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Frases de Elis Barroso Tolissano

19 frases

⁠ Eu queria um poema bonito Daqueles que deixam a gente feliz
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⁠ Eu queria um poema bonito Daqueles que deixam a gente feliz Poema com cor Cheiro Com gosto de quero mais Logo cedinho o encontrei descansando no fundo da xícara do meu café Andando em uma calçada o vi no sorriso banguela de uma menina lambuzada de sorvete Quando a noite caiu o encontrei dormindo a meu lado Parecia feliz. Repousando no travesseiro

⁠MINHAS MEMÓRIAS Já dormi soluçando de tanto chorar Também ri de doer a barriga
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⁠MINHAS MEMÓRIAS Já dormi soluçando de tanto chorar Também ri de doer a barriga Tive bons amigos Como sei o que é traição Fui ferida Causei algumas dores Já amei e fui amada Perdoada e também perdoei Dancei sem música sem importar com o ritmo Já perdi o avião Caí de bicicleta Chupei fruta direto do pé Já arranhei o joelho Quebrei a cara Parti o coração Sou feita de tantas memórias Não importa se doces ou azedas Ainda acho que a vida é perfeita Cada qual é parte de mim.

⁠NA POESIA O choro é mais molhado A despedida mais sentida
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⁠NA POESIA O choro é mais molhado A despedida mais sentida A dor é mais doída A moça é mais amada Até a lua é mais iluminada. Há beleza Na casinha de taipa à beira do Rio Na moça feia debruçada na janela Nos dias de calor e também de frio Na modelo magrela na passarela. Poesia embeleza Faz da vida uma aquarela Por isso sou louca por ela.

⁠POETA SEM PALAVRAS Quando a poesia consegue calar o poeta Roubar-lhe as palavras que se formam à garganta
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⁠POETA SEM PALAVRAS Quando a poesia consegue calar o poeta Roubar-lhe as palavras que se formam à garganta Emudecer o que se queria dizer O silêncio apresenta-se Revela verdades Dá forma a seus vazios Responde perguntas não feitas Suspende o tempo Quando a poesia consegue calar o poeta Deixa na boca o gosto das palavras não ditas O silêncio invade suas cavernas vazias Preenche o espírito Um santuário para poesia se faz No poeta sem palavras.

Em dias frios, tomo uma xícara de poesia para aquecer Nas longas noites, um poema que converse, que seja prece, leve Quando a chuva bate à janela, um poeminha que seja molhado, triste. Que me faça gotejar
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Em dias frios, tomo uma xícara de poesia para aquecer Nas longas noites, um poema que converse, que seja prece, leve Quando a chuva bate à janela, um poeminha que seja molhado, triste. Que me faça gotejar Já quando penso em você, daí não há muito que fazer. Tomo um porre de poesia para sobreviver.

Meus olhos são os mesmos de décadas atrás O enxergar é diferente Vejo a vírgula que muda o sentido
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Meus olhos são os mesmos de décadas atrás O enxergar é diferente Vejo a vírgula que muda o sentido O ponto que não era final O verso que estava no avesso Poemas que perderam sentido Ideais que não eram meus O caminho continua o mesmo Novo é meu caminhar Sinto os calos Ainda tropeço Quando me acostumar... Mudarei tudo outra vez.

⁠JACARANDÁ No mês de abril quando todas as árvores são só folhas Ainda secas pelo longo verão
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⁠JACARANDÁ No mês de abril quando todas as árvores são só folhas Ainda secas pelo longo verão Surge ela Abre-se em brotos Desabrocha em vida Em flores Lança seu tapete de pétalas ao chão Num convite silencioso aos solitários transeuntes Aos trabalhadores com seus cansados corpos As velhas carcaças fatigadas Seu toque de cor aviva as opacas retinas As rotinas dos que vem e passam Seu cheiro de fêmea De flor Atrai os beija-flores para que seu doce néctar seja sugado Às abelhas que espalham seu pólen fecundo Sorrateiramente seu aroma invade as casas Em sua indecente dança com o vento Jacarandá Quero aprender contigo Ensine-me a florescer mesmo sem ser primavera.

⁠DESAGUANDO Você vê minha calmaria Nem eu conheço minhas águas profundas
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⁠DESAGUANDO Você vê minha calmaria Nem eu conheço minhas águas profundas Ora quente, ora fria Também deságuo Também inundo O porto é mais seguro Caso tema naufragar Mas que graça teria?! Gostoso mesmo é navegar Minhas ondas ninguém domina Certo é se afogar Lance fora as bagagens Se permita flutuar Após conhecer o Oceano Terra firme enjoará.

⁠NUM DIA DE CHUVA Céu cinza, telhados molhados As gotas de chuva no vidro da minha janela
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⁠NUM DIA DE CHUVA Céu cinza, telhados molhados As gotas de chuva no vidro da minha janela Escorrem feito lágrimas Bate àquela saudade Do abraço que não aperta mais De quem só restou um retrato amarelecido E a presença que insistiu em ficar dentro de mim Dos olhos que não se cruzarão mais com os meus De sentimentos fugidios que moram no ontem Saudade daquilo que não tomou forma As gotas de chuva choram na minha janela Enquanto a saudade chove em meus olhos.

⁠FAZ DE CONTA Quando criança morei num conto de fadas Hoje moro no país do faz de conta
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⁠FAZ DE CONTA Quando criança morei num conto de fadas Hoje moro no país do faz de conta Pão, não temos, não Temos pizza Temos circo Temos Cabra-cega Deixamo-nos vendar Caímos, sorrimos, sacudimos a poeira Somos Chapeuzinhos que o Lobo quer comer Gatas Borralheiras que trabalham a vida inteira Acreditamos nas mentiras dos Pinóquios Fazem-nos crer que somos Pequenos Polegares A Bela está sempre adormecida Final Feliz? Só se acabarmos com a matriz.

⁠ LÍNGUA VIVA Tenho uma palavra na pontinha da caneta
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⁠ LÍNGUA VIVA Tenho uma palavra na pontinha da caneta Agarrada Mergulhada na tinta Não quer sair ainda Se for um verbo Tomara que não seja de estado Permaneceria estática, atrofiada Que seja um verbo de ação Que me leve por aí Mexa minha alma, mova meu corpo Se for pronome Que me situe no espaço No tempo Talvez seja adjetivo Se for, que me modifique Provoque uma metamorfose Caso seja substantivo Que seja composto Traga-me boas companhias Ela está aqui na pontinha da caneta Teimosa Acho que é uma nova palavra Está nascendo agora...

⁠DESLUMBRE O mar beija a praia O céu desenrola seu tapete azul
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⁠DESLUMBRE O mar beija a praia O céu desenrola seu tapete azul As nuvens brincam de desenhar As ondas abraçam as pedras A garça triste molha os pés na água O sol mergulha lentamente dando adeus ao dia O vento levanta a saia da moça O coqueiro dança O barquinho vermelho navega feliz Uma estrela aparece toda faceira por ser a primeira Um peixe faz um balé nos ares A lua dá um sorriso A poeta sorri de volta Encanta-se Pensa que o espetáculo foi para ela.

⁠GENTE GRANDE Em minha velha infância eu queria ser gente grande Quando eu tinha tempo para olhar o céu
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⁠GENTE GRANDE Em minha velha infância eu queria ser gente grande Quando eu tinha tempo para olhar o céu Quando ficava de bem com o amiguinho entrelaçando os dedos Quando dormia cedo para chegar logo o dia seguinte No tempo em que as águas da chuva levavam meus barquinhos de papel No tempo em que subir em árvores era tão normal quanto um sorriso ao comer chocolate Mal sabia eu... Naquela época é que eu era grande.

⁠CARTA A MEU FUTURO AMOR Enquanto te espero Conheci outras cidades
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⁠CARTA A MEU FUTURO AMOR Enquanto te espero Conheci outras cidades Li bons livros Fiz amigos Assisti muitas séries Experimentei novos sabores Enquanto você demora Aprendi a dançar Virar cambalhota Andar de bicicleta Rir de mim mesma Enquanto você não vem Aproveitei para conhecer outras pessoas Aprendi a beijar Paquerar Alguns me fizeram rir Com outros quebrei a cara Teve os que souberam amar Aprendi a viver Pensando bem... Pode demorar um pouco mais.