TEM GENTE QUE NÃO APRENDE
Tem gente que não aprende
Ama, desama e se surpreende
Quando o amor se despede.
Sofre, sofre e torna a sofrer
Vive amando impreterivelmente!
O que dizer? Não há cura, não há remédio
Pois, toda vez que ama, desama
É sempre a mesma dor, o mesmo tédio.
APRENDENDO A VIVER
Com sábios, aprendi a ler a vida!
Com crédulos, a ter fé esperança.
Com jovens, aprendi que nem todas às vezes
se prevalece a força, a pujança.
Com idosos, aprendi que bom senso,
maturidade e paciência ajudam a envelhecer.
Com sonhos, aprendi que nem tudo é ilusão.
Com a necessidade, aprendi a dar valor as coisas
que a vida sublimemente me ofertou.
Com erros, aprendi que é se errando
que conseguimos aprender.
Que a melhor forma de combater alaridos
excessivos, é silenciando.
Com o amor, aprendi o poder da transformação!
Com guerreiros, aprendi o bom combate.
Que a melhor forma de encarar o medo,
é encará-lo de frente.
Com ideologistas, aprendi que lutar com a alma
é sempre a melhor arma.
E com a dor, aprendi o caminho da libertação!
SOU EU QUE TE AMA
Sou eu que te ama
Louca e verdadeiramente.
Que te carrega nos braços
Que afaga teus cabelos!
Que te faz dengo, carinho
Que te cobre de beijos,
Que lê teus pensamentos
Que te envolve com suavidade
Quando sofres desalinho!
Sim, sou eu que te ama!
Que nada contesta, reclama.
Sou eu que a teu respeito
Tudo faz, tudo inventa, sabe.
Sou eu que nada precisa...
Porque tudo que quero, sonho
Dentro de mim existe
Perfeitamente encaixa, cabe!
MEUS RETALHOS
Meus retalhos
Guardo-os organizados
Dentro de minh'alma.
Ao invés de jogar os entulhos
Vou Juntando cada pedacinho
Como se fossem conselhos
Recebidos como ensinamentos
Para que no momento final
Sejam avaliados e quem sabe
Numa amostragem de releitura
Possivelmente, transformados
Em vestes alvejadas, limpas
Sem marcas, sem sujeiras
E sem quaisquer amarguras!
FLORES EM BOTÃO
Flores em botão
Exalam pelos jardins da vida!
Cada cor um perfume
Cada perfume um desejo
Cada desejo um estímulo
Cada estímulo uma paixão
Cada paixão um beijo
Ofertado sentido, oferecido
Sendo Fraternal, carinhoso
Na doçura de cada ósculo!
MINHA TENTAÇÃO
Por mais que eu queira
Impedir esses impulsos
Esse querer tentador...
Acabo entregando-me
Ao prazer do seu amor!
Oh! Minha doce tentação
Porque será que não resisto
E tão facilmente cedo
E sucumbo ao desejo pecador?
MEU PORTO SEGURO
Você é meu porto seguro
Minha âncora do amor.
Minha deusa, minha inspiração
Meu norte, meu abrigadouro.
Seus olhos refletem a paz
Que me domina, me satisfaz.
Sua boca rosa-vermelha
É um convite, uma tentação...
Meu corpo não suporta
Arde, queima como centelha
Quando colado ao seu corpo
Navega em transmutação.
Seu cheiro deixa o vestígio
Que exala no tempo a espalhar
Me chamando, me querendo
E soprando faz navegar
Alimentando minhas vontades
Acolhendo meu desejar!
ABRAÇANDO A ALMA E O CORAÇÃO
Quando te abraço
Abraço verdadeiramente
Sentido o calor do prazer.
E de todas as maneiras
Sem cortes nem pedaços
Abranjo todo meu querer!
Abraço tem que ser sincero
Envolvimento perfeito
Colado, batendo peito no peito.
Abraço é capaz de transformar
De unir, contribuir, apaziguar.
Abraço dado bem apertado
É vibrar em desejo ardente
Liberar toxinas de renovação
E na profundeza da alegria
Abraçar a alma e o coração!
AGNUS DEI
Que os santos digam amém!
Pra ser feliz direi também
Com toda fé e crença na oração.
Preces sempre nos faz bem.
Anulam maus pensamentos
Sentimentalizam e humanizam
Os anseios de bondade do coração.
E como todo bom sabedor eu sei
Que além de amor, piedade, pão
É preciso aprender a cada dia
Os caminhos da fé e da caridade.
"Cordeiro de Deus que tirai
Os pecados do mundo:" Agnus Dei!
E que nossas vidas sejam felizes
Repletas de paz, alegria, comunhão.
Que assim seja!
Misereres nobis e perdão!
O MOTIVO DA MINHA FELICIDADE
Quando me perguntam
O motivo da minha felicidade
Sem pestanejar respondo:
Não basta ser, existir...
É necessário saber viver!
E a primeira regra fundamental
É escancarar no coração
Um sorriso que apazigue a alma
E que possa intimamente
Transformar ódio em perdão!
DOCILIDADE D'ALMA
Vem da sua alma
A magia da docilidade.
Tanta luz, tanta beleza
Mistura linda, perfeita
De candura, meiguice
Encharcada de bondade.
Alma feliz, sagrada
Leve, solta, iluminada!
Se me falta abrigo...
Tua alma é minha morada.
Se me falta claridade...
És poço de luminosidade!
Se me falta razão...
Tua alma é o x da questão.
Se me falta atitude...
Ela é minha anunciação!
ÀS VEZES
Às vezes tudo aquilo
Que pensávamos ter
De uma hora pra outra,
Deixa-nos breve vazio...
E aí, percebemos
Que não era pra ser!
Às vezes acontece
Os sonhos adormecem
E sonhando, esquecem
De viver, de acordar!
É quando descobrimos
Que não valeu a pena
Ao amor se entregar!
AMOR DOS AMANTES
(Poema em homenagem pela passagem das nossas bodas de prata)
Vem, meu corpo te espera
Agonizante por amor!
Para sentir teu cheiro
Cheiro gostoso de menina-flor
Eu quero ter nesta vida
Enquanto vida tiver
Seu beijo, seu sorriso
Esse corpo de mulher
Vem, devora-me incessantemente!
Vem, vamos viver
Esse amor deslumbrante
Para eu sonhar em teus braços
Esse amor dos amantes!
EM CADA CANTO DA TERRA
Eu sou o dia e a noite
E das rosas o jardim
Das brumas a mais suave
Eu sou corpo, sou morte
Todos os pedaços de mim
Eu sou feito de sonhos
De amor e de poesia
Sou o mais lindo amante
De romantismo exacerbado
Sou a lágrima da nostalgia
Sou sujeito imperfeito
De todos os lugares
Sou menino de engenho
Feito do mel da doce cana
Sou terra, sou dos mares
Eu sou a rosa dos ventos
Que navega nos pensamentos
Eu sou a ode da lira
Sou pássaro, sou a flor
Que canta, que inspira
Eu sou o grito de liberdade
Sou cada gota de chuva
De longínquos lugares
Que escorre de saudade
Eu sou a mão do mendigo
Nos choros, nos pesares
Em cada canto de terra
Eu sou a alegria de viver
SABE DE ONDE VENHO?
(Do recital “Alma de Poeta”)
Sabe de onde venho?
Te digo com todo empenho:
Nascido na terra dos poetas
Desde cedo aprendi a amar
Sua cultura, seus engenhos
Pra sempre, aqui é o meu lugar!
Eu venho do meio dos canaviais
Onde os sonhos perduram
E que na labuta do dia a dia
Ao longo da vida não morrem jamais
Eu sou da terra dos poetas
E trago em minha bagagem
A força que o homem irradia
Amor, felicidade e resistência
Liberdade, sonhos e poesias
Sou da terra das Palmeiras
Que se elevam pra bem pertinho do céu
E é dessa terra fértil, enluarada
Que muitos dos seus filhos
No cabo da foice e da enxada
Cultivam e semeiam o doce do mel
Eu sou da terra que todo poeta
É uma eterna criança
Nada teme e sempre vai a luta
Guerreiros, justos valentes
Com coragem, fé e perseverança
MURO DAS ILUSÕES
(POEMA CANÇÃO)
No muro das ilusões
Pintei minha arte mais bela
Você que aparece nela
Fascínio de bela pintura
Retocada por minhas mãos
Sob olhar de contemplação!
Nos jardins da estrada
Não preciso de roupa engomada
Apenas de uma flor de encanta!
Na manhã da aurora boreal
Preciso encontrar seu sorriso
Por mais longe que ele possa estar
Minha roupa de puro linho
Serve apenas de burburinho
Pra quem me ver passar!
No mar de amor, onde tudo começou
Escrevi na areia fina
Nosso poema predileto
Que reinventa nossas vidas
Mas, o que eu quero mesmo
É você aqui, bem perto
E apenas de uma flor encantada!
MÁGOAS ÀS MARGENS DO UNA
(Do recital “Alma de Poeta”)
Vou jogar as mágoas
Às margens do Una
Para que as águas do Rio
Carreguem para o mar
Sob o olhar da Baraúna
Toda minha tristeza
E que o mar sem fim
Feliz possa desaguar
Fazendo ressuscitar
Quem gosta de mim
Mas, se por acaso o mar
Esquecer de se lembrar
Novamente as mágoas
No Rio irei jogar
Porque todo amor
Que existe em mim
É um mar sem fim!
LA SOLEDAD
En la tierra, esta tierra
Planté mi vida
Por siempre en mi corazón
Para ser feliz, vivir feliz
Mi madre mi hermano.
Y en la calma de la soledad
Aprendí a amar
Con la fuerza de mi corazón
Bajo la lluvia, ni flores
O con flores de verano.
Al principio, un niño
Cada hora de esta vida
Siguiendo los pasos del destino
Con el poder de una canción
En el jardín de nuestra casa
Mi amor, mi pasión dulce.
Mi querida soledad
Soledad dulce amigo
Soledad de mis sueños
Soledad de mi vida.
É PRECISO SABER PERDOAR
Todos os dias vou aprendendo
Que é preciso saber perdoar!
E se alguém disser a você
Que é fácil, estará mentindo!
A prática do perdão é necessária
Para desafogar o ódio no coração
À medida que você vai perdoando
Aumenta a sua convicção
Você cresce espiritualmente
Melhora sua estima como também
Alivia o peso da consciência
E além de tudo nos faz bem!
Não quero dizer com isso
Que você precise necessariamente
Se humilhar, se ajoelhar, ter afeto
Basta você o mal não desejar!
E pedir sempre que Deus...
Ampare e ilumine seu desafeto!
ONDE NAVEGAR MINHA NAU?
Onde navegar minha nau?
Tudo anda tão seco, árido
Esturricado pela desilusão
Sem encanto, sem vento
Desamparado, sem manual!
Onde navegar minha nau?
Sem água, sem dia, noite
Ferido no próprio coração
Perdido na solidão do tempo
Vivendo como um Bacurau!
Onde navegar minha nau?
Se não existe porto, mar
Tudo anda revolto na imensidão
Sem ver na linha do horizonte...
Um destino que possa atracar!
AMORES DE UM POETA
1º ato
Benditos sejam os poetas
Que escreveram lindos versos
Para meu amor encantar
E como se fossem profetas
Ensinaram o caminho do amor
Para meu amor me adorar!
2º ato
Malditos sejam os poetas
Que no amor me fizeram
Um dia plenamente acreditar
E foi amando perdidamente
Que conheci a dor e a desilusão...
E meu amor a você entregar!!
AMOR AO SUL DO HEMISFÉRIO
(Poema canção)
Você me diz pra te esquecer
Que eu não preciso te entender,
Mas na verdade meu bem, só você...
Me traz sorte, me dá felicidade,
E eu adoro te querer porque
Você é a razão do meu viver.
Garota se você me quiser,
Fugiremos para o sul do hemisfério
De ferry boat, de trem ou teleférico
Compraremos um belo cartão postal
E nesse adorável clima
Nos amaremos intensamente até o Natal.
Nos alpes, nas geleiras, nas montanhas, nas cordilheiras,
No silêncio da noite adormecida,
Acordaremos lua e estrelas
Com nossa canção preferida,
Despertaremos o astro rei
A que horas da manhã? Isso eu já nem sei!
No paraíso do amor plantaremos uma flor
Não importa a origem nem cheiro nem cor,
Eu continuo esperando meu amor, ao sul do hemisfério.
E com o calor dos nossos corpos
Esquentaremos o gelado frio,
Brindaremos com taças de fino vinho, às margens do Rio Valdivia,
Ao amor e à poesia de Neruda, à vida,
Por isso mesmo não posso te esquecer
Se estamos juntos o universo fica à mercê.
SONATA PARA O AMOR
Por ti, ainda espero
E pra ser bem sincero
Não importa dia ou hora
Amanhã quem sabe?
Daqui a um ano ou agora.
Estarei a te esperar
Sem a pressa dos famintos
Sem a angústia dos aflitos
Mesmo que esteja perdido
Sem saída num labirinto.
Sem desespero na alma
Te esperarei sorrindo
No jardim da esperança
Pois, meu amor, o amor
Sempre será bem- vindo!
NÁUFRAGO
(Poema canção)
(...) Quando você tomou o rumo
Quebrou uma rotina desvalida!
Minha vida respirou aliviada
Me soltei, me livrei, me libertei...
Das amarras enferrujadas
Que o cais do porto tratou de desgastar!
Já fui louco, já fui torto
Vivi sem nome, alma ferida
Meu barco procurando porto
Preso, encalhado, sem destino
Minha bandeira tremulando em desatino
Vivendo a esmo para encontrar...
Meus passos, meus pedaços!
Tristeza em viver a vida em desalinho
Apenas sonhando os sonhos...
De um rabisco em pergaminho!