Quando eu vi aquela mensagem
eu sorri.
Aprendi a esperar.
Não morri.
Aprendi a esperar.
Você não tem ideia
do quanto eu sorri.
Eu aprendi a te tornar imortal.
Mas para meu mal
criei expectativas.
E isso mata.
A decepção seria só minha.
Pois fui eu culpado
de criar mais essa história
depois de tantos finais sem fim.
A impossibilidade
da improbabilidade.
É você.
Tudo fica impossível
quando você
me parte em vários cacos.
É impossível ser ativo
quando você se afasta.
E faz com que eu corra
contra mim,
contra o muro que você me projeta.
Sou bem mais alto que esses prédios.
E ainda sim, me sinto insuficiente em tudo.
Sempre abaixo do nível do mar.
Me torno frequente em teus traços.
Te transformo em vinho do porto e bagaços.
É improvável sua chegada, quem dirá saída.
É inigualável sua alma com a minha.
Você,
uma santa.
Eu,
a impossibilidade de te trazer pro meu mundo.
Você se afasta,
de longe oblíquo.
Você se afasta,
em poucos dias some.
Em poucos minutos me temo,
acho que tenho medo.
Fiz mantras pra me confortar.
Fiz preces pra serem ouvidas.
Indaguei e roguei cordéis.
Você se afasta.
Como bem fez, como bem quis.
Como mal me quer.
Como bem me quer.
Como não sei mais o que quero.
Já cansei de contar quantos perdi.
Por força do azar. Seja da jaula que eu sai, me tornei carrancudo.
Arranhei o chão. Nunca colhi tais frutos.
Recíproco e precipício
andam juntos e são amigos.
Eu moro no inevitável.
Por vezes, sou desagradável.
Mas não deixo de falar o que penso,
não me engasgo.
Imprevisível. Sem traços.
Sou um camelo,
marcado pelo tempo árido
e pelo sol em meus ombros largos.
E todo mundo vai embora
pelo mesmo motivo que nunca me contaram.
Simplesmente vão embora
e deixam o relógio marcando todo o tempo a hora.
Hora de se afastar,
hora de ir embora.
Hora de despertar o que adormece.
Hora de se atrasar pra escola.
- Sobre aqueles relógios de pulso -
O tempo cicatriza,
mas não faz esquecer.
O tempo passa,
mas não faz voltar.
O tempo é um maldito,
é um anjo salvador.
Quando ele te mata; te salva.
Um estômago no soco.
A felicidade é um momento.
E o problema das pessoas
é tentar eternizar esse segundo.
Esperando que seja eterno, mas não enquanto dure,
mas enquanto seja lúcido.
A felicidade dura um fragmento estúpido em uma pauta,
e as lembranças ficam cobrando algo que já passou.
Não marque a felicidade como uma ferida na pele.
Pois, sempre haverá um machucado novo pra te lembrar
que você nunca vai ficar bem.
Hoje fumei cigarros enquanto olhava a noite.
E caixas de fósforo eram acesas
na eternidade de suas lembranças.
As cinzas ficaram ao chão,
até a chuva lavar seus olhos de farol calmo.
Jogam minhas cinzas no mar.
Não dá tempo nem de acenar.
Não volto nunca mais. Digo sim, digo não.
Entro em extinção. Sem nada nas mãos, com peso nas costas.
Sempre vou lembrar de você enquanto eu respirar.
Espero meu transtorno submergir
como um oceano nervoso em meus punhos.
Pego a caneta e me enfio em absurdos.
É tão desinteressante ser além do esperado,
mas essa magia não me deixa esvair.
Então o farol vem até mim; e eu digo adeus.
O som da tua voz a pólvoras de distância.
Me guarde no seu bolso como um doce
que comeria depois.
Faça mantras com meu exímio e me reze antes de dormir.
Tudo o que eu fiz pra você era o que eu sentia.
E teu cheiro não irá me confundir novamente pra essa armadilha.
A moça de Curitiba se curva perante a noite,
que não cala, que não fala nada.
Brilha debaixo das estrelas,
sopra soberana entrelinhas.
Sinto você voltar
como um trem chegando em casa.
Me molha o sereno tardio,
gela meus ombros de pedra.
Vampiros saem pra ver a lua,
e eu não me importo mais.
De todas as agonias possíveis,
posso afirmar que:
a felicidade é completamente individual.
Por que quando a face olha as horas,
é o tempo que está aceitando o indivíduo;
já que nele não cabe mais nenhum minuto que sobra.
E tudo que resta, são os segundos que me deteriora.
Em meu relógio no punho que não sabe mais ver as horas.
Mas você irá me encontrar em todas as malditas cartas
que escrevi sob uma demanda de álcool exagerada,
e subvertido em uma paixão,
que mais tarde virou ódio e conturbação.
Datilografadas algo que eu nunca tive,
algo que você
nunca deixou acontecer.
O passado é meu local de encontro, onde há dois amantes em um solo sem dono.
Não há fronteiras para o meu pudor.
Sou um navegante encontrando teu porto; pra me alocar, entrar no cais e me derramar o transbordo que carrego,
que é bem maior que todo o mar.
Sou estrangeiro em seus traços.
Porém, fui extraditado pelos inúmeros pecados.
Me levaram pra casa à força.
Nunca mais pertenci ao seu abraço,
que foi embora de vento em popa.
Que trinfa e range os dentes, faminta, me olhando a par das mandíbulas ferozes, que me atroz um grito soberbo, e perante um grito, gemido, que me tenha calado. Junto ao pé do holofote cenográfico, sou um ator.
E hoje choro lágrimas de confete, assim como a maquiagem no riso do palhaço, assim como a graxa que faz lustrar e rodopiar os asfaltos.