Pular para o conteúdo

Frases de Fernando Pessoa

953 frases

Quem me dera eu fosse pó que rola na estrada e os pés dos pobres me tivessem pisando. Quem me dera eu fosse o burro do moleiro e que ele me batesse e me estimasse. Antes isso do que ser aquele que passa pela vida olhando pra traz, sentindo pena.
11. M de Mensagem D. Dinis Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
Continuar lendo

11. M de Mensagem D. Dinis Na noite escreve um seu Cantar de Amigo o plantador de naus a haver, E ouve um silêncio múrmuro consigo: É o rumor dos pinhais que, como um trigo De Império, ondulam sem se poder ver. Arroio, esse cantar, jovem e puro, Busca o oceano por achar; E a fala dos pinhais, marulho obscuro, É o som presente desse mar futuro, É a voz da terra ansiando pelo mar.

O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente? O amor é um misti…
Continuar lendo

O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente? O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada. in O Rio da Posse

Tão abstrata é a idéia do teu ser... Dobre - Peguei no meu coração... Quem te disse ao ouvido esse segredo...
Continuar lendo

Tão abstrata é a idéia do teu ser... Dobre - Peguei no meu coração... Quem te disse ao ouvido esse segredo... Abdicação: Toma-me, ó noite eterna... Dorme enquanto eu velo... deixa-me sonhar... Põe as mãos nos ombros... beija-me na fronte... Ao longe, ao luar, no rio uma vela... Sonho. Não sei quem sou neste momento... Contemplo o lago mudo que uma brisa estremece... Gato que brincas na rua como se fose na cama... Não: não digas nada! Vaga, no azul amplo solta, vai uma nuvem errando... O Andaime: O tempo que eu hei sonhado... Sorriso audível das folhas... Autopsicografia: O poeta é um fingidor... O que me dói não é o que há no coração... Entre o sono e o sonho... Tudo o que faço ou medito fica sempre na metade. Tenho tanto sentimento que... Viajar! Perder países! Grandes mistérios habitam o limiar do meu ser... Fresta: Em meus momentos escuros... Eros e Psique: Conta a lenda que dormia uma princesa... Teus olhos entristecem. Nem ouves o que digo... Liberdade: Ai que prazer não cumprir um dever... Hora Absurda - O teu silêncio é uma nau...

Sábio é quem monotoniza a existência, pois então cada pequeno incidente tem um privilégio de maravilha. O caçador de leões não tem aventura para além do terceiro leão. Para o meu cozinheiro monótono uma cena de bofetadas na rua tem sempre qualquer coisa de apocalipse modesto. Que…
Continuar lendo

Sábio é quem monotoniza a existência, pois então cada pequeno incidente tem um privilégio de maravilha. O caçador de leões não tem aventura para além do terceiro leão. Para o meu cozinheiro monótono uma cena de bofetadas na rua tem sempre qualquer coisa de apocalipse modesto. Quem nunca saiu de Lisboa viaja no infinito no carro até Benfica, e, se um dia vai a Sintra, sente que viajou até Marte. O viajante que percorreu toda a terra não encontra de cinco mil milhas em diante novidade, porque encontra só coisas novas; outra vez a novidade, a velhice do eterno novo, mas o conceito abstracto de novidade ficou no mar com a segunda delas.

"Sonhar mesmo que seja impossível Lutar mesmo que o inimigo seja invencível Suportar a dor, mesmo que seja insuportável
Continuar lendo

"Sonhar mesmo que seja impossível Lutar mesmo que o inimigo seja invencível Suportar a dor, mesmo que seja insuportável Correr, mesmo onde o bravo não ouse ir Transformar no bem o que é mal, mesmo que o caminho seja de mil milhas Amar o puro e o inocente, mesmo que seja insistente Persistir, mesmo quando o corpo não mais resista E, afinal, tocar aquela estrela, mesmo que seja impossível." -Fernando Pessoa-

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva Não faz ruído senão com sossego. Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Continuar lendo

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva Não faz ruído senão com sossego. Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva Do que não sabe, o sentimento é cego. Chove. Meu ser (quem sou) renego… Tão calma é a chuva que se solta no ar (Nem parece de nuvens) que parece Que não é chuva, mas um sussurrar Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece. Chove. Nada apetece… Não paira vento, não há céu que eu sinta. Chove longínqua e indistintamente, Como uma coisa certa que nos minta, Como um grande desejo que nos mente. Chove. Nada em mim sente…

É um campo verde e vasto É um campo verde e vasto, Sozinho sem saber,
Continuar lendo

É um campo verde e vasto É um campo verde e vasto, Sozinho sem saber, De vagos gados pasto, Sem águas a correr. Só campo, só sossego, Só solidão calada. Olho-o, e nada nego E não afirmo nada. Aqui em mim me exalço No meu fiel torpor. O bem é pouco e falso, O mal é erro e dor. Agir é não ter casa, Pensar é nada Ter. Aqui nem luzes (?) ou asa Nem razão para a haver. E um vago sono desce Só por não ter razão, E o mundo alheio esquece À vista e ao coração. Torpor que alastra e excede O campo e o gado e os ver. A alma nada pede E o corpo nada quer. Feliz sabor de nada, Inconsciência do mundo, Aqui sem porto ou estrada, Nem horizonte no fundo.