão fazer o Exame de Ordem neste domingo, e a mim também (que preciso sempre me cuidar para que meus passos não sejam nunca depressa o bastante para serem desordenados), tenhamos em mente que não importa o resultado no final do dia, mas sim aquele resultado que já alcançamos nesses quase cinco anos de caminhada jurídica e, sobretudo, pelos próximos anos e décadas que temos a trilhar pelo Direito. Levemos o sorriso para a prova, e para depois dela também, porque a caminhada é longa e "há muitos que esperam que cheguemos para que possam seguir-nos". "Hoje me sinto mais forte Mais feliz, quem sabe Só levo a certeza De que muito pouco sei Ou nada sei" Não sabemos tudo, jamais saberemos. Isso significa dizer que não somos obrigados a sermos aprovados em uma simples prova, porque na prova da vida já estamos disputando a melhor colocação em relação a nós mesmos. E para aqueles que acham que sabem tudo, eles nada sabem sobre vida, conhecimento, humildade, sabedoria e virtude. Decorar leis não engloba todas essas outras qualidades que somente o tempo pode nos proporcionar. "Penso que cumprir a vida Seja simplesmente Compreender a marcha E ir tocando em frente Como um velho boiadeiro Levando a boiada Eu vou tocando os dias Pela longa estrada, eu vou Estrada eu sou" Compreendamos a marcha e sejamos críticos para perceber que o Exame da OAB não mede da melhor forma a nossa capacidade, de modo que há milhares de aprovados que se agarram apenas à sua memória fotográfica, decoradores de leis, mas memória fotográfica não tem som, não fala, não organiza as ideias. Ir tocando em frente implica na nossa responsabilidade de termos olhos para ver que a estrada é longa, e não se resume a uma prova, apenas. Há muita gente que irão precisar dos nossos serviços, há muitas vidas que dependerão de nós, por isso sejamos interpretes da lei, hermeneutas, e não meros leitores de códigos. Afinal, nós somos a estrada por onde passará a Justiça, bem assim as injustiças e agruras do mundo, a depender da nossa capacidade como JURISTAS. Que venha a 1ª fase da OAB, mas, sobretudo, que venha o destino que planejamos no universo do Direito. A vida segue, independentemente do resultado de hoje. Ao infinito e além...

Da matemática só me lembro do velho jargão: "a ordem dos fatores não altera o produto". Lembro pouco porque enveredei meu caminho para longe dos números e dos cálculos, pois não gosto da exatidão das coisas, mas da discussão proporcionada por pontos de vista distintos. E, por inc…
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Da matemática só me lembro do velho jargão: "a ordem dos fatores não altera o produto". Lembro pouco porque enveredei meu caminho para longe dos números e dos cálculos, pois não gosto da exatidão das coisas, mas da discussão proporcionada por pontos de vista distintos. E, por incrível que pareça, pouco gosto das regras gramaticais, apesar de ser graduado na área e tentar obedecê-las, mas elas não exigem argumentações; afinal, o "m" vem antes do "p" e do "b" porque assim se quis, e somente por isso, só para citar um exemplo. Gosto do Direito, da Literatura e da Filosofia porque chego perto daquilo que sempre prezei enquanto estudante: o debate e a circulação de ideias. De sorte que, mesmo incauto na matemática, chego a pensar que a regra da ordem dos fatores que não altera o produto se faz totalmente presente no processo civil, uma vez que não importa como se deu o ato processual, desde que alcançado o seu fim devemos tê-lo como válido e existente. Na seara da Literatura, penso que a ordem dos fatores altera sim o produto, pois basta ler as Memórias Póstumas de Brás Cubas para notar que uma vida narrada a partir da morte altera totalmente o ponto de vista do narrador-personagem sobre os seus atos em vida, a morte torna-o mais sensato, ou, pelo menos, deveria torná-lo, visto que defunto-autor e sem compromisso algum com a sociedade. Já no campo da Filosofia, prefiro crer que se a ordem dos fatores não altera o produto, a soma deles o acresce. Por isso, na vida devemos procurar pessoas que somam, e não que nos subtraiam de nós mesmos. Talvez tudo isso seja apenas parafernalha para o apaixonado por números e cálculos maçantes, mas são ideias que de repente brotam e pedem por palavras, sem esperar por algum resultado...

Eu tive um sonho... Essa noite eu tive um sonho que me deixou encucado. Sonhei que eu estava entre os cegos de Saramago, mas na ala da história que não foi narrada no "Ensaio sobre a cegueira". Lá não havia nem o médico e nem a sua esposa. Era uma turma diferente, todos portugues…
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Eu tive um sonho... Essa noite eu tive um sonho que me deixou encucado. Sonhei que eu estava entre os cegos de Saramago, mas na ala da história que não foi narrada no "Ensaio sobre a cegueira". Lá não havia nem o médico e nem a sua esposa. Era uma turma diferente, todos portugueses. Percebi isso pelo sotaque. Um Camões no canto falava sobre mares e restelo, outras corolas criticavam o Eça e o crime do padre Amaro. O Eça falava dos maias. Umas jovens, bonitas até, falavam de Cristiano Ronaldo enquanto ele se olhava no espelho, e não via nada além da cegueira branca. Outras pessoas falavam de Pessoa. Enfim, todos falavam muito, mas só eu não era cego. Então comentei com o Camilo a minha condição. Ele não acreditou. Distanciou-se um pouco e me pediu para ler a capa do seu livro que estava em sua mão. Não consegui decifrar o que estava escrito. Xingaram, me chamaram de mentiroso, sem coração e maldoso, e vieram atrás de mim como zumbis. Nessa hora eu acordei. Ufa. Mas hoje eu durmo de óculos e volto lá para provar que sou míope, e não cego.

Antes de dormir, pensei bastante nisso. Se juiz for realmente Deus, e parece mesmo que é, isso pode ser bom pra nós. Isso porque, o art. 6º do Estatuto da OAB diz que não há hierarquia entre advogados, membros do ministério público e magistratura. Logo, se um for Deus, todos serã…
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Antes de dormir, pensei bastante nisso. Se juiz for realmente Deus, e parece mesmo que é, isso pode ser bom pra nós. Isso porque, o art. 6º do Estatuto da OAB diz que não há hierarquia entre advogados, membros do ministério público e magistratura. Logo, se um for Deus, todos serão. Politeísmo? Sim. Mas tudo bem. E se somos estudantes de Direito, pretensos juristas, por óbvio que deuses não somos (posto que não está na Lei), mas estamos quase ali. Somos, portanto, quase semideuses. Tipo Aquiles que Prometeus e não Cumpreu-se. O problema disso tudo é convencer os ateuses...

Um brasileiro será legalmente executado hoje na Indonésia por tráfico de drogas. Antes que me refutem, não defendo bandidos, não quero adotá-los, não tenho a pretensão de torná-los impunes, apenas gosto de defender a lei e todas as suas nuances interpretativas. Assim, se a legisl…
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Um brasileiro será legalmente executado hoje na Indonésia por tráfico de drogas. Antes que me refutem, não defendo bandidos, não quero adotá-los, não tenho a pretensão de torná-los impunes, apenas gosto de defender a lei e todas as suas nuances interpretativas. Assim, se a legislação daquele País prevê a pena capital, e se não houve absolvição, então que se cumpra (infelizmente) a lei. Digo "infelizmente", porque não acredito na falácia do pensar que a pena de morte seja o remédio certo para aquilo que é errado. Afinal, em uma sociedade doente, e a Indonésia não me parece ser menos moribunda que o Brasil, pior que a pena morte só a pena de vida.

É uma forma demasiado pequena crer que somente aqueles que leem palavras podem ser chamados de leitor. Não. De forma alguma. Somos todos leitores. Há aqueles que nunca leram um livro sequer, mas conseguem ter uma leitura corporal para além da "capa" que cada pessoa veste; já outr…
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É uma forma demasiado pequena crer que somente aqueles que leem palavras podem ser chamados de leitor. Não. De forma alguma. Somos todos leitores. Há aqueles que nunca leram um livro sequer, mas conseguem ter uma leitura corporal para além da "capa" que cada pessoa veste; já outros, acredite ou não, são magos na leitura da palma de uma mão e da sorte. Há aqueles mais experientes e mestres da vida que fazem a melhor e mais difícil leitura nesse universo: são capazes de ler os olhos do outro e sentir as dores e emoções que nem mesmo o melhor dos autores conseguiriam descrever em signos. Curiosos que fazem leitura labial a metros de distância. E há, por fim, aqueles que conseguem ler a si próprios, pois leem-se diuturnamente sobre os erros mais intrínsecos e os pensamentos mais insanos que habita somente o "eu". A leitura, em quaisquer de suas formas, é sempre um presente. Dia 07 de janeiro - dia do leitor.

Bons livros são como os bons amigos. Ainda que um dia nos cansemos deles e conheçamos outras histórias, eles estarão sempre lá guardados na estante de casa, à nossa espera; prontos para nos contar as mesmas histórias de outrora, mas de um jeito diferente. É que livros, assim como…
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Bons livros são como os bons amigos. Ainda que um dia nos cansemos deles e conheçamos outras histórias, eles estarão sempre lá guardados na estante de casa, à nossa espera; prontos para nos contar as mesmas histórias de outrora, mas de um jeito diferente. É que livros, assim como os amigos, ficam melhores com o passar do tempo...

Os ponteiros do relógio Muito já se falou sobre o tempo, mas quase nada se disse sobre os ponteiros do relógio. Cazuza, Drummond, Shakespeare, Nietzsche, Fernando Pessoa, talvez Sócrates e outros tantos se debruçaram sobre o tempo e colocaram no papel aquilo que de repente broto…
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Os ponteiros do relógio Muito já se falou sobre o tempo, mas quase nada se disse sobre os ponteiros do relógio. Cazuza, Drummond, Shakespeare, Nietzsche, Fernando Pessoa, talvez Sócrates e outros tantos se debruçaram sobre o tempo e colocaram no papel aquilo que de repente brotou em suas imaginações, como se estivessem ali debaixo da cama só esperando que se deitassem para fazê-los levantar e brincar com as palavras. E os ponteiros? Você já reparou nos ponteiros do relógio? E não venha me dizer que é de somenos para ser observado, Mário Quintana falou de algo muito menos importante e foi louvado pela crítica, basta ler "Pausa" e ver que os óculos sobre a mesa são bem menos relevantes que esses dignos operários do tempo, que não param um segundo sequer para fazer a máquina do mundo girar. A má notícia é que, se você não foi capaz de reparar nos ponteiros, os quais estão a lhe consumir dia após dia, pense no tanto de pequenas minúcias que perdeu ao longo de todo este tempo (impossível fugir do tempo). E porque é impossível fugir do tempo, passemos então a observar tudo que se pode ver, sentir ou tocar. Já parou pra pensar que os ponteiros do relógio formam uma família com três membros, provavelmente pai, mãe e filho? E que eles se abraçam mais vezes por dia do que muitos que se acham donos do tempo? Mas o ônus dos ponteiros é serem partes essenciais do tempo, e girarem em torno do círculo repetidas vezes no mesmo lugar. Pessoas serenas, pensantes e pontuais, nunca atrasam. Devem se comunicar entre si através do carolinês, enquanto o filho usa o peculiar dialeto tique-taquês. Quantos de nós não estamos sendo partes essenciais do tempo, mas parados no mesmo lugar? Como disse Arnaldo Jabor: "Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais". P.S.: A moça da meteorologia também fala todos os dias do tempo. Não podia me esquecer dela...

O meu dia deveria ter 48 horas, nem que pra isso vivesse metade dos anos que viverei. Assim, eu teria tempo para ler mais, escrever mais, viver mais. Sairia mais.Quem sabe até faria aquela faculdade de Filosofia ou aquele curso de inglês, e teria horas e horas para poder pensar s…
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O meu dia deveria ter 48 horas, nem que pra isso vivesse metade dos anos que viverei. Assim, eu teria tempo para ler mais, escrever mais, viver mais. Sairia mais.Quem sabe até faria aquela faculdade de Filosofia ou aquele curso de inglês, e teria horas e horas para poder pensar sobre a vida e o tempo, e também sobre o nada. Aos finais de semana, os familiares me veriam fora do quarto, distante dos papéis, canetas, computador e livros. Achariam estranho e mediriam a minha temperatura, mas ficariam felizes com a minha efetiva presença na casa. Me sobraria tempo para ficar cuidando da churrasqueira no almoço de domingo, enquanto absolutamente nada passasse em minha cabeça. E quando o relógio marcasse as 48 horas, meu espírito se renovaria e o meu sono seria convertido em força para iniciar a primeira hora do dia. O infinito e o além estariam muito mais próximos...

Há um tempo em que você precisa ser criança, noutros precisa ser grande, corajoso, amadurecer para voltar a ser criança. É um ciclo que nem mesmo a morte encerra, porque aquilo que você faz, ficará para sempre gravado no outro, em algum canto, em algum sorriso esparso na correria…
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Há um tempo em que você precisa ser criança, noutros precisa ser grande, corajoso, amadurecer para voltar a ser criança. É um ciclo que nem mesmo a morte encerra, porque aquilo que você faz, ficará para sempre gravado no outro, em algum canto, em algum sorriso esparso na correria do dia a dia. A vida é, assim, feita de primeiras fases, como se a cada manhã começasse a prova do dia e no final da noite saísse o resultado... o resultado da primeira fase, que não se publica em diário oficial, mas se divulga em silêncio na consciência. E no outro dia, mais uma vez a primeira fase. E depois, e depois, e depois, tornando-o mais forte para a primeira fase seguinte. E quando a última primeira fase chegar, faça por onde merecer passar o resto dos tempos dormindo em uma covinha escondida no sorriso tímido de alguém.

Bem que poderia haver o princípio jurídico da fungibilidade na Língua Portuguesa, sobretudo em relação àquelas palavras homônimas, ou seja, termos que possuem pronúncia idêntica (em alguns casos, a mesma grafia), mas significados totalmente diferentes (ex.: caçar/cassar, cervo/se…
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Bem que poderia haver o princípio jurídico da fungibilidade na Língua Portuguesa, sobretudo em relação àquelas palavras homônimas, ou seja, termos que possuem pronúncia idêntica (em alguns casos, a mesma grafia), mas significados totalmente diferentes (ex.: caçar/cassar, cervo/servo, cito/sito, tachar/taxar, ora/hora). É que no Direito, com especial destaque ao artigo 273, § 7º, do CPC/73, agora com previsão no parágrafo único do artigo 305, do Novo CPC, caso o autor pleiteie tutela antecipada quando o correto seria tutela cautelar, o Juiz poderá deferir o pedido que fora elaborado de forma equivocada, dada a sua semelhança. O mesmo ocorre em relação às Ações Diretas de Inconstitucionalidade e Ações de Descumprimento de Preceito Fundamental, a serem julgadas diretamente no STF, de modo que o acesso à Justiça não será obstruído pelo mero, corriqueiro e debatido erro de forma. Eis o princípio da fungibilidade, facilitador da vida jurídica e que poderia facilitar a Língua Portuguesa. Afinal, em sede ortográfico-gramatical-lexical ninguém consegue ser 100% experto, mas apenas esperto no concerto de palavras e ideias.