"As peripécias do dia-a-dia
Causam grande emoção
Por acaso ou magia
Rodam as paradas engrenagem do coração.
Pelo gelo do meu coração quente
Corre meu sangue em movimento
É um vermelho fosco reluzente
Chega! Acaba este sentimento.
Entre os meus dedos escorre
O suor da emoção vivida
Será algo que morre
Ou lembrança para uma vida?
Oh! Vaga ideia minha
A vida passa a correr
Vai lá e encaminha
Basta acreditar e crer.
Cada segundo vivido
Terá de se viver intensamente
Vivam-no com apenas um sentido,
Como se fosse o último de sempre."
Onda que brilhas no mar
Deixa-me ser teu veleiro
Para te poder abraçar
Antes da chegada do nevoeiro
Navegando no mar alto
Por entre grandes cardumes
Que em grandes saltos
Nos vão causando ciúmes
Quando o farol nos alumía
Com sua luz que serra
Sabemos que anuncía
A nossa chegada a terra
No céu giram as gaivotas
Que esvoaçam até à nossa entrada
Circulam em grandes voltas
Para nos saudar à chegada
Aquando do nosso regresso
Há algo que no mar reflete
É o enorme sucesso
Para que tudo na vida nos remete
Dos obstáculos que a vida nos traga
Cada um tem de viver o seu fado,
Por mais amarga que a sina seja
Nada nos é dado de bandeja
Mas deus está a nosso lado.
Algo pode não estar em sintonia
Mas farei tudo por te ver bem,
Não é tão facil como parecia,
Parece que algo se pressentia
Mas nunca sabemos o que aí vem.
Ninguém prevê o futuro.
O melhor é sempre dar o melhor,
O pensamento estruturo,
Para não ser imaturo.
Mas sei o que te dizer de cor
Isso tenho eu a certeza
Que um dia tu saberás
Que poderías ter sido a alteza,
Fora deitando toda a tristeza
A força suprema serás.
Esta te vou contando eu,
Isto é algo que se vive dia-a-dia,
Tanto neste fado meu
Como no destino teu,
Todos com magia
Lá está toda a verdade,
Verdade essa dura e crua,
Mesmo assim poderá deixar saudade
Por toda a eternidade,
Cada um tem de viver a sua.
Assim temos de pensar no ditado
De um futuro sorridente,
Pois um dia tornar-se-à no passado,
Deixando de viver lado a lado
Que jamais voltará a ser presente.
Quando um dia eu desaparecer
Por entre a sombra da madrugada
É sinal que não irei saber viver
O resto da vida que tinha guardada
Se um dia tudo acabar
É porque a minha vida não faz mais sentido
Quando deixar de cantar
É porque estou perdido
Ajudai-me nesta aflição
Esta dor não era merecida
Está a parar o meu coração
Já tenho a vida mais que vivida
A minha estadia por aqui está acabada
Apesar de tudo, tenho tido muita sorte
Uma grande sorte destroçada
Já não consigo mais ser forte
Quando eu morrer
Por mim vós não chorais
Todos devem saber
Que fiz tudo até já não poder mais
O meu grande amor
Por ti aumenta a cada dia,
É um caso de enorme furor,
Onde reina a magia.
Sempre mantendo a amizade
Por toda a eternidade.
Por ti irei até ao fundo.
És o meu maior tesouro,
Mereces o mundo,
Vales mais que ouro.
Digo-te isto agora
Mas é pela vida fora.
Causas-me imensas alegrias.
Apesar das dores de cabeça
És a motivação dos meus dias
Para esquecer qualquer tristeza.
Do tesouro és a mais cintilante
Brilhas mais que diamante.
Como esta enorme paixão
Uma assim eu nunca vivi.
Dou-te o meu coração,
Entrego-me de corpo e alma a ti.
Ao teu lado irei estar,
Eu prometo para sempre te amar.
"Não me digas que a tua hora chegou,
Tu tens ainda muito a viver.
Não vais já! Ninguém te chamou!
Ainda nada terminou.
Não me faças sofrer!
A vida não está acabada!
Ainda que não esteja a cem porcento
Não chegou a abalada,
Não estás na chamada.
O teu nome não vai com o vento!
O barqueiro sombrio
De ti nada vai levar.
Apesar deste grande frio,
Vive a vida com brio.
Tudo vais ultrapassar!
Cantigas leva-as o vento,
Também leva as palavras más.
Ainda haverá muito tempo
Onde irá passar este tormento.
Esperemos pelo bom que a vida traz!
"Póvoa terra de encanto
Nós te louvamos
E que não haja espanto
Para como te adoramos
És terra pequenina
Mas tenho-te no coração,
Minha aldeia austrina
Eu te fiz esta canção
Em tempos que lá vão,
No tempo dos nossos avós,
Brincar e jogar ao pião
Era a alegria de todos nós
Na nossa linda fonte
Há água tão fresquinha,
Póvoa, vives no monte
Por onde Portugal caminha
No moinho de vento
Moía-se a farinha,
O nosso padroeiro é São Bento
Que está na sua capelinha
Aos meus olhos, o teu encanto,
É incrível sem igual
Neste teu calmo recanto
O mais lindo de Portugal
Quando cair em mim
Esta tal saudade
Daquele sentimento ruim
Porque nunca tiveste vaidade
Quando eu partir, irei ter saudade,
Saudade de todos vós,
Desta linda mocidade,
Oh querida terra de todos nós".
"Póvoa minha terra" - Guilherme Pereira
12.11.2019