GRATIDÃO. ..
Quando entrou na minha vida
De uma forma despretensiosa
Sem planos de dias seguintes
Sem intenções de eternidades
Eu nem sabia mais quem eu era
Estava perdida no labirinto de mim mesma
Dando voltas em torno de lugar algum
... Um olhar nos olhos teus
Poucas palavras
Grandes atitudes
E de repente me vi vivendo outra vez
Sentindo mais uma vez o sol no meu rosto
Sorrindo das minhas próprias inquietudes
Transpondo muralhas
Movendo moinhos
Tecendo novas histórias
Hoje não sou por ti só desejo
Só a ânsia pelos teus beijos
Só a vontade dos teus abraços
Sou gratidão
E nem preciso te dizer
Tu sabes
E faço de ti verso
Côncavo e convexo
Riso e alegria.
Elisa Salles
ATREVIMENTO
Atrevo me à chama_lo de paixão do meu dia
A traze_lo aos meus sonhos mais ousados
Não imputo ao meu desejo erros ou pecados
Entregue ao prazer com que me possui e alicia
Permito que me dê o nome que bem quiser
Sob teu corpo grito de desejo e doçura
Quando me adentras as brechas com loucura
Sinto_me como nunca antes_ sou tua mulher!
Fora de nós os ventos balançam os canaviais
Quase posso ouvir os murmúrios do mar
Enquanto me tomas para ti um pouco mais. ..
Portanto por este atrevimento peço te perdão
Em te fazer o objeto do meu querer e amar
És meu homem_ E da poesia a razão!
Elisa Salles
(Direitos reservados )
Minha ruazinha...
Minha rua é tão bonita
Tem uma magia ímpar
Um quê de lar
Um cheiro de bolo de fubá
Um frescor de margaridas
Minha rua tem risos
que somente tem por lá!
Suas casas antiquadas
de arquiteturas ultrapassadas
não chamam a atenção de ninguém
Por elas não se dá nada!
Mas ali há tanta vida
Tanto calor...
Violetas nas janelas
E avós cuidando delas...
Sagrado dulçor.
Hahh, minha rua,
Minha simples ruazinha
Rua da minha doce infância
Que me trás tanta lembrança
e que hoje , guarda em si,
de mim,
a poesia.
TATUAGEM
Marcou minha pele
Estigmatizou minha alma
Sangrou meus sentidos. ..
Não há em mim desejos alheios à ti
Meus olhos vagam em busca dos teus
Minha boca saliva à idéia do teu gosto.
Fui marcada pelo fogo da tua paixão
Pelas tuas mãos de ferro e nanquim ...
...Marcou me a pele
Estigmatizou minha alma
Definiu minha poesia
Fez de mim serva e senhora
Dor e alegria!
Elisa Salles
(Direitos reservados )
Enquanto te espero. ..
Enquanto te espero varro mundos de solidão
Tanscrevo o amor em mil versos
Translado cata ventos e beija flores
Corro continentes e mares
Canto as paixões lá da Serra. ..
Enquanto te espero, meu bem querer
Sou a ternura que permeia os sonhos ainda não bordados nas odes do tempo
Sou a esperança de abraços e beijos quentes
Sou a fé que acalenta o coração das gentes
Sou toda a gentileza que acaricia as almas.
Porque te espero
E porque te espero me faço poesia!
Elisa Salles
Olhos que tudo vêem
Te vejo com meus olhos rasos d'agua
Com teu desdém me fizeste sofrer
Deixaste meu coração imerso em mágoa
Não sei se almejo viver ou morrer!
Porque me mostraste o céu de estrelas
Para depois confinar me numa prisão?
Se eu nunca poderia vê las
Para que sonhar com elas então! ?
Ver tudo é sofrer em vão _imensamente
Não poder bater asas e voar livre
Ver com olhos que tudo sabem e tudo sentem!
Por isso,amor, choro deste mundo toda a dor
Quedo me ante mares de tristeza e solidão
Meus olhos tudo vêem. ..tristeza e amargor!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados )
AMOR IMENSO AMOR
No teu corpo, meu corpo verbaliza, passeia
Recitando versos, desejos ternos confessos
Na doçura do toque que minha pele anseia
Na beleza do amor _luz de todo universo!
E ainda que se cale no cume do monte a brisa
E os frutos da figueira sequem ao anoitecer
Ainda serás da minha poesia a razão consiza
Com a qual translado a dor do viver. ..
Pois quando vens enches meu tempo de gozo
Na gargalhada límpida _águas do ribeirinho
Nos braços, todo o remanso e repouso.
Portanto, toma meus delírios _sonho fecundo
Beija me a boca, sente o gosto doce do mel
Pois o amo agora e até o findar do mundo!
Elisa Salles
Direitos autorais reservados
AMOR IMENSO, ATREVIDO
Por mais que eu cante, pleno, o amor
Que encontre o vocábulo mais perfeito
Jamais o declararei com tamanho ardor
Este sentir que por ti trago no peito...
Direi que é imenso e fundo quanto o mar
Que é mistério sublime tal qual o vento
Todo o versejar é pouco para tanto amar
Para tal sentir não chega meu pensamento!
Sou uma poetisa imperfeita ante tal enlevo
Não há métrica ou lirismo para este poema
Amo-o tanto, querido. Nem sei se devo...
Mas ainda que a minha poesia seja finda
escreverei todos os versos. E mais ainda
Pois amar-te é o que sei. Então me atrevo!
Elisa Salles
Direitos autorais reservados
SINCERIDADE
Não é nada
Ou quase nada
Ainda não sei.
É só essa vontade de ti
De te beijar em silêncio
Acariciar te o rosto
Como algo sagrado
Que se quer tocar
Mas teme.
Um desejo enorme
Quase infame
De adentrar pelas portas
Escancarar as comportas
E se render. ..
...sem caos algum
Sem explicações
Se doar
E que lá fora a vida siga seu curso.
Apenas um pensamento ambíguo
Um querer bem
Mas não é nada
É quase nada
Sinceramente
Eu não sei!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados )
AMOR INCONFESSADO
E enquanto faço de ti sonho
Trazendo te à minha existência
Sinto teus beijos de amora
Descanso em teus abraços
Provo do teu gosto
Me embriago de ti. ..
E ainda nem sabes
Nem poderias saber
És meu amor platônico
Desses loucos amores irônicos
Que sangra a alma em agonia
Que rouba o sono
Mas que não se pode declarar.
Amo te assim
Loucamente
E ainda que não saibas
Creio que não há coisa mais sagrada
Que este sentir transloucado
Pecado inocente
Inconfessado
Que em silêncio
Ouso viver.
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados )
PENITÊNCIA. ..
Se te desejar com tamanho ardor for pecado
Que Deus tenha piedade da minha existência
Visto que a desejo como um transloucado
Que se entrega sem pudor ou decência!
És o véu que permeia todo o meu pensamento
Desde a alvorada até que o dia silencie a luz
És a cor dos meus olhos_ sagrado momento
Em que rabisco a poesia que te toca, seduz...
Quando te beijo vou à Caciopeia num instante
Toco teus seios com sagracidade e enlevo
Porque todo o meu prazer é ser teu amante!
E se ainda assim minha alma for sentenciada
À escuridão do limbo onde vagam os bichos
Não poderei querer te menos; minha adorada.
Elisa Salles
Em versos de um Lord
Direitos autorais reservados
O DOAR INCOMPLETO
Escondes de mim os olhos castanhos...
Furta-me sentimentos que conquistei
Toques profundos, no entanto, estranhos
Caminhos obscuros nos quais já andei.
Oferece-me a boca, mas nunca a alma
Abraços cansados; carícia mal parida
Um ardor doado que à mim não acalma
Toque que se liquefaz, perde-se na vida.
Não chegas com a sinceridade da razão
Também não vens trazendo tua crueza
Parte-me a inteligência e o coração!
Pois teus olhos castanhos nunca vejo...
São dois poços vagando nas órbitas
Pouco amor para o que doo e desejo!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados )
SOU POR TI. ..
Sou feita de um eu quebradiço, frágil ser. ..
Transito entre mundos ainda desconhecidos
Hora sou folha aos ventos, quase à perecer
Hora vendaval que açoita oceanos perdidos.
Mas de tudo que permanece, palpável rocha
É tua presença sólida, inalterável fundamento
Como o antever da primavera que desabrocha
Ou as águas que impelem os moinhos de vento!
Pois és o chão onde firmo meus passos
O travesseiro onde repouso minha cabeça
Na doçura da tua boca, no calor dos teus braços.
Porque sou feita de dores e medo. Não de flor!
E se ainda sou verso, sou por ti. Não se esqueça!
Na carícia da ternura, na doçura do amor!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados
...O FIM
Há pedaços da minha vida no asfalto
Carnes dilaceradas
Fragmentos de pele
Mostras de tendões e nervos.
Tudo lá
Exposto
Um belo circo de horrores...
Fora atropelada pela nostalgia
Pelo reprisar dos dias
Pela agonia da mesmice
Pela ausência de amor
...Ou quem sabe,
pelo excesso dele.
Jogado ao relento.
Indigno
Reles indigente...
Sim, há pedaços de mim no asfalto!
Há curiosos que transitam por ali
Há nos rostos de alguns, traços de pesar
Em outros, repulsa
Indiferença...
( E qual é a diferença?)
Já não fora sempre assim?
Por isso jaz ali...
Os destroços de mim
Dos meus sonhos
Das minhas esperanças
Dos meus planos para ser...
Esposa
Amiga
Mãe
Amante...
Ser...
Feliz!
Mas não há nada
Não pode mais existir
À não ser os pedaços da minha vida
no asfalto.
... E uma chuva fina desce sobre ela
Alguém toma uma cerveja no bar da esquina.
Um brinde
à vida que eu poderia ter tido.
Memórias...
Cada vez que pego na caneta
invoco lembranças tuas...
Foi a tanto tempo, meu bem
... Mas o que é o tempo
contra o amor?
Nem mesmo sei por onde andas
Com quem escreves tua vida...
Se pensas em mim quando olhas o oceano
Quando as ondas beijam teus pés,
lembras dos beijos meus?
Tão seus...
Encontro poesia nestas memórias
Componho meu verso ao som do amor perdido
E nas madrugadas, quando ouço as ondas
açoitarem os rochedos; posso jurar
que ouço a tua voz me sussurrando ternura eterna.
...Doces ilusões as minhas.
Mas como são breves algumas eternidades...
Com os dias alguns esquecem
Desfalecem a paixão
Folhas caem ao chão
Novos outonos...
Novos verões,
... Novos.
Outros permanecem.
Eu permaneci.
Canso o papel, gasto a caneta
É a tua presença imortal, em cada linha
O que foi areia que escorreram por entre os teus dedos,
para mim, foi, e ainda é.
Meu amor.
Sempre, universo.
VENHA. ..
Quando quiser, venha
Já despi minhas máscaras
Já aplaquei meus cansaços
Deixei lá fora as loucuras da vida
Me esqueci dos meus medos
Escondi minhas feridas
Anestesiei a minha dor.
Estou desejos de carícias na alma
De toques de ternura na cerne
De silêncios que gritam verdades...
Venha como quiser
Mas venha por inteiro
Deixa lá fora tuas reservas
Não precisa trazer promessas
Nem falsos galanteios
Nem traga flores nem vinhos
Traga tua boca quente
Tuas mãos eloquentes e inquietas
Teus anseios mais arcaicos
Tua transparência intacta
Teus instintos de bicho no cio.
Estou aqui
Quando quiser venha
Sou a mesma de sempre
A mulher que te quer
Do jeito que tu és
Da forma que me satisfaz
E põe sonhos nesta vida existência
Tão repleta de vazios.
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados )
Paraíso
Quando me amas com todo o teu desejo
Traçando mapas no contorno do meu ser
Tudo o que anseio, moço, é te pertencer
Te conheço intimamente...te olho e te vejo!
E sem falsos pudores te mostro meu eu. ..
Dispo me das roupas e de todo artifício
Neste momento provar te a boca é meu ofício
É com toda a vontade que extraio o gemido teu!
Lá fora a vida grita suas chagas e suas dores
Numa agonia que toca até mesmo os deuses
De nada disso sabemos; perdidos de amores!
Pois nos teus braços encontro alento e riso
Na ternura e no aconchego do amor sagrado
Com que me levas aos confins do paraíso!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados )
Toque-me...
Toque em mim querido...
Não somente com as mãos
Toque minha alma
Aquela parte insondável
que já te pertence
Que já conheces tão bem.
Toque com a boca meus lábios
Mas não somente eles
Cala minhas palavras...
... Sejas dono do recitar dos meus versos.
Coma meus universos
Saboreie todo o meu querer,
que tanto te quer dizer:
" Eu te amo"
Toque meus seios...
Mas com imensidão
Toda imensidão que há em ti !
Vá além da minha pele
Transpasse meus ossos
Chegue ao meu coração
Minha emoção mais sublime
Arrítmica
Em descompasso
por tua presença...
Pela eloquência do toque teu.
Toque-me meu querido.
Mas não somente nesta vida.
Vá além.
Pois para mim,
de nada valerá a eternidade sem
o toque do teu amor em mim.
MISTÉRIOS DA VIDA
A vida tem lá seus mistérios
Nos leva à tantos caminhos
Perdemo nos de nós mesmos
Nos afastamos um do outro
Vivemos outras histórias
Sorrimos com algumas delas
Choramos por tantas outras
Perdemos o compasso
O ritmo da dança
Esquecemos a música
....
E de repente
Você aparece!
Receios
Medos
Mudanças
Tantas mudanças. ..
E aí, sem nem perceber
Eu voltei a sonhar
À ter uma razão pra sorrir
Um motivo para voltar à cantar
Me redescobrindo quando estamos juntos
Ou na saudade do depois.
E eu que nem mais me sabia
Por causa de você
Meu amor, meu amante, minha alegria
Voltei não somente à ser poesia
Como também à ser mulher!
A vida tem lá seus mistérios. ..
Elisa Salles
Memórias Inúteis...
Sinto tantas saudades de ti...
Das horas esquecidas, vadias...
Em que eu vitimava o tempo em teus braços
Em ternos abraços, sem tédio, melancolias
ou cansaços!
Eram dias de entregas...
Os nossos risos enfestavam o ar
Na vitrola : Chico, Elis , Gonzaguinha...
Ah saudade mesquinha!__ Quanta lembrança!
Quanta memória, para quê meu Deus, tanta memória?
Quem me dera a letargia ...A escuridão
de não saber o que foi..
...De não pensar,
no que poderia ter sido.
Hoje minhas tardes são tão cheias de marasmos
As brisas mais frias
Flores caem
Primavera sem viço
E em tudo,
a tua presença, intensa
que não sai de mim
não sai de mim...
Não sai.
PENSAMENTO
Quando penso em você
Perco me em devaneios
Ouço sinos à tilintar
Borboletas à plainar
E a saudade apertar!
É toda emoção do meu viver
A cor viva dos céus azuis
O motivo do riso cristalino
Do coração em desatino
...Esse seu jeito de menino!
E quando a lua brilha, alta
Ou quando o sol desponta no horizonte
É aonde você está que levo minha mente
E toda minha alma rejubila, sente
Esse amor que à toda tristeza desmente.
Te amo em cada pensamento
E também quando toco sua face
Quando louca te ofereço meu beijo
Ardendo em chamas de desejo
É fagulha, é magia, é o canto do realejo!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados )
Fases e faces do poeta.
O poeta é tal como a lua
Tem fases e faces...
As vezes é " cheia" de inspiração
Iluminada totalmente pelo astro rei,
é beleza e introspecção.
Em outras míngua.
Perde a luminosidade,
o tédio logo o invade...
Silencia o verbo
mas não mata a utopia.
Adormece então, nele
a poesia.
E em sua transitoriedade
faz-se nova sua face...
Mas a luz ainda é arredia.
Apenas se insinua ao poeta, os versos.
Acalenta-os...
Acaricia-os...
Coabita com eles.
À esperar um novo dia.
Agora é crescente.
Emprenhou a palavra!
Eufórico, aguarda o seu rebento,
o poema, pelo qual tanto ansiava.
Ei-lo que vem...
Jovial e trazendo boas novas.
Eis que a vida se renova!
Então, mais uma vez,
eis o poeta em plena cheia
Crisálida e sereia!
Deuses no olimpo...
...Pássaros á revoar
...Mares transbordantes
...Amores e amantes
Eis a sua face mais bela
Lua cheia na janela
E a poesia à bailar!
Dias e " Dias"...
Há dias e
" Há" dias...
Dias de sol
aquecendo a derme
e a alma...
Trazendo luz, calor
e calma.
Aquelas calmarias
de até por medo no pensamento da gente.
Sabe-se lá...!
Quando a felicidade dá as caras
dá pavor mesmo.
Preâmbulo de "desgraceira!"
"Gato escaldado em água fria
tem temor de banho morno!"
Mas em outros dias a melancolia
chega e senta...
Um chuvisco fino
Roupa que não seca no varal
Tudo cinza...
... A gente fica ranzinza...
Mas aí não dá medo
Tudo normal.
Prá quem se acostumou com tristeza,
só ela mesma, para dar ares de verdade
à vida da gente...
Deixa estar a solidão
A saudade
O homem que fazia umedecer a carne
e corar a face...
Uma taquicardia boa...
Uma esperança à toa...
Dias perdidos nos vendavais
... Há dias
e " Dias"
Nada mais.
SENTIR...
Não saberia dar nomes ao que sinto por ti
É um vivenciar arrebatado
Uma sangria desatada
Um querer alucinado
Uma ânsia, um langor
... entorpecimento.
Quando a terra e o céu se tornam um só
Os planetas completam a rotação
E as estrelas explodem
Um irradiar de anos luz
De entregas íntegras
De silêncios profundos
E gemidos gritantes.
Não meu bem
Não sei nomear o que sinto
Apenas consinto todo este sentir
Que nunca senti mais imenso
Como o amor que rogo por ti!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados)