ESCOLHAS Até que me provem o contrário, posso ir para onde eu quiser. Posso peregrinar pelo deserto da incerteza e parar por um instante para questionar a forma das dunas.
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ESCOLHAS Até que me provem o contrário, posso ir para onde eu quiser. Posso peregrinar pelo deserto da incerteza e parar por um instante para questionar a forma das dunas. Posso caminhar com meus próprios pés e rastejar quando achar devido. Ainda posso me dar o luxo de me orgulhar e de, logo depois, mudar de idéia sobre o que tenho feito. Posso supor algo e mudar meu pensamento quantas vezes forem necessárias. E não ter vergonha disto. Posso ter a certeza de que a minha mente é uma constante evolução. Certeza de que meus pensamentos regridem, mas também avançam. Eu ainda posso mastigar a areia na hora da fome e correr procurando o fim quando achar que ele é meu destino. Eu ainda possuo o direito de achar, de viver e de ser. Posso provar que vejo, ouço, sinto e toco; e estar certo de que, quando o momento chegar, perderei estes sentidos pouco a pouco. Posso ter medo e chorar quando estiver mais solitário do que de costume. Posso conversar com minha própria voz, augurando o eco. Posso dissecar minhas palavras e procurar nelas o sentido de minha existência. Posso crer que minha vida tem um propósito assim como pode não ter. Posso contar com variáveis ou ter força para subir os degraus pouco a pouco. Acredito que posso fazer minhas escolhas e juntamente suprir o desejo alheio. Ou posso apenas enfurecer minha alma e agir como se eu fosse o único. Posso me arrepender, sofrer e sorrir às momices do meu coração. Posso sentir aroma de rosas no enxofre e cientemente enganar-me com isso. Posso percorrer campos sangrentos e decair por minha intrepidez. Juro que posso moldar meu rosto ou conflagrá-lo no incerto. Posso viver como um bobo ou tornar-me amante de uma castelã. Posso passar noites acordado com os olhos na janela, esperançoso, ou apenas rabiscar a estratégia do dia seguinte. Posso acreditar que o passado foi queimado e o presente tem esse nome por ser uma dádiva. Posso iniciar a guerra em meus próprios campos ou sacrificar-me pela paz nos montes do próximo. Posso ter raízes e motivos para voltar ou encontrar novas plantações no horizonte. Posso ter infinitos motivos para acertar ou um motivo forte e finito para o equívoco. Posso ter várias escolhas. Posso eu? Ou devo?