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Frase de Hugo Pires

REPÓRTER INGLÊS E A REENCARNAÇÃO DO CARAMURU Um repórter inglês foi "gentilmente" convidado para vir ao Brasil relatar as benesses do país ao mundo, algo como conhecer e conviver com o povo primata do capitalismo selvagem tupiniquim, anfitriões da Copa do Mundo 2014. Por volta das duas horas da manhã, Ian Herbert e sua comitiva "iam" pela praia de Copacabana quando foram abordados por um grupo de brasileiros da tribo "ladrão vida loka", que avisou de prontidão a necessidade de possuir os seus pertences através da subtração, por sinal, atividade costumeira pelos nativos dessa tribo. Talvez ele tenha sido descuidado em sair uma hora dessas, afinal, duas horas da manhã não é o momento certo para estar nas ruas. Mas, que horas são? Enquanto começo esse parágrafo, o relógio no canto da tela marca exatamente 12h30m, será esse o momento adequado para sair às ruas? Quando descobrirem, e se voltarem da descoberta, me avisem... Agora já são 12h31m, ainda não sei o momento certo, mas ao invés de progredir de minuto em minuto no texto, preciso fazer um retorno arcaico aos longínquos anos de 1500, quando um certo Diogo Álvares naufragou em terras brasileiras, ou Terrae Brasilis. É que, ainda perturbado pelo naufrágio avistou logo um grupo de assustados e selvagens antropófagos, que cercaram-no por volta das 14 horas (creio eu) e, em dialeto próprio e gestos avisaram que necessitavam, não de seus pertences mas de suas partes para saciar a fome. Diogo teve sorte, descobriu logo um meio de enganar os nativos com a velha espingarda salva no naufrágio, apresentou a malandragem lusitana aos indígenas e se tornou o temido e respeitado "Caramuru - Filho do Trovão", enviado por Tupã para protegê-los. Começa então a INVENTAR o Brasil. Quem se interessar mais pela saga de Diogo Álvares, indico a leitura do livro "CARAMURU", de Frei José de Santa Rita Durão. Só quero antes contar que Diogo Álvares acaba casando-se com a índia Paraguaçu, que tem ares de adivinhar o futuro. Tudo bem! Para quem não leu, estraguei o final do livro, mas o fato é que a Paraguaçu jamais teria previsto que 514 anos depois, o inglês Ian Herbert estaria ainda na mesma condição que Diogo esteve no século XVI. No poema épico de Santa Rita Durão os primatas não conheciam o capitalismo selvagem, sequer sabiam que estavam rodeados por tanta riqueza material, andavam "pelados pelados nús com as mãos no bolso" e nem imaginavam que os bolsos foram feitos para guardar as riquezas, achavam que a coisa funcionava assim espalhada pelo ar. O que eles queriam do português náufrago, era a carne dele para se alimentar, mas, então, a arma de fogo encantou a todos. Os portugueses foram embora, as riquezas também, e o que ficou foi o legado de pobreza, de malícia, de esperteza sobre o outro, e, sobretudo, o desejo material a qualquer custo. Já o Ian Herbert, chegou em praia tupiniquim e encontrou uma tribo não tão inocente, que não deseja comer a carne humana, mas quer os seus pertences, por isso é capaz de matar com a arma de fogo que Diogo esqueceu. Já não há mais espaços para "Caramurus", pois eles, primatas, são os pretensos filhos do trovão. Ian foi esperto, porque não bancou o esperto. Se fosse o Diogo... Contudo, ainda há políticos espertos que querem bancar o Caramuru, que contratam repórteres para virem falar bem do país e passar uma boa imagem para o mundo lá fora, que tentam amansar os selvagens com pão e circo, com bola e grito. Mas o gol foi contra... E nessa onda de fantasias, a reencarnação do Caramuru quer REINVENTAR o país, não através da solução dos problemas, mas pela pintura de um Brasil para inglês ver. E essa frase continua fazendo sentido...

Hugo Pires

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Hugo Pires

Escrever é algo fantástico, do nada você sente uma vontade mágica de criar um mundo, então suas mãos falam mais rápido que sua boca, seus olhos são engolidos pelas palavras, e, de repente, está pronto. É como se estivesse predestinado a ser você o autor daquilo...
A pior das fantasias é aquela que se veste por dentro, aquela que ninguém vê, só você. Aquela fantasia de que as coisas estão como deveriam estar, ou, pior, estão melhor do que poderiam estar, enquanto na vida real, aquela que assombra antes de dormir, tudo é um caos: vai mal nos…
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A pior das fantasias é aquela que se veste por dentro, aquela que ninguém vê, só você. Aquela fantasia de que as coisas estão como deveriam estar, ou, pior, estão melhor do que poderiam estar, enquanto na vida real, aquela que assombra antes de dormir, tudo é um caos: vai mal nos estudos, vai mal na família, vai mal na carreira, vai mal a Marte, vai mal, vai mal, vai mal (dá até uma "mau" marchinha). Não é a toa que a grande sacada do Carnaval seja a fantasia

.. MÃOS PARA TRÁS.. Pode ser que o título acima tenha ficado um tanto quanto sem sentido, e as reticências indiquem que haja algo escondido entre as palavras expostas (.. "mãos para cima.. "). Mas foi proposital a escolha e a forma do título, assim como foi proposital as reticên…
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.. MÃOS PARA TRÁS.. Pode ser que o título acima tenha ficado um tanto quanto sem sentido, e as reticências indiquem que haja algo escondido entre as palavras expostas (.. "mãos para cima.. "). Mas foi proposital a escolha e a forma do título, assim como foi proposital as reticências com apenas dois pontos, e não três, como formalmente pregado pela Gramática. O leitor pode até discordar desse meu pensamento, mas é que o terceiro ponto se apresenta como a 'vela' do relacionamento, e suspeito que seja, justamente, o ponto do meio.. E nessa toada de suspeitas, apresento as palavras que antecedem e ocupam o lugar dos dois pontos supracitados: "Jovem algemado com MÃOS PARA ATRÁS deu tiro na própria cabeça, diz PM". Essa é a notícia de hoje no Estadão, sobre um fato ocorrido em 14 de setembro de 2013, no interior de São Paulo, que até o presente momento não teve seu deslinde na Justiça. Note que, talvez a minha imaginação não tenha sido tão fértil ao tentar propagar as reticências sem o ponto do meio (o suposto "vela"), e então respeito o posicionamento do leitor discordante, mas um jovem algemado com as mãos trás, dentro de uma viatura, e, ainda assim, conseguir sacar um revólver e atirar em sua própria cabeça de cima para baixo, é um acontecimento mais insólito e desconexo que o fruto da minha imaginação sem criatividade. É só a gente pensar hipoteticamente: o ponto do meio é expulso das reticências, então um policial, após uma revista, prende-o e o coloca, desarmado, dentro de uma viatura, algemado, com as mãos para trás. O ponto do meio, ou o "vela", saca de um revólver que até então não portava, levanta os punhos algemados para trás e atira em sua própria cabeça, pondo um ponto final em sua história.. Antes que digam que estou aqui a defender bandidos, ou, supostos bandidos, não, eu não estou aqui a fazer isso. Só não é de admitir que a sentença criminal seja dada fora do âmbito do Poder Judiciário, em um processo que se encerra de forma célere e unilateral dentro das viaturas, nos calabouços escondidos nas ruas escuras da cidade. Seria o mesmo que admitir que as minhas reticências são a forma correta na Língua Portuguesa, esquecendo-se de todo o legado que construímos no decorrer dos anos. Fora tudo isso, é importante que os fatos se elucidem, afinal, a pegar pelo título desse texto, não faz sentido jogar as palavras ou os acontecimentos sem um liame, sem uma coerência lógica que justifique a sua ocorrência. E sem a pretensão de querer estar correto, prefiro seguir o lema do jagunço Riobaldo em Grande Sertão Veredas: "Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa."

TODA FORMA DE PODER Nos longínquos anos de 1986, por sinal, ano do meu recente nascimento, os Engenheiros do Hawaii compuseram uma música cujo título tomei emprestado para encabeçar esse texto que por ora escrevo: "Toda forma de poder". 28 anos depois, um verso da música me vem…
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TODA FORMA DE PODER Nos longínquos anos de 1986, por sinal, ano do meu recente nascimento, os Engenheiros do Hawaii compuseram uma música cujo título tomei emprestado para encabeçar esse texto que por ora escrevo: "Toda forma de poder". 28 anos depois, um verso da música me vem à cabeça e me assola numa indignação lamentável, hoje o anúncio de uma morte encefálica ceifou também todos os cérebros pensantes desse país: o cinegrafista, em seu ofício diuturno, atingido por um rojão durante uma manifestação, veio a óbito. E são tantos atentados contra a democracia, que não demora muito e acharemos tudo isso normal, quando não é. E a música grita nas caixas ruins de meu som: "E eu começo a achar normal que algum boçal atire bombas na embaixada". E a embaixada dessa vez não foi um prédio suntuoso, mas um trabalhador que encarava as dificuldades do seu trabalho com a garra e a vontade de milhões de brasileiros no cumprimento do seu labor. Mas regressando novamente para a década de 80, em 1988 uns homens engravatados disseram ao povo brasileiro: "Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL." E a caixa de som, um pouco furada já pelos estampidos, pula sobre a minha mesa enquanto Gessinger quase aos berros diz a todos em casa: "Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada". Ora, harmonia social e comprometida com a solução pacífica das controvérsias. Em que país? Pois não é pra esse rumo que estamos seguindo. Aí eu me lembro de coisas que não me deixam em paz: direita, esquerda, rolezinhos, valorização do fútil, BBB, Copa do Mundo, roubalheira, Mensalão, Privataria tucana, Amarildo, Porto em Cuba e muito mais. E então, os Engenheiros do Hawaii (que não são "importados", tampouco engenheiros; assim como os médicos cubanos que não são médicos, mas são "importados") me ensinam algo que eu não quero seguir: "é tão fácil ir adiante e se esquecer que a coisa toda tá errada"... "Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada, Toda forma de conduta se transforma numa luta armada" A democracia está perdendo.