TUDO!
Não há um só dia
Em que eu não durma falando o teu nome
E não desperte pensando em ti.
Tu és a razão dos meus risos bobos
Das minhas gargalhadas estrondosas
E dos meus profundos silêncios.
Meus versos de amor? _ são teus!
Se não os deseja, atira os às ventanias
Pisa os nos quintais!
Porque tu és o motivo dos meus dias de sol
E todo o porquê das minhas noites de insônia
Minha alegria, minha tristeza e minha euforia!
Fiz de ti meu pecado e minha remissão
Minhas tormentas e minha calmaria
E como fazer de ti,tudo foi pouco
Fiz te poesia!
Elisa Salles
(Direitos reservados)
Pensar em ti me enterneci
Enleva meu pensamento
Me anuvia o juízo
E me leva à paragens suaves. ..
Não é somente a lembrança dos teus beijos
Nem o reviver do gozo arrebatado
É a pureza do amor que fazemos
Sem fingimentos e sem fraudes
Como sempre foi
Como sempre há de ser.
Por isso o semblante feliz
Por tal o desenho do sorriso
O pensamento em ti
Tudo que dá sentido ao meu dia
Tudo o que preciso!
Elisa Salles
(Direitos reservados)
Penso em ti
Perco o sono
Queima me a carne
Inquieta me a alma ...
Tudo me agita
O mar que açoita os corais
Os ventos nos coqueirais
O cão moribundo que uiva nas ruas. ..
Desejo com ardor a tua presença
Meu coração pena em saudades
Quem me dera, agora, ser tua!
E enquanto as horas rastejam, lentas
Busco palavras para exprimir no poema
Toda loucura desta paixão que por ti confesso.
Elisa Salles
Direitos reservados
O QUE SOMOS?
O que somos nós, afinal?
Flutuamos pela vida à fora
Folhas secas, passarinhos
à vontade do vento...
Somos amores que se perdem,
Sonhos que acordam
Somos tudo. Somos nada!
Sentir e pensamentos...
Em nós tudo é muito fugidio
Tão inconstantes...
No entanto somos magníficos,
em nossas alegrias e tristezas dúbias.
Vivemos ilusões de um " talvez",
tendo diante de nós uma realidade
que a alma recria.
... Motivos para prevalecer.
Somos gritos na escuridão.
Somos vozes que ressoam
Palavras nunca ditas
Somos as águas no moinho do tempo
Dia de lacunas escancaradas;
outros, cubículos de solidão,
cárceres que nós mesmo erguemos
ao nosso retor...
Mas
somos o que somos
e o que, em que, tentamos
nos transformar.
Evolução
ou
Estagnação do ser.
No entanto somos o milagre
A mais bela obra da criação de Deus;
perdidos nos caminhos de si mesmos,
sem saber o que fazer com o livre arbítrio
que nos fora concedido
De que nos serve a liberdade,
se não sabemos por quais céus voar?
Somos belíssimas complexidades...
Saudades...
Ai, o que fazer destas horas de fastio?
Dos momentos de solitude imensa...
A ausência dos teus beijos me consomem
E nada que faço preenche tua ausência.
És a cor do bordado dos meus tempos...
O matizado dos meus céus à alvorada!
E o que ei de fazer se tu não vens?
Deixa-me oca. Triste... Desconsolada!
Volta querido, rápido aos braços meus!
Apressa-te à oferecer-me tuas ternuras
Vem pousar borboletas nos meus umbrais.
Pois que do corvo já me fartaram os versos
E o roseiral seca ante os meus silêncios
Sê novamente a brisa nos meus madrigais.
Elisa Salles
MEU AMOR. ..
Enquanto a chuva cai _ dilúvio sobre o mundo
E as multidões se escondem do vento frio
Eu descanso meu eu no teu colo macio
Num abraço silencioso e profundo..
E das mazelas desta vida de nosso Deus
Me esqueço enquanto tuas mãos passeiam
Sou apenas desejo, meus sentidos anseiam
Pela boca morna que abarca os seios meus.
Acaso dirão de mim ser uma mulher egoísta ?
Posto que esqueço do mundo quando te amo
Não creio que este sentir seja vil e profano!
E se disserem, não ouvirei tamanha vilania. ..
Dói me a dor das gentes, choro e lamento
Mas não posso fazer de ti menos amor e poesia!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados?
Ansiedade. ..
Sinto por ti desejos que nem ouso nomear
Anseios de mãos à resvalar pelo meu corpo
Tranquilas e certeiras como a brisa dum sopro
Atiçando minhas chamas, me chamando para amar. ..
Seria muita ousadia dizer como tanto o quero
Talvez fosse loucura dar nome à este sentir
Despudor insandecido da minha carne à rugir
Gritando em silêncio por tua presença _espero!
E enquanto o aguardo toco_me na intimidade
Desaguo lentamente por rios de luxúria
Em pensamentos que delatam minha verdade.
Por isso nada digo e tudo ouso sentir _tudo!
Enquanto lá fora a noite cai languidamente
Mas quando chegares o terei como nunca_eu juro!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados )
A falta que me fazes. ..
Faz me falta.
Não uma falta qualquer
Tenho por ti ânsias de abstinência ...
Dói me as entranhas
Desassossega me o ser
Convulsiona me a alma.
És a visão que meu olhar almeja
O sabor pelo qual meu paladar saliva
A musicalidade perfeita à minha audição.
És a razão das minhas filosofias
A cura para minhas manias
A tranquilidade para o meu ser.
Por tudo e por tanto, faz me falta
Não uma falta qualquer!
Tenho por ti ânsias de abstinência.
E quando não vens
Sou só solidão
Meu sol já não brilha
Não floresce a margarida
A lagarta não metamorfoseia em borboleta
As estrelas não cintilam no cosmo e o poeta não transcreve o verso.
...És todo meu universo!
Então amor
Apressa te à correr para os meus braços
Para preencher meus abraços
Para tomar para si meus beijos de cereja
E curar me desta doença que é a saudade abismal que sinto de ti.
Elisa Salles
Manhã de musicalidade
Uma manhã o bem-te-vi pousou no meu laranjal
Uma presença tão magistral
Silenciosa...
Mas a ternura que suscitou em minh'alma
pareceu uma sonata de Chopin...
Fez-se dança em mim.
Contemplei-o
Me aquietei os gestos
Quisera congelar o tempo
Afugentar o vento
Nestes dias isentos de alegria,
sua presença foi poesia
Fez-se verso em mim...!
Mas de repente
bateu asas.
Se fez ausente
Tristemente...
Calou-se o amor na flor de laranjeira
Felicidade passageira.
Virou poema.
Tornou-se saudades, enfim.
VENTO VENTANIA
Vento ventania me leva agora até ele
Afugenta as aves frias, agourentas
Na ânsia que a minha pele à dele empele
No desejo que dor alguma afugenta. ..
Traz o cheiro dele nas velhas canções
Tocadas lá na Serra em tempos memoriais
Que ele e eu sejamos dois corações
Que se adoram ante os sagrados ancestrais
Sopra aos meus ouvidos a voz baixa e rouca
Com que ele me jura amor e desejo
No abraço apertado, na doçura do beijo.
E quando indagarem sobre nós, amantes
Diga ventania, que maior amor nunca haverá
Conjugando na alegria o verbo amar!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados )
APENAS EU. ..
Não sei te querer um pouquinho
Não sei te amar de mansinho
Desejo te como os temporais
As ondas bravias que esfacelam corais
Sem meios termos ou ponderação
Te quero com loucura
Na avidez que te devora
Te bebe em doses colossais
Até que escorra pelos cantos da minha boca
...quero arranhar as tuas costas
Arquear meus quadris ao encontro dos teus
Mais profundo. ..mais profundo. ..
Com a lassidão dos devassos
Na pele um calor imenso
No peito um arfar intenso
Em pensamentos atordoantes
Numa vida toda num instante
Mais forte agora do que antes!
Porque não sou de amores de calmaria
Ou sou tudo ou sou nada
Ou fico de vez ou vou embora
Ou grito ou silêncio a voz
Porque te amo com um amor feroz
Então não me peça amenidades
Superficialidades não me definem
Permite apenas que eu seja eu
E sendo eu, seja tua. ..
Apenas isto e nada mais!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados )
Não sou para ti mistério
Conheces todos os meus segredos
Sabes de todos os meus desejos
Recebeste minhas confissões
Ouvistes sobre meus medos e minhas dores
... sabes que sou flores
Mas também sou espinhos!
Porque diante de ti dispo meus véus
Meus céus se enchem de sol
E toda treva se torna em luz.
Portanto não sou para ti enigma
Sou amor
E me dispo
E me entrego
Como sei ser
Como sou.
Elisa Salles
AMAR
Quando o amor nasce na cerne da gente
É como se estrelas ofuscassem o olhar
Dá uma vontade de dançar de repente
É no universo do ser amado se afogar...
O tempo ganha ares de " para sempre"
O céu se torna mais claro e o dia sereno
Euforia e calmaria são paradoxos presentes
Os medo da vida, num segundo, mais ameno.
Há uma musicalidade constante no ar
As margaridas são ainda mais viçosas
E cores mais azuis ganham as ondas do mar
É como se em vigília se estivesse a sonhar...
Suspiros e risos tomam conta da alma
Tudo pela loucura e a doçura de amar!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados)
BEM DE TERNURAS
Saudades de te tocar, amor dos meus dias
Vou tecendo sonhos na ânsia de encontrar te
Em fantasias de beijos e toques __disparate
No qual me atiro sem preâmbulo ou apatia.
Quero teus braços enlaçados na minha cintura
Num desejo puro por toques ardentes
Sob teus dedos de amante. Ágeis e salientes
Com que suscitas minha indecência pura!
E enquanto lá fora as horas correm __vadias
Entregar me por inteiro, corpo, alma, ser
No prazer imenso de à ti, meu bem,pertencer.
Por isso dói me tamanho estas lunjuras
Esse espaço de terra e tempo entre nós dois
Amo te tanto e ainda mais_ bem de ternuras!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados )
MOÇO PRIMAVERA
Tens este rosto de menino tão belo...
A primavera já se insinua por tua pele
Numa sandice que tudo deixa, nada repele
É todo o primor de beleza que anelo!
Na boca rubra o sabor antecipado do beijo
Nos olhos azuis céus e mar se fundem
Por tua causa moço, minhas ideias confundem
Entre ternura, meiguice e desejo...
E quando vens com as flores silvestres
Adereço minhas mãos com rendas e rena
Para afagar tua face de marfim_ serena.
Portanto não há lugar onde eu queira estar
Senão perante tua presença que é todo encanto
No verso pleno de poesia e sem pranto!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados )
AMOR, BENDITO AMOR...
Te amo como uma louca alucinada
Varo dias e noites à pensar em ti
Numa entrega passiva, apaixonada
Chega à ser uma angústia sem fim...
Mas dou a vida por tamanha aflição
No desespero de aguardar tua chegada
E suportar a arritmia do meu coração
Pela ânsia de ser por ti amada.
E quando as estrelas brilham no infinito
Com os olhos fechados te imagino
O teu sorriso neste rosto bonito...
E amando-te faço minha vida ter valor
Pois ao te amar contemplo o universo
Mil vezes bendito seja este amor!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados)
UM BEIJO ASSIM...
Um beijo à mais, amor...
Somente mais um beijo
Mas não um beijo qualquer
Um beijo cheio de eternidades
Que venha sem muito pensar
Mas que seja pleno de ternura
Ao mesmo tempo que de paixão
Que tenha gosto de morango
Uma saliva doce
Que me encha a boca
Mas também que preencha o ser
Que suscite euforia
Um rubor na face
Mas também calmaria
Apenas mais um beijo
Um beijo assim
Que me faça ter vontades de escrever poesia
Era este o beijo que eu queria
E você negou à mim.
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados)
SIMBIOSE
Vamos nos misturar.
Nos tornar um
Transladar nossas essências
Numa indecência inocente
Sem pudor, declarar
o nosso amor...
Não há dúvida ou paradoxos
Não há medo, não há dor.
Na saliva e no suor
Há beleza
Há arte
Há poesia
Uma harmonia que preenche o cosmo
Paixão em homogeneidade
Minha pele na tua
Minha nudez nas tuas mãos
Na compleição dos gestos
Na pureza dos complexos
Nos movimentos aleatórios
Simbióticos
Com plexo e sem nexo
Somos o côncavo e o convexo
Somos razão e emoção
No meu
No teu
Coração.
ENTREGA
Nada há em mim nada que não te pertença
Todo o meu querer
Todo o meu sofrer
Minhas saudades
Minhas verdades
Minhas loucuras
E minha razão!
Amo te como só os loucos amam
Sem pensar
Sem pesar
Sem culpas
Ou desculpas
Num desejo puro
Que não se corrompe
Que se entrega
Com simplicidade
Na carnalidade
E no sentimento.
E é assim que te pertenço
Não forçosamente
Não sem desejar
...sou o que sou
Quem eu sou
Toda a minha essência
Toda a minha carência
Minhas certezas
E ambivalencias ...
Porque não há nada em mim que não te pertença!
...Minha alegria
Minha apatia
Meu eu
E minha poesia!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados)