A mídia é imparcial
eu li ontem no jornal,
porém hoje na TV
ouvi um crítico dizer
que o candidato
é até bonito, mas não é perito
não tem qualificação.
E por ser filho do nordeste
homem rude, cabra da peste
sofrerá oposição,
da elite brasileira
tão distinta e ordeira
que lhe mandou pra prisão.
Mas a emenda foi pior
que o soneto,
e hoje tanto branco como preto
dá perdão, pede socorro
da zona Sul até o morro
não faz mais a distinção
quer um tolo presidente
mesmo que seja um
parente do lendário
Lampião.
Quando um escritor se propõe a escrever um romance, ele pensa: “Vou fazer assim, mas perde totalmente o controle do enredo, quem de fato assume o comando é um narrador onisciente, que abusa da condição de criador de realidades inimagináveis. Uma vez de posse do escopo, estando definido o rumo a ser tomado, personagens escolhidos e nomeados, então já temos uma história, história que será revelada a cada página. O Autor, quando entrega-se completamente à voz que escuta do narrador, não pode mais mensurar as medidas da obra que pensa que escreve.
Evan do Carmo. Autor de 30 livros. entre prosa e poesia..
O tolo do Nietzsche diz que as máximas,
que ele usou exaustivamente,
são uma forma decadente de ensinar.
Segundo ele, toda máxima deve ser invertida,
para se achar o sentido, se é que
há algum sentido nos provérbios.
Concordo com ele:
"O Medo é o pai da moralidade."
Esta deve ser lida assim:
"O Medo não é o pai de moralidade,
a moral é uma invenção do medo."
Evan do Carmo
ENQUANTO DORMEM OS HOMENS
Enquanto o mundo desmorona
o poeta ainda continua
construindo castelos
em frente ao mar do absurdo
das gueras.
Em sua solidão insone
ainda encontra motivo para criar.
Como barco à deriva
conta com a sorte
espera que o vento do caos
traga uma tempestade benfazeja
que desperte do sono os animais.
Como migalhas de pão à beira da estrada
deixa rastro de compaixão e lucidez
na ilusão sublime de UM demiurgo
que seu canto rouco atonal
possa recriar outra vez
um ser melhor que nós
uma invenção melhor que o racional.
Evan do Carmo 17/08/22
Todo os castelos construídos nos sonhos são frágeis.
Sempre desmoronam com um toque de realidade,
como castelos de areia em frente ao mar,
não raro construídos por crianças distraídas.
Sobre as futilidades dos homens.
Arthur Schopenhauer conta,
que sempre que sentava num bar,
ele pegava um moeda de 20 francos
e colocava sobre mesa.
E dizia pra si:" Se a conversa destes homens
que sentam ao meu lado não girar em torno de cavalos,
mulheres e política, então eu darei esta moeda para o garçom.
Fez isso por 20 anos, e nunca ficou sem sua moeda.
Se acaso eu não for pra lá
se por ventura a poesia
me desfiar para outro fim,
lembra-te de mim
quando chegares ao paraíso,
que eu, de onde estiver
desenharei o teu sorriso
com flores,
Silêncio
Quero o silêncio
onde se cria o impossível
quero o silêncio
onde se esconde o medo.
Quero o silêncio,
onde tudo é calma
onde tudo é alma,
e sem Deus e sem culpa.
Quero o silêncio
onde o vinho é doce
e o sangue esfria
e o trabalho é livre
sem suor nem lágrimas.
Quero silêncio
pois estou cansado
de ouvir mentiras
de um oráculo errado.
Quero o silêncio
do desassossego
do amor perdido
do perdão negado.
Todo escritor que leva a sério seu ofício mais que sagrado, deve se comportar no mundo como um grão de areia. Não deve esperar que pessoas comuns reconheçam seu gênio criativo. Outra coisa é saber que sua obra sempre ficará inacabada, nunca seremos completos ou ficaremos satisfeitos com o que já produzimos.
"A coisa que tem efeito
sobre meu humor
que é capaz de dissolver minha estrutura emocional
como gelo derretendo ao sol,
é o ciume sem propósito ou razão."
FUNDO DO POÇO
Estamos vivendo
No fundo do poço
A vida está dura
Pro velho e pro moço.
A guerra e a fome
O mundo consomem
Será culpa de Deus
Ou é obra do homem?"
A doença se espalha
Fere como navalha
Corpo e alma do povo.
Mas o homem não teme
Sua sorte no mal
Cresce sua altivez
Quando a culpa é só dele
Não daquele que o fez.
Poço de arrogância
Tanto velho e criança
Sábios na intolerância
Sucumbindo ao caos.
Mas a morte é distinta
Fica a obra que pinta
Para os bons,
Para os maus.
(...) Nosso prisioneiro, como todo homem preso, se encontra sem rumo, sem ninho, não pertence a lugar nenhum, apenas existe na memória. Contudo pertencer é habitar, fazer parte. Mas pertencer é mais que estar presente como ornato. Pertencer é compor, no sentido pleno, ser coautor de uma obra em movimento. Primeiro eu me pertenço, habito este universo chamado eu. Sou dono de mim, obra em construção, sendo autor único, posso alterar o curso do projeto de vida. Mas um homem preso não pertence a nada nem se pertence.(...)