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Frases de Elcio Jose Martins

184 frases

⁠COM O TEMPO TUDO MUDA As pernas já andam cansadas, A visão necessita de ajuda,
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⁠COM O TEMPO TUDO MUDA As pernas já andam cansadas, A visão necessita de ajuda, A audição já não ouve o mesmo som, A voz está meio rouca e mais branda, O paladar continua esperto, mas nem tudo pode ser ingerido. MAS, As pernas andam por caminhos mais livres, O olhar passou a enxergar o que estava oculto, Ouvir transformou-se em um ato de virtude, O falar passou a ser mais doce e direcionado aos corações, não aos ouvidos... O momento das refeições transformou-se em um ato de amor, fé e espiritualidade. Momento de agradecimento... Élcio José Martins

⁠NADAR OU NADAR O momento que estamos vivendo é como atravessar um rio a nado, sem conhecê-lo. Não sabemos se nele tem jacarés, cobras, paus, pedras, buracos ou qualquer outro risco iminente.
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⁠NADAR OU NADAR O momento que estamos vivendo é como atravessar um rio a nado, sem conhecê-lo. Não sabemos se nele tem jacarés, cobras, paus, pedras, buracos ou qualquer outro risco iminente. Não há recuo. A travessia tem que ser feita. O conhecimento do leito vem no peito e na raça. O desconhecido vai sendo descoberto à medida que avançamos rio afora. O segredo é vencer o medo. O medo tira a força. Sem força há o risco de não atravessar. Não é hora de morrer na praia, avançamos, pois, com fé e confiança, acreditando que somos capazes de vencer mais essa etapa de nossas vidas. Élcio José Martins

⁠O RELÓGIO Marca o tempo, marca a hora e melhora a memória, Tem beleza, tem formato e tem história.
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⁠O RELÓGIO Marca o tempo, marca a hora e melhora a memória, Tem beleza, tem formato e tem história. Tem o de corda, o digital e o automático, Tá na parede, tá no bolso ou ta no braço. Pode ser de pulso, Pode ser de parede. Pode ser de bolso, Pode ser no celular. Pode apenas marcar a hora, Pode ser despertador. Marcar a hora do trabalho, Marcar a hora do descanso. Marcar a Hora do encontro, Marcar a Hora do amor... O relógio é uma peça de beleza, Usa o pobre e a Nobreza. Quando atrasado, não adianta nada, Quando adiantado, corre por nada. Mede as horas, Os segundos e os minutos. Mede o tempo que não para e Ameniza a doença que não sara. Mede o tempo à espera do socorro, Mede o tempo do campeão. Mede o tempo do coração apaixonado À espera do grande amor, Mede o tempo da aflição. Marca o tempo da alegria, Marca o tempo da tristeza, Marca o tempo da dor, Marca o tempo da prisão, Marca o tempo da solidão... Um minuto pode ser muito tempo, Vinte e quatro horas pode ser pouco tempo. Pode ser novo, Pode ser moderno, Pode ser antigo. Não importa o modelo, o formato ou a idade, O relógio acorda cedo, alegrando a cidade. Dizem que mineiro não perde o trem. Santos Dumont tem participação nesse trem. Pode ser que o relógio seja coisa do além, Dividiu o tempo do Homem de Jerusalém. Élcio José Martins

⁠AS MENINAS DA MÚSICA SERTANEJA As mulheres vencem o medo, Desatam os nós de seus segredos,
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⁠AS MENINAS DA MÚSICA SERTANEJA As mulheres vencem o medo, Desatam os nós de seus segredos, Dedilham as cordas do violão com elegância, Seus acordes soam bons sentimentos, Mágoas, perdas e sofrência. As vozes melódicas da música sertaneja repousam: Nos leitos do amor, Nos braços dos amantes e No coração dos apaixonados. As meninas saíram do anonimato, Pediram passagem para o estrelato, Subiram as escadas e tomaram conta do palco, Levaram a tiracolo o perfume gostoso da relva e do mato. São mulheres destemidas, alegrando a vida, Representam a força da mulher, forte e aguerrida. Brilham como as estrelas no céu azul, São respeitas do Leste ao Oeste e do Norte do Sul. São damas cantoras, musas, divas, belas! Receberam o dom. Deus está com elas... No alto construíram seus ninhos, Cantam a vida, como cantam os passarinhos. Suas vozes trazem paz e abrem caminhos, A afinação vem do berço. Aprenderam direitinho... Élcio José Martins

⁠As intempéries da vida O vento levou pra longe as sujeiras da minha alma, A chuva choveu mansinha, acalmando a minha calma.
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⁠As intempéries da vida O vento levou pra longe as sujeiras da minha alma, A chuva choveu mansinha, acalmando a minha calma. A primavera trouxe o verde alegrando fauna, O verão fez do meu dia tão quente, igual ao calor da sauna. O mormaço da paisagem inspirou Picasso, O calor da caatinga fez a roupa do cangaço. Espadas em aço de damasco fizeram arte e regaço, Sonhei por várias vezes que eu caia do penhasco. Folhas, flores e frutos dançam felizes sob a chuva, O outono fez o broto e amadureceu a uva, O frio do inverno pediu luva, É da nuvem mais escura que vem a chuva. O frio e o calor trocam a minha roupa, Às vezes, até me colocam touca. Por vezes, minha voz fica mais romântica, Ou está louca ou está rouca. O esplendor da primavera traz as loucuras de amor, O frio do inverno, edredom e cobertor. O Calor do verão, às vezes, me deixa na mão, O outono faz de seus frutos a sua melhor canção. Élcio José Martins

O sol de cada dia! É de manhã! No cume da serra o sol se descortina, abrindo a janela do tempo. Seus raios luminosos, calorosos e coloridos rejubilam de alegria. O orvalho se esvai, o clarão do sol vislumbra o renascimento. É o milagre da vida. É o despertar da manhã, acordando…
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O sol de cada dia! É de manhã! No cume da serra o sol se descortina, abrindo a janela do tempo. Seus raios luminosos, calorosos e coloridos rejubilam de alegria. O orvalho se esvai, o clarão do sol vislumbra o renascimento. É o milagre da vida. É o despertar da manhã, acordando o dia. Um ainda dorme, outro sai afobado e atabalhoado, outros caminham silenciosamente. Como formigas, num vai e vem frenético, passos apressados, ônibus lotados, carros espremidos e encaixotados no raivoso trânsito engarrafado, o recomeço… Espaços vazios vão sendo ocupados, o burburinho transitório diminui. Cada um, nutrido de força, vontade e fé, ergue seu olhar aos céus, agradecendo. Ali é o seu sustento, o pão de cada dia; o renascer da esperança borbulhando gotas de contentamento. O entardecer se aproxima no filme que se repete. Trabalhadores retornam ao seu sagrado lar, após o dever cumprido. A jornada cumpriu sua rotina costumeira. Nessa caminhada provisória, refez a repetição da realização da jornada. Não há paraíso, não há Adão, não há Eva! O sol brilha porque assim é o seu feitio, assim Deus o fizera. A vida é um descortinar de desejos, sonhos, realizações, alegrias e tristezas. O sol, antes irradiante, vai perdendo força. Faz sua preparação para o descanso merecido. É chegada a hora de enamorar sua dama, a donzela LUA. Ela, no que lhe concerne, também nos brindará com as belezas da meia luz. Assim se completa o milagre da criação. É a obra divina representada no teatro da vida.

⁠RASTRO DE SAUDADE O homem justo e honrado deixa Um rastro de saudade,
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⁠RASTRO DE SAUDADE O homem justo e honrado deixa Um rastro de saudade, Em reflexos de pirilampos e paisagens, Na lua cheia de generosidade, E nas estrelas coloridas de humanidade. O homem justo e honrado nos seus caminhos trilhados, Faz de seus frutos colhidos, partilhados. O homem justo e honrado é carregado de Afetos e amores, fazendo Seu mundo, um tanto mais amado. Para o justo e honrado, A amizade corre livre sobre o prado, O silêncio é um retumbante brado. Saber ouvir é dádiva e aprendizado, É sentir o todo, mas decidir pelos dois lados. O mundo do homem justo e honrado é divino e consagrado, Por sua sabedoria, é consultado. Sua verve o faz instado, Sua justiça perdoa todos os pecados. Esse rastro de saudade que a alma invade, Pede passagem na nossa terrena viagem. O exemplo de bondade e generosidade, Faz um homem grande, carregado de simplicidade. Élcio José Martins

⁠AS FLORES DESFOLHADAS O jardineiro com mãos de ouro Beija o broto. É o seu tesouro...
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⁠AS FLORES DESFOLHADAS O jardineiro com mãos de ouro Beija o broto. É o seu tesouro... Lavra a terra e faz o plantio. Cuida do broto. É o seu feitio! O jardim está florido, Belo, livre e colorido. A beleza lhe faz sentido, Nunca esteve tão bonito... Mas a vida tem sobrevida, Morre uma, nasce outra atrevida. Quem não cuida, não dá valor, Corta profundo e não sente a dor. Com a tesoura bem afiada. Ceifa a vida, sem dizer nada. Outrora, mãos de seda, ora mãos de ferro, Um grito! Não há berro. Não há eco! Já tem lugar certo... Por sua graça foi escolhida, Ainda com sobrevida, Tem nova casa e nova guarida. Já foi broto e semente, Agora, somente, Vai enfeitar outro ambiente. Terminada a solenidade, perdeu a graça e perdeu a hora. Ainda com seus traços de beleza, é abandonada e jogada fora, Desfolhada, se desfaz. O buquê já não existe mais... É levada para o aterro, Sem orações, sem emoções. Vai sozinha no seu enterro. Não há pagamento, sentimento. Muito menos lamento, Apenas abandono, solidão e perecimento. Pobre natureza! Destruída pela riqueza, Esmagada pela beleza e Ludibriada pela esperteza. Élcio José Martins

⁠MINEIRINHA NAMORADA AFAMADA Era cedo quando ela chegou, Um beijo na testa ela me deu.
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⁠MINEIRINHA NAMORADA AFAMADA Era cedo quando ela chegou, Um beijo na testa ela me deu. Pão de queijo ela comeu, Essa mineirinha come mais do que eu... Essa mineirinha do interior tem meiguice e ternura, É uma flor de formosura. Sem pedir licença meu coração, adentrou, Com seu sorriso e jeitinho, me conquistou. Essa mineira é danada, Deixou minha alma amarrada. No meu corpo se fez morada, Hoje posso chamá-la de minha namorada. Sabe fazer um feijão tropeiro, Que de longe sinto o cheiro. Torresmo acaba ligeiro, Frango caipira ela pega no poleiro. Minha namorada é prendada, Em pouco tempo ficou muito afamada. Meu ciúme anda titubeante à margem da estrada, Meu medo é que meu coração deixe de ser sua morada. Élcio José Martins

⁠O RISO Nesse mundo sem juízo, Onde vale o improviso,
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⁠O RISO Nesse mundo sem juízo, Onde vale o improviso, É preciso ser preciso Na estampa do sorriso. Uma risada bem gostosa, Vem da alma generosa, Toda linda e toda prosa, Doce, leve e mais formosa. Se o riso é alegre, E no alto que ele se ergue. Quando o amor se encarrega, Até no mar ele navega. O riso fácil vem desde criança, Até no berço ele balança. Tá no ritmo e tá na dança, Tá no fio da esperança. O riso é surpresa que agrada, Vem da alegria esbanjada. Quem não sorri não tá com nada, Tá sem rumo e sem morada. Élcio José Martins

⁠A PREGUIÇA E A INVEJA A inveja reclamou da preguiça, Porque ela é mole e arisca.
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⁠A PREGUIÇA E A INVEJA A inveja reclamou da preguiça, Porque ela é mole e arisca. De seu discurso saiu faísca, Como alguém que sabe a arte da conquista. É da tripa que se faz linguiça, A inveja é anarquista. A mídia enfeita e atiça, É da rede trançada que se tem notícia. A inveja, aos berros, faz estrago: Deixa a preguiça de lado e vá estudar um bocado. Deixa a preguiça de lado, porque é pecado. Deixa a preguiça de lado, porque ela não faz casa de sobrado. Deixa a preguiça de lado e vá visitar o querido cunhado. . Deixe a preguiça de lado pra ganhar uns trocados, Deixa a preguiça de lado pra não reclamar que é azarado. Deixa a preguiça de lado que tá na hora do batizado, Seu nono filho pede pra não chegar atrasado. Vendo que a preguiça está sempre acompanhada, A inveja se vê desamparada. Como a maldade lhe é camarada, Faz da preguiça sua presa preferida. Mas a preguiça que não é boba, Responde à altura e numa boa. Sei que a preguiça é pecado, Mas de inveja, o inferno tá lotado Já estou ficando incomodado, Deixa-me, quero dormir sossegado. Élcio José Martins

⁠O MINEIRO E O DOUTOR O Zé mineirinho tava dordói, Despejano remela no zóio,
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⁠O MINEIRO E O DOUTOR O Zé mineirinho tava dordói, Despejano remela no zóio, Uma quentura no corpo, E os quarto dolorido um pouco. O Jaquim quis ajudá, Chamano o doutor pra oiá. Doutor perguntô o que Zé tava sintino, Até achô qui o zé tava mintino. Zé mineirinho num consiguia levantá, Inda mais podê andá! Dissero qui era ispinhela quebrada, Qui ele tinha caído nu buraco da istrada. Dotô num intendeu nada, Pediu pra leva o Zé por hospitar. Lá chegano Jaquim tentou ixplicar: Podi sê ispinhela quebrada; Mas Tia Mariquinha falô Qui até podi sê lumbriga. Ele sempri foi de molera mole, Teve tossi de cachorro, Friera, cobreiro de pé, Eli sempre foi um pereba. Élcio José Martins

⁠AS CORDAS AFINADAS DA VIDA As cordas afinadas da vida, São livres, íntegras e às vezes distraídas.
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⁠AS CORDAS AFINADAS DA VIDA As cordas afinadas da vida, São livres, íntegras e às vezes distraídas. A harmonia de suas batidas faz a alma mais atrevida, Enche de sorriso e graça o coração da ESCOLHIDA. A nota DÓ trouxe a paz na construção da arca de Noé, A nota RÉ driblou a dor com a maestria de Pelé. A nota MI representa DEUS e eleva o poder da fé, É o fogão caipira que mantém aquecido o bule de café... A nota FÁ vem de Belém ou do além, A nota SOL faz renascer a saudade de alguém. A nota LÁ traz à tona a lembrança do amor que senti, A sonoridade da nota Si relembra as lágrimas que um dia derramei por ti. O romantismo afinado em suas cordas dedilhadas, Aguça e coração e deixa a alma confortada. Não há tempo nem espaço no palco da jornada, Sob as luzes da ribalta o amor constrói morada. Oh! Viola destemida que canta a alegria e a tristeza! Foste tu a lembrança de minha aventura e maior proeza... Do tilintar de suas cordas veio a verdade e a certeza, Que o homem veio ao mundo apenas para amar. Essa é a sua natureza! Élcio José Martins

⁠A HISTÓRIA DE UM MINEIRINHO SAUDOSO A história que vou contar, Muitos, também vão se lembrar.
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⁠A HISTÓRIA DE UM MINEIRINHO SAUDOSO A história que vou contar, Muitos, também vão se lembrar. Uma casinha simples, um lar, Pássaros livres, frutas no pomar, Sombras das mangueiras e noites de luar. Piso de chão batido, cimento, madeira ou tijolo malcozido, Telhado de estrelas com fissuras de vidro, Algumas casas com forro, aqueles bem vividos. São goles de goteiras de lembrança e saudade, Portas e janelas, abertas com a chave da amizade. A luz era recente, muitos ainda usavam a lamparina e o lampião. A Lua como brinde, brilhava na escuridão. Na trempe do fogão de lenha, cozinhava-se o feijão, No fumeiro, o toucinho e a linguiça, ficavam à altura das mãos. Na taipa do fogão aquecia-se do frio, Causos eram contados, davam medo de arrepio. Para o fogo não apagar, era um grande desafio, Lenha boa fazia brasa e queimava-se noite a fio. A água límpida, da cisterna e da bica, Era saudável, era rica! O colchão era de capim, algodão, paina ou palha, Não existiam grades, muito menos grades e muralhas. Biscoito no forno era a sensação, Dia de pamonha tinha muita emoção. Porco no chiqueiro ficava bem grandão, Carne não faltava, tinha em toda refeição. Carne na lata, a gordura conservava, Quando matava porco, era alegria da criançada. Vitaminas eram naturais e saborosas, Colhia-se do pomar, as frutas mais gostosas. As conversas eram sempre prazerosas, Damas habilidosas eram muito prestimosas. Na redondeza, eram conhecidas e famosas, Mas seus pais, enciumados, não queriam prosas. No paiol, o milho era estocado, Das vacas, o leite era tirado, Porcos e galinhas eram bem tratados. No moinho, o milho era moído, No pilão, o fubá era batido. O cavalo arreado era para a lida e a peleja, A carroça e o carro de bois carregavam a riqueza. A colheita era certeza, Era o fruto do trabalho, feito com dedicação e presteza. No monjolo, a farinha era preparada, No engenho, a garapa era gerada. Da garapa, fazia-se o melado, Era a rapadura, que adoçava o café do povoado. Quando o milho era espalhado pelo terreiro, Os galos sorriam e cantavam de felicidade. Era só abrir o portão do galinheiro, Que as penosas desfilavam celebridade. Cantava-se a boa moda de viola, Serenatas eram com o violão ou com a extinta vitrola. No sábado era a vez do bailinho levantar poeira, Era saudável, tinha respeito e não havia bebedeira. O instrumento mais conhecido era a sanfona, Cavaquinhos, violinos e bandolins, entravam de carona. Bem cedo as vacas já estavam no curral, Era chegada a hora de ordenhar esse animal. Cada dia um novo recital, O leite era in natura, e ninguém passava mal. Era tudo muito simples, duro e trabalhoso, Com certeza, não tem ninguém, que não se ache orgulhoso. Não tinha luxo, não tinha vaidade, Tinha o sabido, o arteiro e o que fazia molecagem. Pés descalços, espinhos e bichos de pé, Festas anuais e barracas de sapé. A mesa era farta com doces, quitandas, biscoitos, Melado, leite quente e o bule de café. Rezava-se se o terço, pois primeiro vinha à fé, Procissão de ramos caminhava-se a pé. Os ramos benzidos para casa eram levados, Serviam para amansar o ruído quando vinha a chuva brava. Manga com leite era veneno, Assombração tinha lábia e terreno. O respeito vinha apenas de um aceno, A punição era severa, até pelo pequeno gesto obsceno. Da infância, a boa lembrança e grande saudade; Carrega-se no peito, o amor, o afeto e a amizade. Faltava o alfabeto, mas havia muita educação. É da roça que se ergue, o sustento da nação. Mesmo com dificuldade, o pai, à escola, seu filho encaminhou, Queria dar a seus filhos, tudo que um dia sonhou. Com sacrifício, criou os filhos, para uma vida melhor. A estrela foi mostrada, por Gaspar, Baltasar e Belchior. Fica a saudade e o agradecimento, Nada de tristeza, de arrependimento e lamento. Cada um é um vencedor, pois mudou o som e a cor, Com sacrifício caminharam, na virtude e no amor. As pedras no caminho serviram de degrau, Os desvios da vida afugentaram todo mal. Os meandros dos sonhos fizeram um novo recital, Do sertão para a cidade e depois pra capital. Fez doutores e senhores de respeito, Deu escola, deu lição, muro de arrimo e parapeito. No nosso dicionário não existia a palavra desrespeito, Com orgulho e gratidão, encho o riso e choro o peito. É colheita do que se plantou outrora, Tudo somou e nada ficou de fora. O fruto de agora, É a luta, é o trabalho, é a fé. É a mão de Deus, Jesus e Nossa Senhora. Élcio José Martins

⁠SOFRÊNCIA... A noite calma e bela, Feixe de luz pela janela,
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⁠SOFRÊNCIA... A noite calma e bela, Feixe de luz pela janela, Transcende o júbilo em tela, O sonho utópico, desnuda ela... Veio de mansinho e ocupou lugar, Primeiro passo, primeiro andar. A roda que faz rodar, Leva ao trono bem longínquo do altar... Carícias e soluçar, Trombetas melódicas ao luar. Aos ouvidos balbuciar, Brados em silêncio a auscultar. A declaração se fez ouvida, Já é saudade o que é partida. Indaga a alma que se faz sofrida, É pecado amar no amor que fica... A conquista exige permanência, É pecador quem não dá sequência. Conquistar o amor e fazer sofrência, É crime hediondo, diz a jurisprudência... ÉLCIO JOSÉ MARTINS

⁠PRIMAVERA O SOL, A CHUVA, O VERDE! É chegado o momento,
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⁠PRIMAVERA O SOL, A CHUVA, O VERDE! É chegado o momento, Do sol, dar lugar à chuva, A abençoada chuva, A água benta da vida. A natureza lúdica, plácida e translúcida, Faz reforçar a fé. É o criador que fomenta e cuida. O verde retorna à mata mansa, Como o porvir que traz luz e esperança. A chuva molha a terra virgem ansiosa para o plantio, Amenizando o calor até com um pouco de frio. Fomenta a sede do rio, Tira o vazio e faz navegar o navio. A chuva traz o cheiro gostoso da relva molhada, O barulhinho poético das goteiras na calçada. Vem, com ela, a orquestra sinfônica das aves na alvorada. É o crepúsculo matutino construindo sua morada. Eis que surge o verde, O verde da árvore da vida, O verde do sorriso, O verde da alegria sem aviso. Eis que surge o verde. Pássaros felizes e mais românticos, À relva molhada um beijo amante, O cheiro de perfume se faz brilhante. O verde rejubila nas folhas livres, irradiante. Um momento esplêndido, marcante. É o céu que desceu, abençoando a terra, É criador e criatura, unidos nesta obra poética. Élcio José Martins

⁠PERFÍDIA - REFLEXÃO A palavra perfídia é sempre utilizada por alguém que não tem noção, ou muita noção!... Caracteriza-se pela tapeacão e enganação.
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⁠PERFÍDIA - REFLEXÃO A palavra perfídia é sempre utilizada por alguém que não tem noção, ou muita noção!... Caracteriza-se pela tapeacão e enganação. Muito usada na eleição com promessas vãs e não cumpridas, Aproveitando-se da boa-fé das pessoas incautas e desprevenidas. Perfídia é a violação do compromisso assumido, É não cumprir o prometido, É fazer-se de bonzinho, altruísta e querido, Com promessas vazias ao indefeso, inculto e sofrido. Proibida em tratados e convenções, Está livre e aberta, principalmente, na época das eleições. O candidato tira da mentira, grande proveito, O que importa é que na urna seja o escolhido e eleito. A história nos remete ao conhecimento do seu significado, Vários foram os momentos, onde cidadãos foram enganados... Fingir-se ou inventar uma desculpa é um ato de perfídia, Causado, em muito, pelo silêncio dos bons e pelo negligenciar da mídia. Palavra bonita com significado tosco, Igual ao conteúdo dos covardes quando falam conosco. Perfídia é dar a corda, querendo o pescoço, Pisar em folha seca sem fazer alvoroço. Mas perfídia também é uma canção. Alberto Dominguez, compôs de alma e coração. Eis aqui um pedaço da tradução: “Mulher, se podes com Deus falar, pergunta-lhe, se eu, alguma vez, deixei de te adorar; E ao mar, espelho do meu coração, às vezes em que viu-me chorar pela traição de teu amor” A perfídia é de tamanha grandeza que até na guerra é proibida. A Nação que cometer este adultério das Leis, é severamente punida. Palavra bonita, mas de conteúdo suicida, Quem a utilizar-se, deve ser conduzido aos ditames da Justiça. Élcio José Martins

⁠A PEDRA BRUTA PARA SER PRECIOSA PRECISA SER POLIDA. Rocha mãe, matriz milenar e inconsciente, bruta na nascente, solida e permanente, busca na escuridão das trevas, da subserviência, extirpar-se da rudeza de suas arestas, flechas incandescentes, pontiagudas e inconsequentes. Es…
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⁠A PEDRA BRUTA PARA SER PRECIOSA PRECISA SER POLIDA. Rocha mãe, matriz milenar e inconsciente, bruta na nascente, solida e permanente, busca na escuridão das trevas, da subserviência, extirpar-se da rudeza de suas arestas, flechas incandescentes, pontiagudas e inconsequentes. Essa pedra bruta precisa, solenemente, receber de presente, o afeto, o ensinamento, o aparo, o amparo e o burilar, tornando-a pura e bela. Desejosa em embelezar uma dama contente, na preciosidade do colar e do brinco envolvente, rola ribanceira abaixo ao encontro do seu Eu renovado. Haverão pedras cúbicas, retangulares, angulares, quadradas, triangulares e redondas, irregulares e desniveladas, perfeitas e imperfeitas, simples ou em camadas, em pisos, muros, pontes e alicerces, que, ainda na aspereza original tem o seu jeito, a sua razão e o seu valor. - O destino depende de sua escolha, da família rocha matriz, e do seu veio. A aspereza pode ser a autodefesa, a insegurança e a falta de vontade em mudar-se, que, depois de burilada, perderá a sua essência e originalidade. Nada quer perder, nem que seja para encontrar o seu lugar, um novo, um belo, uma arte, um designer, um modelo, um desejo. Perder pode ser ganhar um pouco, ou tudo. O bruto pode ser suave, o áspero burilado pode ser uma joia rara. Perder as asperezas tornar-se-á pequeno, mas notável. A antes pedra bruta, através do pequeno cinzel, tornou-se polida, e, ainda mais diminuída, um diamante, uma esmeralda, ouro. Quem conhece apenas o belo, não consegue imaginar quão duro e áspero foi a sua origem e a sua caminhada até o seu destino. A PEDRA cúbica, outrora pedra bruta, enfeita e é cobiçada. Não é possível conhecê-la e entendê-la se não tiver a percepção do quanto foi maltratada, sofrendo todas as humilhações e as dores da transformação. O talentoso maestro não nasceu maestro, o grande médico não nasceu médico. Mudar para melhor é penoso, dolorido e demorado, e é preciso de uma persistência inabalável. Elcio José Martins

⁠O HOMEM NA ÁRVORE O homem subiu na árvore, A mais alta, entre todas.
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⁠O HOMEM NA ÁRVORE O homem subiu na árvore, A mais alta, entre todas. Queria ver por cima, A paisagem da floresta. Galho por galho, ele venceu. Logo, o chão se escondeu. De suas folhas verdes exuberantes, Formou-se um colchão verdejante. A árvore cresce em busca do sol, O crente reza em busca do céu. O rio corre em busca do mar, O coração bate mais forte naquele que sabe amar... A árvore se fez paisagem, O Santo se fez imagem. A floresta se fez ninho e estalagem, Vem de Deus o abrigo e hospedagem. Quem mata o que a mata tem, Não merece ser alguém. Para o Mestre, esse alguém não é ninguém, Não tem presente e nem futuro e não sabe o que é de quem... Élcio José Martins