Alguns, quebram as asas,
mas não desistem,
outros,
voltam para a gaiola de ouro
e acabam seus dias
sem saber exatamente
o que estavam fazendo por aqui.
do meu poema - Era uma gaiola de ouro
Nos finais de semana era meu
o Jardim Botânico,
quanta aventura vivi lá,
roubando jambo,
abraçando árvores,
entrando na mata
e sendo impedida pelo guarda
que me obrigava a voltar.
do meu poema - Meu Rio de Janeiro
A vida começa todos os dias
e mesmo no meio do caminho
ainda podemos voltar
e seja lá como for,
quando se trata de vida
é melhor nem questionar..
do meu poema - Vida
Eu serei como a luz
de uma estrela,
somente quando
aprender a construir um céu
e compreender
que ainda assim,
o vento poderá apagar-me
bem antes de eu chegar lá.
do meu poema - Minha luz
Cidadã de mim...
Eu não tenho religião,
mas creio em um Deus.
Eu não tenho partido politico,
mas tenho meus ideais.
Eu não tenho o mundo nas mãos,
mas estou nele.
Eu não quero ser você
porque gosto muito de mim.
Eu não sou o vento,
mas amo voar com ele.
Eu não grito quando falo
meus olhos dizem por mim.
Eu sou a força,
mas sou fraco quando tenho medo.
Tudo isso é meu
para que eu possa admirar,
não preciso da posse para ser feliz,
mas preciso ser feliz
para não precisar dela.
Eu ouço minha voz interna,
mas escuto o que você diz.
Posso ser teu melhor amigo,
mas é de mim
que posso ser,
o pior inimigo.
A vida,
pode não ser tão fácil,
mas a criatividade
e a dificuldade,
costumam ser aliadas
e juntas,
de mãos dadas,
podem produzir,
a mais bela obra de arte.
do meu poema - Criatividade
Eterna floração...
Havia sempre flores
e o perfume que invadia a casa
tornando o ambiente agradável.
Vestia meu quarto de azul claro
para sonhar em cor de rosa
e ficava deitada ali
vendo a lua que me olhava.
Em outras noites,
eram estrelas que piscavam
cúmplices de meus sonhos
que junto a mim,
alimentavam.
Era uma infinita primavera
e as estações
pareciam combinar entre si
e deixar
que os jardins permanecessem
em eterna floração.
Passava ali boa parte do ano
e quando partia,
iam comigo o aroma,
o céu estrelado
e a saudade que sentia
bem antes de sair.
Tudo agora me faz lembrar
e continuar a sonhar
tão bonito como eram
os sonhos daqueles anos
que no tempo
não se perderam,
ao contrário,
me seguiram sem perguntar
quando iria realizar.
Passando...
Em tudo,
há poesia e beleza sem fim.
Na suavidade das mãos
que seguram as rédeas,
no trotar do cavalo
e na organização das ovelhas.
Na paisagem
que também admira
o passar dos cavaleiros
que vão sem pressa
levando o rebanho
para outras pastagens
e deixando ali,
saudade,
desse mundo sem fim.
A alma livre...
A alma,
vai livre pelos campos
e se desvencilha dos véus
que a encobriram por um tempo.
Leva somente a liberdade
que sabia estar à sua espera
ao deixar o corpo ir
no final do tempo marcado
para esse existir.
Peregrina além das montanhas
em busca do elo
que a une novamente ao eterno
temporariamente dela,
afastado.
Curva-se diante da luz
e segue seu novo destino
que já foi delineado.
Não sou sempre flor...
Muitas vezes,
sou a flor
e em outras,
nem o perfume delas,
apenas folhas secas pelo chão.
Não me queira sempre igual,
sou diferente todos os dias
e nem sempre,
tenho um sorriso.
Sou mesclada de todas as cores,
um rio que corre sempre
e mais adiante,
atravessa os campos,
montanhas
e volta para a planície.
Leva contigo meu riso,
junta teus sonhos aos meus
busca mais um pouco de mim,
eu levo comigo teu abraço
e juntos,
um pouquinho de cada um,
vamos seguindo assim..
E o poeta...
E o poeta é amado
e odiado
porque sem escrúpulos,
ele entra em nosso quartinho dos fundos
e faz um estrago em nossos medos.
Sem pudor,
mexe em nossas feridas
que acreditávamos cicatrizadas.
Esse esconderijo é descoberto
e a culpa é do poeta
que do poema sereno
e da paixão intensa
que sempre escreveu,
foi até o fundo da alma
e buscou,
o que tínhamos medo de saber.
Mexeu em nossos segredos
e abriu a porta,
com alguma palavra mágica
que não ousaríamos pronunciar.
Depois,
foi embora sem culpa
afinal,
o que ele sabe fazer,
é poetar.
Saudade para eu lembrar...
Era uma saudade especial
com vontade de abraço,
de silêncio,
um querer pegar na mão
e olhar nos olhos,
saudade de ficar feliz.
Foi neste parque bonito
que ao caminhar sozinha,
me via contigo
e de mãos dadas,
não dizia nada
nem você falava,
era uma ida e volta
sempre calada,
coisas de enamorada.
Os dias mudaram,
veio o outono
e pessoas novas
por aqui passavam,
caminhavam com pressa
e sem olhar a paisagem,
logo iam embora.
Poucas voltavam.
O inverno veio,
as folhas cairam
as andorinhas partiram,
janelas foram fechadas
para o frio não entrar
e ficou mais uma saudade
para eu lembrar.
Fui na fonte...
Fui na fonte buscar água
para lavar meu coração
e no caminho,
encontrei um anjo
que pegou na minha mão.
Me disse que algum dia,
eu contaria os meus segredos
que foram embrulhados
e amarrados,
com fita de cetim rosa.
É assim
que eu guardo,
um pouquinho mais de mim.
No meio da floresta,
parei para ouvir a orquestra
que sempre encantava
quem por ali passava.
O maestro era o vento
e os músicos,
eram os pássaros.
O balançar das árvores,
eram as notas especiais.
Fiquei ali,
durante algum tempo
e quem fez companhia,
foi a paz.
Mude...
Então vire de cabeça para baixo,
dance no meio da rua
e grite para que saibam que ainda vive,
escreva teu diário no livro quadrado
e depois corra,
pegue este trem
e vá para onde teus sonhos
te prometeram levar.
Siga uma rota diferente,
não limite nem um passo
que deseja dar,
ande na direção contrária.
Desate teus nós
e coloque apenas vírgula
no lugar do ponto.
Jogue fora o guarda-chuva
e deixe a água te molhar,
saia como um louco sem rumo
e o resto,
deixe como está,
o problema não é seu
não aceite mais nada
que possa te podar...
Porteira aberta...
Eu sinto muita saudade
daquele aconchego do campo
e daquela porteira sempre aberta,
esperando para eu voltar.
Eu nunca esqueci
o canto dos passarinhos
que voavam de um lado ao outro
e só iam embora
quando a chuva caia
e molhava o canteiro das rosas
onde um dia eu havia plantado,
o amor que por ti, crescia.
Saudade das noites estreladas,
do luar que me fazia sonhar,
das flores do alecrim
e das lavandas perfumadas
lá no meio do jardim.
Nunca esqueci do limoeiro
e das flores do laranjal
que exalavam tanto perfume
no fundo daquele quintal.
Saudade de quando
bem cedo eu acordava
e da minha janela avistava,
o sol dobrando na curva
e de longe já avisava
que o dia seria bonito,
naquele céu de azul infinito.
Mas saudade é só lembrança
dos bons momentos vividos.
Há quem nunca sinta saudade
porque nunca viveu de verdade.
manuscrito de 2011/ARQ/19.097//
O perfume dos deuses...
Talvez me perca
em algum campo florido
onde o perfume
me leva a sentir
o aroma das flores
que me faz ir,
até onde estão
os mais nobres frascos
das essências especiais
e guardados em lugares
secretos e distantes,
há milhares de anos.
Eram reservados aos deuses
que alimentavam ilusões
e faziam acreditar
na possibilidade da magia
para a realização de sonhos
acalentados durante a noite.