“Ninguém nasce com missão predefinida, o homem, aos poucos vai se arranjando em meio ao caos, e suas descobertas lhe possibilita o ser. Mas o que define verdadeiramente o que somos, são as nossas ações, portanto o conjunto da obra revela, de forma incontestável o caráter e a índole de seu autor.”
A veracidade da expressão: "não há um homem verdadeiramente sábio no mundo", reside no fato de que todos os homens comentem enganos, e está diretamente ligada à imperfeição humana. Uma vez que, caso realmente houvesse alguém sábio, invariavelmente agiria sempre bem, não cometeria erros, em qualquer campo da vida, onde fossem registradas as suas ações.
Só existe uma forma irreversível de miséria humana,
a completa falta de humanidade é a ausência de afeto
seja este amoroso, romântico ou parental.
Apenas destes seres ocos de divindade devemos ter dó,
por estes devemos ter infinita compaixão e lastima.
Miserável, portanto, é todo homem que não conheceu o amor,são de fato necessitados, carentes ao extremo deste bem supremo, destes eu tenho muita pena, e ao mesmo tempo receio mórbido de sua companhia, pois, ao passo que são miseráveis, são também perigosos e extremistas radicias.
Ao menino que me faz voltar no tempo.
Posso sofrer a relembrar o passado
mas não posso evitar esta viagem
uma árvore não pode florescer nem dar fruto
se não tiver consciência física das suas raízes.
Antes da maturidade poucos homens
têm necessidade de voltar às suas origens
talvez por ingratidão gratuita ou receio
de encontrar sua verdadeira essência.
Vejo chegar, quase que diariamente
reminiscencias do que fui, nostalgia cara
que não raro me custam lágrimas
outras vezes parto e poesia.
Assim hoje penso, ninguém pode viver
alheio aos atos e fatos pretéritos
o menino que fui produziu o homem que sou
e este homem não viverá se ignorar suas raízes.
Lá neste passado onde mora o presente
encontro só lembranças luminosas
são referências, seivas que me formaram
proteínas espirituais que ainda me alimentam.
Para Josivaldo Bezerra, o menino que me fez
voltar no tempo.
Como Neruda
Quisera eu fazer poesia como Neruda
no entanto, que bandeira ei de erguer
com a minha poesia ativista?
Nas Américas de hoje não há mais luta
nem disputa, nem suor nem sangue
nem cicuta. Sobretudo na América
onde vivo, se respira um ar putrefato
de hipocrisia ideológica, a América Latina de hoje é uma latrina de corrupção fisiológica.
Então farei poesia de protesto
contra a falta de honra dos poetas
dos homens públicos e privados
este é o meu último desejo
Minha poesia
Minha poesia não é de fado
nem de medo, nem de tédio
minha poesia não é de hoje
aos que dela se alimenta
não trás culpa nem remédio
Minha poesia é riso ao que chora
minha poesia nunca foi despedida
minha poesia, inoportunamente fica
quando lhe pedem pra ir embora.
Minha poesia não é de angústia
nem de saudade dolorida
minha poesia vislumbrar o futuro
se agarra ao presente e dele suga vida.
A melhor e mais fascinante fantasia humana é sua esquizofrenia espiritual, a criação lírica do imanente. Se a inteligência transcende a carne inerme, o homem pode vislumbrar, não apenas um paraíso florido e um rio calmo e permanente. O espírito virá a conhecer o supremo dom do pensamento, poderá explorar, fora dos limites da alma atômica, toda a substância cósmica do universo.