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Frases de Fernanda Luchiari

5 frases

Façamos silêncio, meu amor. Talvez na fala você falhe Talvez os seus olhos levem os meus a... fecharem-se.
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Façamos silêncio, meu amor. Talvez na fala você falhe Talvez os seus olhos levem os meus a... fecharem-se. Talvez a verdade seja verossímil E a abstração leve-nos a ver. Talvez a liberdade emancipe-se no mundo imaterial. Talvez o pensamento emancipe-te do mundo E a concordância seja precursora da convivência E a companhia, um empirismo inerente. Talvez o devaneio destine ao amor... Talvez à apreensão. Talvez nossa relação Resuma-se ao... Silêncio?

Um par de calçados trocados A gente é uma combinação que não foi feita pra combinar. Somos um par de sapatos de número, modelo, cor e estampa diferentes, que ninguém – nem eu mesma- diria que, calçados, ficaria bom e daria pé. Tanto pé, que quando o seu anda na frente - o basta…
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Um par de calçados trocados A gente é uma combinação que não foi feita pra combinar. Somos um par de sapatos de número, modelo, cor e estampa diferentes, que ninguém – nem eu mesma- diria que, calçados, ficaria bom e daria pé. Tanto pé, que quando o seu anda na frente - o bastante para impor alguma distância -, e eu me inspiro na sua personalidade, tiro uma caneta do bolso, da bolsa ou da orelha e procuro um papel, uma notinha de supermercado jogada na bolsa, um guardanapo ou papel de pão só pra escrever o que tá pronto pra tomar forma no papel, mas tá saindo com um peso que só existiria mesmo se esses dias fossem como são - dias carregados de meses. A partir do pensamento escrito, então, você, em algum instante do meu tempo, está próximo da minha realidade mais factual. A realidade em que sou eu, o café e os bocejos pelas pessoas. O silêncio - e, apesar de tudo, as palavras do papel em pedaço. A minha vida, se eu pudesse coordenar, seria uma aliteração fundida em: Planta, pincéis e pintura, piano, poesias. E como eu posso, a minha vida involuntariamente é coordenada por você- porque ainda falta eu decidir como quero fazer o que quero fazer comigo sozinha no mundo. E mesmo quando está longe, só o que sei é que não é o hábito de arrancar cutículas junto das “pelinhas semi-soltas” dos lábios, com os dentes, que incomodam... São as minhas interrogações e a sua ausência que descontrola a minha calma e altera as disposições de tudo. Quando está longe eu sinto o seu cheiro e ninguém consegue inala-lo tão bem quanto eu. A dor é inerente ao amor ou à busca pela felicidade? Às vezes acho tristemente que sim, que ambos. Às vezes, felizmente, sim. E é por isso que, tantas vezes, eu posso anular o que eu sou - esse sapato alternativo, mas velho e com estampas batidas- para entender, viver e amar você.

Será que Fernando Pessoa conhece bem todas as suas pessoas como conhece a minha? Será que ele me emprestaria Bernardo Soares, Ou, ao menos, me pintaria na personalidade do patrão Vasques?
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Será que Fernando Pessoa conhece bem todas as suas pessoas como conhece a minha? Será que ele me emprestaria Bernardo Soares, Ou, ao menos, me pintaria na personalidade do patrão Vasques? Se eu o tivesse, daria forma a minha vontade. Se eu o fosse, Seria inacção, sonho e solenidade.

Ao menos escrevo Continuo fria e dispersa. Colocara a culpa no medo, agora coloco na covardia. Nada se aproxima dos planos de menina, nem dos planos “menos menina”. E o que eu queria era ter palavras para mentir que estava vedada e não vi as coisas acontecem (nem vi a verdade co…
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Ao menos escrevo Continuo fria e dispersa. Colocara a culpa no medo, agora coloco na covardia. Nada se aproxima dos planos de menina, nem dos planos “menos menina”. E o que eu queria era ter palavras para mentir que estava vedada e não vi as coisas acontecem (nem vi a verdade contida nos meus anseios). Desejava namorar alguém que me fizesse explodir de paixão (desatada em olhos alheios). Desejava ter ciúmes. Desejava morrer de ciúmes, sem bem conseguir dormir; pasmar de amor, sem conformismo e com ingenuidade; passar dia, noite, e madrugada com o pensamento preso, em horas soltas; roer as unhas de ansiedade para aquele alguém chegar, de ansiedade para saber se o futuro imitará o presente na sensação de que, todos os dias, a felicidade será buscada, ainda que dolorosamente. Desejava ser castigada pela força de vontade em não esmorecer. Desejava imaginar coisas ridículas; não perder traços de ímpetos infantis enquanto (incomensuravelmente) apaixonada. Desejava dois minutos de apreciação, depois de horas de saudade. Desejava, e desejava tanto. Mas não esperava que o desejo precisasse ser confeccionado com as minhas mãos. Não esperava lágrimas de espera - de espera vazia (mesmo depois das lágrimas). Não esperava o costume dos meus olhos e o compensar do meu coração; que a mágoa viesse seca a ponto de ser narrada e escrita no papel, e que atribuiria a culpa do meu mau desempenho, frente ao que aspiro, a mim mesma! Não esperava que minhas metas tornariam-se objeções vivas, vivas e latentes, racionais e distantes. São tão minhas as metas... Não porque são únicas, mas porque os sintomas, as reações que causam, são tão minhas! O presente nada mais é que uma oportunidade de projetar o que há de vir. O presente que não é uma condição para o futuro, não é o meu tempo. É minha náusea. Sinto-me livre, porque já vivi acorrentada à angústia de dizer - ainda angustio respostas pendentes com esforços que não bastaram para alcançar os desejos graves e intensos, sem repouso, sem ornamentos. Esperava, pois não tivera hora marcada com os acontecimentos. Agora é sim, ou não: Nada entre, nada mais.

A noite O olhar contornado pelo dia e, o recorte dele, desperto à noite - noite que sussurra o sono que sonha rasteiro e que resiste a você. O relógio apita de hora em hora o tempo que vai; o tempo que se esvai fora destas linhas.
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A noite O olhar contornado pelo dia e, o recorte dele, desperto à noite - noite que sussurra o sono que sonha rasteiro e que resiste a você. O relógio apita de hora em hora o tempo que vai; o tempo que se esvai fora destas linhas. A madrugada toda e eu fumando o café, tomando o garoto em palavras de gole em gole. Pasma, porque não traduzo o meu silêncio para além de três frases e uma oração, o mesmo silêncio parece ensaiar o paladar, para a chegada de algum outro significado emudecido, vindo da garganta. Toda a abstração do mundo real incidida entre os olhos recompostos, os olhos desprovidos e os olhares avulsos. Trêmula, a janela responde a força que o vento faz. E a luminária me esquenta um lado do corpo, em especial. A garoa que cai, gradativamente, dá som ao silêncio implícito no quarto, mas enegrece mais a noite. O ranger e o chorar de coisas, o passar da hora... Agora cantam sob outro volume anunciando a existência do silêncio sóbrio e comovido consigo. São três e vinte e duas da manhã.