Agarre o desaponto pelo avesso, apare as pontas,corte o excesso. Mude a covardia de endereço, ponha a escavadeira em retrocesso até que o mundo,esse réu confesso, lhe devolva seu mel e seu apreço.
Frases de Flora Figueiredo
34 frases
Aprendi a esperar...Se ventos são capazes de levar embora, a qualquer hora, também, são capazes de fazer voltar.
Não deixe portas entreabertas Escancare-as Ou bata-as de vez.
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Não deixe portas entreabertas Escancare-as Ou bata-as de vez. Pelos vãos, brechas e fendas Passam apenas semiventos, Meias verdades E muita insensatez.
Dor de Cotovelo. Deve ser tratada com dignidade. Não é virose,
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Dor de Cotovelo. Deve ser tratada com dignidade. Não é virose, epidemia ou artrose, nem mesmo falha de envelhecimento. Independe da idade. Costuma dar a sensação de um escuro profundo, onde a luz não chega, onde a esperança é cega e nossa estima é o rodapé do mundo. Não acredite ! Como esse mal não transmite nenhum perigo fatal, poder ser prazeroso o colo de um amigo, um abraço forte, como abrigo, uma palavra doce, um cafuné. Acima de tudo, que se mantenha a fé. Muito pior do que passar por isso é sonegar emoção, evitar o risco e o compromisso, esconder-se atrás das grades da razão. Quem hoje por amor está sofrendo, Só por amar, já merece estar vivendo.
“Se tiver que ir, vai. O que fica para trás, não sendo mentira, não racha, não rompe, não cai.Ninguém tira. Já que vai, segue se depurando pelo trajeto, para desembarcar passado a limpo, sem máscara, sem nada, sem nenhum desafeto. Quando chegar, sobe ao ponto mais alto do lugar,…
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“Se tiver que ir, vai. O que fica para trás, não sendo mentira, não racha, não rompe, não cai.Ninguém tira. Já que vai, segue se depurando pelo trajeto, para desembarcar passado a limpo, sem máscara, sem nada, sem nenhum desafeto. Quando chegar, sobe ao ponto mais alto do lugar, onde a encosta do mundo faz a curva mais pendente. E então acena. De onde estiver, quero enxergar esse momento em que você vai constatar que a vida vale grandemente a pena.”
Borbulhante Guardei meu poema dentro de uma bolha de sabão. Como não ficar seduzida
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Borbulhante Guardei meu poema dentro de uma bolha de sabão. Como não ficar seduzida Pela circunferência lisa e transparente, Onde o arco-íris passeia docemente, E morre de amores pela espuma colorida? Acomodada na nova moradia, O poema suspirou e adormeceu. Quando acordou já não mais me pertencia. A bolha de sabão se deslocara E o poema apaixonado que eu criara Descobriu de repente que era teu.
Retirada Respeite o silêncio a omissão,
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Retirada Respeite o silêncio a omissão, a ausência. É meu movimento de deserção. Abandonei o posto, rompi a corda, desacreditei de tudo. Cansei de esperar que finalmente um dia, minha fotografia fizesse jus ao seu criado-mudo.
Nó Estou perdidamente emaranhada em seus fios de delícias e doçuras.
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Nó Estou perdidamente emaranhada em seus fios de delícias e doçuras. Já não encontro o começo da meada, não sei nem mesmo se há uma ponta de saída, ou se a loucura vai num ritmo crescente até subjugar a minha vida. Não importa. Quero seus nós de seda cada vez mais cegos e apertados a me costurar nas malhas e nos pêlos. Enquanto você me amarra, permanece atado na própria trama redonda do novelo
Vento novo Estava enrolada em teias e traças,
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Vento novo Estava enrolada em teias e traças, debaixo da escada, lá no subsolo da casa fechada. Começava a tomar ares de desgraça. Manchada do tempo, fenecia a esperar que um dia alguma coisa acontecesse. Antes que se perdesse completamente, sentiu passar um vento cor-de-rosa. Toda prosa, espanou a bruma, pintou os lábios e sem vergonha nenhuma caprichou no recorte do decote. A felicidade volta à praça cheia de dengo e de graça, com perfume novo no cangote.
Não deixe portas entreabertas. Escancare-as ou as bata de uma vez. Porque por meias entradas entram meias felicidades.
Grito se agiganta, embrutece, se enfurece, morre na garganta...
O canteiro assiste: a antúrio, falso perjúrio, pões o dedo em riste.
Urge a maritaca. Desafia a paz do dia a golpes de faca.
Quanto desafeto! A palvra se deprava frente ao alfabeto.
O sol envelhece. pavio queima por um fio. Verão que apodrece.
Linha de combate: as granadas e os petardos são de chocolate.
Pois que viver não é entrar no mar onde dá pé, mas mergulhar com fé no maremoto.
Numa pressa insana, o jato divide em quatro o azul-porcelana.
Mais uma vez o tempo me assusta. Passa afobado pelo meu dia, atropela minha hora, despreza minha agenda. Corre prepotente, para disputar lugar com o vento.
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Mais uma vez o tempo me assusta. Passa afobado pelo meu dia, atropela minha hora, despreza minha agenda. Corre prepotente, para disputar lugar com o vento. O tempo envelhece, não se emenda. Deveria haver algum decreto que obrigasse o tempo a desacelerar e a respeitar meu projeto. Só assim, eu daria conta dos livros que vão se empilhando,das melodias que estão me aguardando; Das saudades que venho sentindo, Das verdades que ando mentindo, Das promessas que venho esquecendo, Dos impulsos que sigo contendo, Dos prazeres que chegam partindo, Dos receios que partem voltando. Agora, que redijo a página final, Percebo o tanto de caminho percorrido Ao impulso da hora que vai me acelerando. Apesar do tempo, e sua pressa desleal, Agradeço a Deus por ter vivido, amanhecer e continuar teimando ...
A estrela cadente teima, se enrosca, se queima. Quer o sol nascente.
Ouviu-se um estrondo Baleia presa na teia? Não! é marimbondo.
Tempo destinado a esfregar e descorar nódoas do passado.
Melódico Canto aos quatro cantos, aos quatro ventos.
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Melódico Canto aos quatro cantos, aos quatro ventos. Denudo as pautas do tempo em claves, bemóis e sustenidos. Hei de fazer chegar aos seus ouvidos uma rima de amor em tom maior. Quando o mundo cantá-la já de cor, eu trago flauta que põe ternura nessa nota que ainda falta pra perpetuar o nosso amor na partitura.
Paisagem urbana Num ponto qualquer da cidade trêfego
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Paisagem urbana Num ponto qualquer da cidade trêfego trôpego sôfrego bêbado. Ele tem medo da sobriedade.