UM FIO APENAS...
Há um fino fio a segurar o amor de minha vida...
Tão tênue quanto o amanhã _ Anseia e apavora
Nada ampara. Nada jura. É emaranhar de dúvida
E meu Deus, este "talvez" consome e devora!
E apesar desta perplexidade, vive,fiel a si mesmo
Alheio à indiferença constante, má e impiedosa
Num acalento de doçuras, ao vento e a esmo...
Sentimento que sangra ao espinho.Cuida a rosa.
É insubmisso. Acalenta, só, toda a larga devoção
Enquanto voam gaivotas sobre um mar de sonhos
Tortura a alma. Desejos da voz, do toque_ Canção!
E os dias, voam loucos de encontro à cousa alguma
Tempestades de saudades arrastam todos os risos
Um fio de seda à sustentar,só, um mundo de ternura.
Elisa Salles
( Direitos autorais reservados)
CONSTATAÇÃO
Nas noites frias
sinto tua falta
já nem é mais saudade
é desespero mesmo!
A ausência da tua pele quente
tocando a minha com intimidade,
da sua voz grave, sussurrando desejos,
o toque úmido dos teus beijos.
Meu Deus!
Quanto desalento!
São nessas noites sombrias
Que chego à triste constatação
de como sou sozinha...
SUA FALTA
Hoje o poema não veio
Veio a tristeza
Veio a solidão
Veio a saudade
e a vontade de escrever...
... Mas não veio você,
e como você não veio
o verso se enclausurou
num cúbiculo escuro e úmido.
Se falta você no meu dia
voa a poesia,
e meu poema fica triste de morrer!
Eu brisa fria
na tua pele macia
ao entardecer...
Eu, pôr de sol,
morno no arrebol;
acalanto à te enternecer.
Eu, amor eterno
marcando tua alma à ferro,
sem poder jamais esquecer.
Eu, a rima dos teus versos,
desbravando os mundos
e universos de todo o teu bem querer.
Eu, motivação dos teus sorrisos,
embalo doce, gentil, terno e preciso
no teu acalanto... Tua vida, minha razão de viver!
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados)
Tu, tão amigo...
Eu, querendo-te " Tão amante"
Te sonhava à cada instante, em qualquer vento,
num canto qualquer!
...Eu, pobre menina apaixonada
... Tu amigo da velha mocidade
Em mim, serás sempre saudade
do meu primeiro amor,
que era amizade.
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados)
SEM VOCÊ
Sem você, meu amor
Sou flor sem jardim
Jardim sem luar
Luar sem amantes...!
Sem você,
Sou um rosto na multidão
Perdida na esperança de um " Nunca"
Sou mar sem sol e sem barquinho
Uma pintura sem viso e sem moldura
Largada num canto de uma sala escura!
Sem você, meu amor.
sou dor sem analgesia
Drummond sem poesia
Poesia sem verso ou rima...
...Ou universo!
Bailarina sem sapatilhas
Música sem som
Beijo sem paixão...
Sem você, meu amor, sou o que não sou
Aquarela sem cor... Sou só desamor!
DIALÉTICA
Qual minha linha poética?
Linha poética?
Não a tenho...
tenho a alma poética.
Serve?
Em mim a poesia nunca se conclui
Estou sempre me transfigurando
Hoje crisálida
amanhã
perversão...
...Amor
revolta
ilusão
Sonho
Melancolia
Raiva
Utopia
Borboleta?
Quem poderá saber?
Sou tantas no poema, meu bem...
E o poema é tudo em mim!
Ele me liberta de todo
Pré( conceito)
Não o escrevo para agradar à ninguém
Não o escrevo nem mesmo para me agradar
É uma necessidade. Entende...?
Varro as madrugadas em busca constante do poema
Sou dependente do poema
Das suas leituras de mim
Perdoem-me por eu ser assim...
Intensa demais
Loucura demais
Dor demais
Afeto demais
Amor,
ah, se soubesses...
Quanto amor
Demais!
Mas não sabes
E nem poderás, jamais
saber...
Mas não importa
Não muda nada
A poesia em mim é tudo o que sou
O que fui um dia
e o que talvez nunca venha a ser!
Razão de ser...
No mais
nada mais a dizer...
Elisa Salles
E quando o sol descia no horizonte,
ela cerrava os olhos
Viajava longe
Aquietava a alma
e no íntimo dizia:
"Um dia a menos".
Paz no íntimo, enquanto o luar
subia as escadas do firmamento.
Primavera de ilusões
Desce o sol sobre o solstício da mãe primavera
Um anjo palhaço voa, à anunciar novos sonhos
Ilusões para empurrar, no mar o barco à vela.
Utopias e devaneios de poetas tristonhos...
Terras do sem fim, ai de mim que as conheço!
Ai do meu poema que viu, e ouviu as verdades...
A dor que ignoraram, as senti e sinto__ Padeço!
Quando a ventania usurpou-me, má, as vontades
E de todas as incertezas desta vida. Sã loucura...
Das solidões que invadem as almas nas madrugadas
A minha é aquela que para a qual não houve cura.
Mas danço ainda o bolero dos que fingem alegria
E fingindo permito que a noite abra suas asas...
E a noite não tem luar. Eu, nem amor ou poesia.
A vida não é um mar de rosas.
Aliás, geralmente está mais para uma mar tumultusoso
e bravio do que para um campo de papoulas.
Isso porque precisamos evoluir, e somente alcançamos
um patamar espiritual mais elevado em meio à dor e as dificuldades.
Não que estar feliz seja mal ou errado. Mas em meio às festas
raramente paramos para pensar naquilo que verdadeiramente
é essencial à espiritualidade.
Mas na hora do sofrimento não... Quanto a tormenta bate às portas
nada nos resta senão enxergar que somos incapazes para, sozinhos
resolvermos nossos problemas. É quando buscamos num poder superior
à nós mesmos, a manivela para sairmos do fundo do poço. Então evoluímos.
Que Deus nos abençoe.
Gratidão.
REENCONTRO...
Esta tarde, quando te vi
O tempo voou ao contrário
Tantos anos voltaram atrás
num único segundo de um olhar entre nós...
Olhei tua boca
E senti o gosto dos teus beijos...
Ah, que multidão de desejos!
...E naquele aperto de mão
um turbilhão de sentimentos,
intensos, retornaram, lembranças
de carícias tuas...
Que vontade de me atirar no teu pescoço!
De te namorar a noite inteira
Sorver uma taça de vinho
Beber mais um pouco de ti...
Ah, meu velho namorado de ontem
Eterno amor de sempre
Amigo, hoje...
Tão de repente.
ENTREGA
Toma, amor
São teus
Todos os meus
... Pensamentos do dia
Toda a minha ternura
Toda a minha loucura
Toda a minha timidez
e a minha
ousadia.
Toma, amor
São teus
Todos os meus instantes
Todos os meus flagrantes
Todos os meus rompantes
De euforia
De agonia
De fantasias
transbordantes
de apegos,
de desejos meus,
pelo desejo teu.
Toma
Meus versos
Meus complexos
Meus reversos
Desconexos...
São teus.
Toma
Minha lassidão
Minha adoração
Toda minha inspiração
em entrega
no que me doma
e me enverga
até o chão
Toma
Meus estorvos
Meus renovos
Minha apatia
e
Minha alegria
Tudo
Todo
eu
em
poesia.
Elisa Salles
( Direitos autorais reservados)
As vezes o céu se torna escuro
e as tempestades se anunciam com todos
os seus trovões e relâmpagos.
Nesta hora precisamos parar, pensar e buscar no nosso
interior a fé, que é a condição de crer no impossível e ainda
improvável.
Desta forrma, em meio ao furacão podemos visualizar
dias de sol e campos cheios de flores.
Gratidão
PLENITUDE
Ouve amor o silêncio
O mar aquietou o burburinhos de suas ondas
O vento calou-se nas folhas dos coqueirais
Todos dormiram mais cedo
como se soubessem do grito
de amor no nosso peito.
Estamos alheios ao futuro
Dele nada queremos saber!
Basta-nos às nossas loucas bocas,
os beijos do presente,
as carícias nas carnes quentes
Nos avivando...
Nos definindo...
Nos embalando pela noite adentro.
Hoje estamos.
Somos...
...plenos
em nós mesmos.
Isso nos basta
O amanhã ainda não existe,
e para sermos sinceros,
não nos interessa saber.
Elisa Salles
( Direitos autorais reservados)
UNICIDADE
Quero me misturar à ti...
Mesclar nossas essências
Confundir nossos átomos
Unificar nossas células
Amaranhar nossas
moléculas.
Na doçura,
na candura,
na descompostura
do ato,
do fato
de fazer
amor contigo.
Fundir nossos corpos,
tesar nossos músculos
nervos...
Nossos
fluídos,
incorporados,
intrínsecos
Um gosto exposto
pelo mesmo
gosto
do gosto teu.
Reunir cada pensamento
Cada sensação
Cada centímetro
dos nossos torsos,
ventres...
...Tão sós
Tão à sós
Únicos
Unidos no mundo
que contém
o
mundo teu...
O nosso mundo,
na unicidade
de
nós...
Compartilhar
nossos lamentos,
dores,
medos,
conflitos,
tormentos...
Afogado-os
Extirpando-os
Extinguindo-os
em cada centímetro
da pele que não repele
nunca
a tua pele
... E não há erro
Não há incertezas
culpas ou
dúvidas
Dívidas ou
cobranças.
Só beleza e poesia
em arte
e harmonia...
Teu corpo
no
meu.
Unicidade.
UM POEMA CHEIO DE RAIVA
Só de raiva vou escrever
Vou escrever a raiva de não alcançar o poema
De não ter visto poesia alguma no meu dia
Por não me deslumbrar ante a vida, hoje
Por não enxergar o sol atrás das nuvens escuras
Por me deixar intimidar pela ausência do toque
Do beijo
Do abraço
Do carinho
Da afeto
Pela ausência da tua transparência
Pela ausência do teu desejo
Pela ausênsia do teu amor
Que imenso terror ser poeta de dor!
De melancolia
De nostalgia
De noite fria
De cama vazia
Até mesmo de boemia
Que Azia!
Dói-me o estômago até o âmago
... Ser poeta de saudade
Ser poeta que escreve o que sente sem fingir
o verso que sente em verdade.
Somente por raiva escrevi este poema horrível
E não vou termina-lo com leveza alguma
Hoje não houve levezas
Nem ventos nas roupas nos varais
Nem o cantar de pardais
Nem a panapaná à revoar sobre a margarida
Hoje não houve vida
... Juro,
não houve
Ou não vi ( se houve)
Ou não senti ( se houve)
Só esta raiva de não ter tido tua presença
E esta ausência é a ausência de tudo
Porque tu és tudo
Alheio à ti,
esta raiva,
este dia cinzento.
Nada mais.
Pronto,
só de raiva escrevi.
NUNCA ESCONDAS DE MIM TUA NUCA...
Na tua nuca desvendo os segredos do universo
Na curva sublime do teu pescoço
Na alvura da pele
Nada repele
Tudo me impele à toca-la
À beija-la com ternura ao mesmo tempo que com paixão
Permita-me apenas toca-la
E quando o fizer saberás do meu amor sublime
Que tudo redime
Tudo torna sagrado
No teu pescoço meu agravo
Minha lassidão
Minha doce perdição
Nunca esconda de mim tua nuca
Nunca...!
NA TUA BOCA, MINHA POESIA...
Beijo tua boca, transcrevo o verso
Numa carícia doce, envolvente
Translado neste toque o universo
Numa paixão nossa. Caliente...
Um momento apenas o nosso beijo
Breve e eterno em minh'alma
És toda paz que anseio e desejo
Atiça-me e, paradoxal. Me acalma!
Quanta agonia há neste mundo, Deus!
Mas esqueço todo o desgosto
Quando toco os lábios teus...
Pois neste toque de carnes sou poesia
Componho no paladar da tua saliva
Meu poema, teu gosto de ambrosia!,
❃❃ "Nasce o sol
Os raios mornos tingem o mar de Itapuã de cores mil
Milhares de tons, que vão do amarelo ao laranja, cobre,
vermelho... Tudo matizando o azul.
As ondas vão e vem.
Os coqueiros bailam em sintonia com o vento,
cantam em notas quais nunca se viram iguais!
E só de ver o sol, ouvir a vida orquestrar, louvando
os céus nesta manhã gloriosa, faz valer a pena
os momentos de dor e sofrimento que as vezes
nos sobrevem.
Gratidão soberano pai.꧁꧂
"Impossível entender a razão pela qual a lagarta passa
antes de se tornar borboleta.
Você jamais saberá quem é realmente antes
de ser quem é hoje e por fim transladar, evoluindo
em cores e beleza de viver!••꧁꧂
AMOR SEM NEGAÇÃO...
Suplica-me que eu te esqueça
Se tudo o que faço é querer-te
Nesta terra de desavenças...
Como poderia eu esquecer-te?
És a sombra dos meus vendavais
O calor dos dias de sóis de verão
A temperança dos dias outonais
Como esquece-lo, amor, então?
Pede-me e te trarei a lua em poesia
Para enfeitar teu céu de negro véu
És meu amor de dor e alegria!
Deixa apenas que te ame assim...
Silenciosa e mansa; serei feliz
Por amar-te mais ainda que à mim.
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados)
AMOR, ETERNO AMOR...
Ei de adora-lo em todos os momentos
Quando a luz do sol queimar-me o rosto
E nas serras altas uivarem os ventos
E quando das vindimas extrairem o mosto.
Quando os dias forem longos e enfadonhos
E não houver o riso para proclamar a vida
Ainda assim serás meus sonhos risonhos
E a lembrança mais doce e querida...
E ainda quando o mar urger em tempestade
Roubando dos pescadores seu sustento
Até então te aguardarei no fim da tarde.
Pois do meu poema és o verso mais lindo
Visto que o amo sem dor, medo ou lamento
Num tempo chamado nosso. Infindo.
Elisa Salles
(Direitos autorais reservados)