Um dia uma estrada vou pegar
Sem olhar pra trás,
Sem arrependimento
Seguirei meu caminho sem suspirar
Pois conto com a coragem,
Não com o lamento
Essa certeza,
Sem mesmo saber onde chegar
Às costas,
Vai ficar todo o sofrimento
VIVEMOS NUMA ÉPOCA
Vivemos numa época
Que a política é controlada
Pela expectativa de reeleição
Vivemos numa época
Onde o projeto de poder
Vale mais que fazer a coisa certa
Vivemos numa época
Onde nada mais importa
Não importa se o país quebrar
Vivemos numa época
Onde ladrões nos governam
Banqueiros vivem a nos comandar
E trabalhamos apenas para consumir
Vivemos numa época
Onde os bandidos se reelegem
Pois por mais que o povo se inflame
No final, nas urnas, onde importa, tudo é perdoado
AA
Só um dia mais
Um de cada vez, uma vez prometi
A mim mesmo que um por vez, ia viver
sem olhar pra trás e nem pra frente
Um dia de cada vez
Prometi que hoje ia viver só o hoje
Só um por vez
Sem pressa e no tempo certo
Os problemas iam posar na fila pra resolver
Sem colchão e nem cobertor
E porque? Porque o sorriso do amanhã
Me olhando, obsceno, acenando
Me assustava e torturava.
Optei por uma dieta mental
Esse apetite pelo amanhã vai ficar
Nas rédeas curtas
Me chamaram de louco, devo mesmo ser, pois criei um grupo novo
Confesso: agora participo do AA
Os Ansiosos Anônimos
OLHOS DE TIGRE II
Existem pessoas especiais
Que quando sentem pressionadas
Focam no intento ainda mais
E não se sentem mal, derrotadas
Têm essa certeza tão maluca
Sem sentido e nem evidência
Parece até gente caduca
Os tombos viram experiência
Eles têm esse querer insano
De fazer tudo, enfim, dar certo
Apanham, sofrem, ano a ano
Cuidado! Melhor nem ficar perto!
Predadores, nessa atitude
Um ar de superioridade
Talvez seria uma virtude?
Têm confiança sem falsidade!
Pessoas com um olhar estranho
Impressiona, mas não denigre
Não gostam de seguir o rebanho
Carregam esse olhar de tigre
ONDE ESTÃO NOSSOS HERÓIS?
Onde estão os nossos guerreiros?
Perdidos em pensamentos inúteis
Trocaram a existência d’altaneiros
Pela mansidão de viver vidas fúteis
Onde estão os nossos generais?
Bento Gonçalves e Teixeira Nunes
Heróis de outrora, nunca mais
Revoltaram-se contra os costumes
Que fizeram com nossa coragem?
Nossos heróis viraram fantoches
Hoje somos animais na pastagem
Aplaudindo e aceitando deboches
Há tempos a nós perguntaram
Se aceitaríamos mansos e sem revolta
Entregar nossas armas, calaram
Com o “não” que veio em resposta
Mas depois de nos consultar
Decidiram fazer mesmo assim
Conseguiram ainda mais atravar
Papelório que não tem mais fim
A verdadeira razão, descobri
De toda essa sórdida tramoia
Foi tomar nossa forma, eu vi
De reagir e garantir a vitória
O medo que os assusta e assola
É que levantemos as velhas bandeiras
Que façamos da história uma escola
E tracemos as novas fronteiras
Por isso nos mantém alienados
Escravos do sistema sem fim
Corações pra sempre separados
Pra controlar é mais fácil assim
O PINTO REVOLUCIONÁRIO
Pinto que pia
Pia esse pinto revoltado
Pia e cria
Revolta quem manda no pecado
Pinto coitado!
Revolta quem manda no pecado
Pia safado!
Provoca piando e calado
Pinto cuidado!
Provoca piando e calado
Pia seu brado
Piando acaba ajaulado
Pinto calado
Piando acaba ajaulado
Foi alegado
Sumiu esse pinto, algemado
BRINCADEIRAS DA VIDA
A vida embala
A bala embala a vida
A vida embala a bala
Bala perdida
A vida esquece
Aquece e esquece a vida
A vida esquece e aquece
Aquece bebida
A vida castiga
Formiga castiga a vida
A vida castiga a formiga
Formiga caída
A vida abriga
A briga abriga a vida
A vida abriga a briga
A briga vivida
O Vazio
(Fábio André Malko)
Uma vida vivida no vazio
De pensamentos recorrentes
Traz os sentidos para o limiar
Do agora, presente, consciente
Sabores não experimentados
As novas bruxas da atualidade
Que, sussurrando, sugam vitalidade
Embaralhando a mente ausente,
Doente
O vazio de paz apavorante
Não descrito nem sussurrado,
Nem mesmo pensado,
traz calma e agrado à mente
delirante.
Vazio uivante, afiado e cortante
Fere a bruxa que insiste em
Trazer à vida os pensamentos
De toda existência em segundos
De liberdade.
Será liberdade?
O vazio é o oposto da prisão
O Caminho é o vazio, sem traçado,
Sem explicação,
Que liberta a mente vagueante
Liberta a alma que clama
Insana, delirante e impotente.
O Caminho é o vazio...
QUEM SABE UM DIA
(Fábio André Malko)
Quem sabe um dia
Depois de tantas estradas e laboriosas batalhas
Consigamos por um fim nas lutas vãs
E descansar nossas surradas sandalhas
Quem sabe um dia
Através dos ensinamentos da Arte Real
Possamos enfim entender, pelo menos um pouco
As figuras controversas que somos, afinal
Quem sabe um dia
Depois de dominar a arrogância e as paixões
Entendamos que nada adianta viver
Envoltos nessa nuvem de vãs emoções
Quem sabe um dia
Possamos olhar o GADU de frente
Pedir perdão como um velho penitente
E, enfim, descansar eternamente
O Vazio
(Fábio André Malko - 29/06/2014)
Uma vida vivida no vazio
De pensamentos recorrentes
Traz os sentidos para o limiar
Do agora, presente, consciente
Sabores não experimentados
As novas bruxas da atualidade
Que, sussurrando, sugam vitalidade
Embaralhando a mente ausente,
Doente
O vazio de paz apavorante
Não descrito nem sussurrado,
Nem mesmo pensado,
traz calma e agrado à mente
delirante.
Vazio uivante, afiado e cortante
Fere a bruxa que insiste em
Trazer à vida os pensamentos
De toda existência em segundos
De liberdade.
Será liberdade?
O vazio é o oposto da prisão
O Caminho é o vazio, sem traçado,
Sem explicação,
Que liberta a mente vagueante
Liberta a alma que clama
Insana, delirante e impotente.
O Caminho é o vazio...