A bordo de mim Trancafiada em mim, no abismo, vi:
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A bordo de mim Trancafiada em mim, no abismo, vi: o mar se revelou. Oculta, embalo o fim, estou a bordo. O inundar do mar, sôfrego mar, vem se lamentar. Pálido. Gélido. Seco. Escureceu, não sou mais eu: o mar sou eu. Fugi sem ar, pra me enclausurar num olhar sombrio. O medo embarca, revira marcas do meu pesar. As ondas vêm, molham meus pés, e eu, mergulho. Vento bravio, calafrio me faz chorar. Tempestade à vista: o barco vira, e eu me embaraço no relembrar. Aos prantos, grito: sou eu o mito desse tal amar? Ouço gemidos do fundo do mar. O horror me chama, me mostra além um antigo olhar. Quando era ardor, quem sabe amor levou o mar. À deriva, na noite, tento me refugiar. E a negra vem me acompanhar. Seus braços frios acariciam meu perturbar. O barco vira. O retrato quebra. Meu pesar, disperso. Corta meus pés. Ao chão, debruçada, sangro, sem dor. Junto os pedaços, varro os cacos de um amor opaco. Mas a água vem. As correntes vêm me soterrar. O barco alaga, afunda lento, o vento consente meu naufragar. E a brisa leva o que restou de mim. Meu ser se afoga. O sal corrói esse sôfrego amor.