Que importa que a alma jaza acre e escura na lassidão da espera,
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Que importa que a alma jaza acre e escura na lassidão da espera, se com sonhar-te apenas tudo se irradia e por ser-te tudo se transforma?
7 frases
Que importa que a alma jaza acre e escura na lassidão da espera,
Que importa que a alma jaza acre e escura na lassidão da espera, se com sonhar-te apenas tudo se irradia e por ser-te tudo se transforma?
ESTADO DE GRAÇA Eis-nos na bênção da aventura
ESTADO DE GRAÇA Eis-nos na bênção da aventura cachos de uvas ruivas no regaço um véu de colibris a cobrir-nos a pele dos segredos. Eis-nos no céu dos escolhidos todo o sol que irradias me ilumina todo o amor que canto te pertence.
CRESCEU-NOS A CAMA Lentamente descemos o rio
CRESCEU-NOS A CAMA Lentamente descemos o rio mudaram as luas os azuis do céu e os verdes das margens até nós mudámos sem darmos por isso pouco a pouco o espelho mostrava-nos o que viria a seguir o preço a pagar pela nossa irreverência eu deixei de correr e tu seguiste-me os passos até ao ponto de não podermos mais fugir ao destino o céu acinzentou cresceu-nos a cama e o sangue deixou de saciar-nos diz-me, amor perdemos a sede ou secou-se a seiva que nos corria efervescente pelas crateras da pele em chama cresceu-nos a cama ou mingaram-nos os braços?
MEUS OLHOS Quando a noite pousar sobre ti seu negro manto
MEUS OLHOS Quando a noite pousar sobre ti seu negro manto e sentires que as estrelas te perseguem que dançam ao teu redor, em burburinho não tenhas medo meu amor o que ouves são os meus olhos que no escuro te acompanham a salpicar de luz o teu caminho.
ALVORADA Alvorece as gaivotas acordam a cidade
ALVORADA Alvorece as gaivotas acordam a cidade os sinos cantam ao desafio com os sonhos interrompidos a maré lambisca a margem os raios de sol diluem a bruma e os meus lábios fogosos engomam as rugas do teu corpo com a mesma devoção com que a natureza regenera.
AMÊNDOA AMARGA Rasguei com as minhas mãos todas as promessas
AMÊNDOA AMARGA Rasguei com as minhas mãos todas as promessas abri as portas vesti-me de vento a afastar de mim o teu perfume pintei-me com o roxo das dores com o vazio dos dias provei o fel do desencanto minha amêndoa amarga.
INTANGÍVEL Guardei-te na gaveta das coisas novas, arrumadas, qual gaivota que sobrevoa
INTANGÍVEL Guardei-te na gaveta das coisas novas, arrumadas, qual gaivota que sobrevoa a praia, antes de fechar a porta da tarde. Guardei as razões que me deste para te eleger. O teu gracejar constante e aquele sorriso de inspirar poetas. É tarde. A vitrola acusa cansaço e os versos repetem-se na folha vazia. Rendo-me à alegria de te sonhar tão azul e tão presente como antes. Sempre te soube interdito e breve. Tão intangível, que magoa.