Na atividade cultural não deve haver uma perspetiva exclusiva de satisfação imediata. É essencial que todo e qualquer um que se liga à cultura ou que se considera agente cultural, tenha uma consciência de que a atividade cultural é a sementeira dos ideais sociais que colhemos amanhã.
Prosperidade, abundância, generosidade.
Não se pode esperar generosidade num contexto em que não há abundância. Jamais haverá abundância se não existir prosperidade.
Este é o drama do potencial humano. A semente do homem pode ter o potencial de providenciar o mais maravilhoso fruto, mas jamais se pode culpar a semente por não demonstrar a generosidade de dar fruto, se não lhe for oferecida uma terra fértil para que possa prosperar.
O campeão foi galardoado
Quando nasci o campeão já era celebrado
Toda a escola de vitória,
Toda a glória, todo o charme,
Ser o campeão. Ser vitorioso.
Tudo isto
Está, desde que nasci, instituído.
As regras definem os limites
O jogo desenvolve-se
A prática não as reflete
A discrepância é perceptível
O campeão vence porque ganha
É a vitória que o define
Vencer valida a forma
O derrotado percebe a discrepância
A discrepância valida a derrota
O derrotado perde por ativismo
Mas a derrota pesa
Ele sabe que é derrotado por ativismo
Ele percebe a discrepância
Mas a derrota é sempre derrota
Um dia aqueles que nele acreditaram
Que acharam que viam o próximo campeão…
Vêm, também, apenas um derrotado
A derrota pesa
A vida é sobre perder e sobre ganhar
A derrota pesa
O campeão vence a qualquer custo
O derrotado há de desistir das regras
O campeão foi pupilo,
O pupilo é agora o campeão
O ciclo não termina
O derrotado há de desistir de perder.
Se vencer definiu os homens ao longo de gerações
Aprender a jogar para vencer
Pode não ser…
Pode ser medo de perder
A História refere-se aos Homens que a delinearam através de uma enorme variedade de formas: Visionário, génio, sucedido, relevante, etc. mas não há adjectivo que hiperbolize mais a grandeza e dimensão disruptiva da figura do que “incompreendido”, seguido normalmente de “no seu tempo”.
Eu não tenho um desejo fervoroso em ser incompreendido, esse contexto não traz qualquer conforto à minha vida. Mas sê-lo também não me incomoda. Não ser compreendido tende a envelhecer bem. Pode prejudicar-me nos hojes… mas nunca nos amanhãs.
A determinado momento na vida há um rio que se engrandece por ser o confluir obrigatório de muitos pensamentos afluentes. Consequentemente, o medo de falhar torna-se menos presente e consumidor.
A tranquilidade que daí surge abre espaço para a arrogância boa.
O homem que navega esse rio, deixa de tentar convencer o mundo do bem que lhe pode trazer, sabe que o seu trabalho é mostrar o que vale e “ao que vem”, mas sabe é do “mundo” o trabalho de ver.