Frase de Elisa Salles
UM POEMA CHEIO DE RAIVA Só de raiva vou escrever Vou escrever a raiva de não alcançar o poema De não ter visto poesia alguma no meu dia Por não me deslumbrar ante a vida, hoje Por não enxergar o sol atrás das nuvens escuras Por me deixar intimidar pela ausência do toque Do beijo Do abraço Do carinho Da afeto Pela ausência da tua transparência Pela ausência do teu desejo Pela ausênsia do teu amor Que imenso terror ser poeta de dor! De melancolia De nostalgia De noite fria De cama vazia Até mesmo de boemia Que Azia! Dói-me o estômago até o âmago ... Ser poeta de saudade Ser poeta que escreve o que sente sem fingir o verso que sente em verdade. Somente por raiva escrevi este poema horrível E não vou termina-lo com leveza alguma Hoje não houve levezas Nem ventos nas roupas nos varais Nem o cantar de pardais Nem a panapaná à revoar sobre a margarida Hoje não houve vida ... Juro, não houve Ou não vi ( se houve) Ou não senti ( se houve) Só esta raiva de não ter tido tua presença E esta ausência é a ausência de tudo Porque tu és tudo Alheio à ti, esta raiva, este dia cinzento. Nada mais. Pronto, só de raiva escrevi.
No pensador.ai desde