Bailarino Exemplar As lágrimas já secaram. O sangue já parou de jorrar.
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Bailarino Exemplar As lágrimas já secaram. O sangue já parou de jorrar. Não havia mais a dor. Sentir era algo tão distante que já não se lembrava mais como era chorar, como era sangrar, como era se doer, não se lembrava como era sentir. Mesmo assim continuava a rodopiar na ponta dos pés — pés? Se quer havia pés? E não sabia, apenas dançava. Dançava com vaidade, aquela vaidade que não respeita a vida, muito menos a consequência da morte. Era oco. Muito oco. Tão oco que não sabia o porquê dançava. Bailarino Exemplar, suas sapatilhas já gastas de tanto arrastarem no chão, todos seus 20 dedos já machucados. Bailarino Exemplar, sua carne já se apodreceu, seus sentimentos, suas angústias, suas memórias — tudo que é doce Bailarino Exemplar tinha foi enterrado junto a sua alma. Mesmo assim dança, e como dança! Rodopie mais, Bailarino! Já que foi a única coisa que lhe restou. Doce e terna vaidade das vaidades.