Dorme o tormento O eterno dorme suspenso Sobre as idéias e inventos
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Dorme o tormento O eterno dorme suspenso Sobre as idéias e inventos Só eu não durmo...
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Dorme o tormento O eterno dorme suspenso Sobre as idéias e inventos
Dorme o tormento O eterno dorme suspenso Sobre as idéias e inventos Só eu não durmo...
Quero ser lida em profundidade e não como distração, porque não leio os outros para me distrair mas para compreender, para me comunicar. Não quero ser distraída. Penso que é a última coisa que se devia pedir a um escritor: novelinhas para ler no bonde, no carro, no avião. Parece…
Quero ser lida em profundidade e não como distração, porque não leio os outros para me distrair mas para compreender, para me comunicar. Não quero ser distraída. Penso que é a última coisa que se devia pedir a um escritor: novelinhas para ler no bonde, no carro, no avião. Parece que as pessoas querem livrar-se assim de si mesmas, que têm medo da ideia, da extensão metafísica de um texto, da pergunta, enfim
A poesia é o desafio do não-dizer, a impossibilidade de dizer algo. A matemática tem semelhança com esse estado de ser. Em ambas há manifestação do divino, algo tão perfeito que transcende tudo.
Volto como quem soma a vida inteira A todos os outonos. Volto novíssima, incoerente Cógnita
Volto como quem soma a vida inteira A todos os outonos. Volto novíssima, incoerente Cógnita Como quem vê e escuta o cerne da semente E da altura de dentro já lhe sabe o nome. E reverdeço No rosa de umas tangerinas E nos azuis de todos os começos.
As mulheres em geral são chatíssimas; em literatura a gente escolhe a dedo uma ou outra; e depois eu quero é que elas não me aborreçam.
Vida da minha alma: Recaminhei casas e paisagens Buscando-me a mim, minha tua cara. Recaminhei os escombros da tarde
Vida da minha alma: Recaminhei casas e paisagens Buscando-me a mim, minha tua cara. Recaminhei os escombros da tarde Folhas enegrecidas, gomos, cascas Papéis de terra e tinta sob as árvores Nichos onde nos confessamos, praças Revi os cães. Não os mesmos. Outros De igual destino, loucos, tristes, Nós dois, meu ódio-amor, atravessando Cinzas e paredões, o percurso da vida. Busquei a luz e o amor. Humana, atenta Como quem busca a boca nos confins da sede. Recaminhei as nossas construções, tijolos Pás, a areia dos dias E tudo que encontrei te digo agora: Um outro alguém sem cara. Tosco. Cego. O arquiteto dessas armadilhas.
Árias Pequenas. Para Bandolim Antes que o mundo acabe, Túlio, Deita-te e prova
Árias Pequenas. Para Bandolim Antes que o mundo acabe, Túlio, Deita-te e prova Esse milagre do gosto Que se fez na minha boca Enquanto o mundo grita Belicoso. E ao meu lado Te fazes árabe, me faço israelita E nos cobrimos de beijos E de flores Antes que o mundo se acabe Antes que acabe em nós Nosso desejo.
Costuro o infinito sobre o peito. E no entanto sou água fugidia e amarga.
Tudo de mais essencial do que pude dizer, eu escrevi.
Se você é coerente consigo mesmo, o resto é suportável. Eu suporto.
Considero ignorante quem não ousa se aproximar das coisas absurdas, do indizível.
Não sei nada sobre a minha obra. Só sei que a escrevi. Durante cinquenta anos pude escrever tudo o que queria escrever.
É o processo da vida que é tão complexo! Eu não saberia simplificar esse processo para ser mais compreensível, é o meu próprio processo dificultoso de existir que faz com que venha essa avalanche de palavras, umas assim barrocas demais, e que tudo seja misturado.
No mundo de hoje só um louco é que não pode pensar em utopias. Temos que desejar a utopia, sonhar com a utopia.
É preciso estimular a mente do outro. Nem que esse outro não entenda direito, não tem importância. O estímulo foi dado.
Acho que todo escritor põe o mais verdadeiro de si no que escreve.
Eu acho que a vida transborda, não existe uma xícara arrumada para conter a vida!
Eu acho que a literatura vem desse conflito entre a ordem que você quer e a desordem que você tem.
Escrever é ir em direção a muitas vidas e muitas mortes.
O que faz nascer a minha poesia é a não aceitação de que um dia a vida se diluirá e, com ela, o amor, as emoções do sonho e toda essa força em potencial que vive dentro de nós.
Eu sempre vi o mundo de uma forma mágica, eu vivo em um estado de comoção contínua, renovada, diante das coisas…
Não há silêncio bastante Para o meu silêncio. Nas prisões e nos conventos
Não há silêncio bastante Para o meu silêncio. Nas prisões e nos conventos Nas igrejas e na noite Não há silêncio bastante Para o meu silêncio. Os amantes no quarto. Os ratos no muro. A menina Nos longos corredores do colégio. Todos os cães perdidos Pelos quais tenho sofrido Quero que saibam: O meu silêncio é maior Que toda solidão E que todo silêncio.
Só não existe amargura onde não existe o ser.
Acho isso impensável: existir.