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Frases de EdsonRicardoPaiva

1.461 frases

Um dia haverá de restar somente O canto inocente dos grilos
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Um dia haverá de restar somente O canto inocente dos grilos reverenciando O teatro mágico de Estrelas O inimitável voo de pássaros O mutismo imutável das rochas O espírito das águas E um pântano de cruzes Nossas cruzes Esquecidas Após o apagar de todas as luzes Um dia haverá de restar somente Um mundo perfeito Livre de todos os efeitos destrutivos Que existiram por aqui durante a passagem da gente

Eu quero viver Num mundo sem muro Eu quero que o espírito das árvores
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Eu quero viver Num mundo sem muro Eu quero que o espírito das árvores Nos eduque Andar em tapetes de flores Eu quero caminhar num mundo Em que hajam pedras Porém, que meus pés não se machuquem Eu quero apenas Companhias inocentes Cientes da noção De que raizes, estrelas e corações Originam-se das mesmas matrizes tem todas a mesma matiz Luzes que decantam Sob o prisma da sabedoria Que abrange e há de abranger A imensa maioria Que caminha sob o mesmo Céu e sob O Mesmo Olhar Complacente de Constelações de Astros e de Gente

Ontem, em algum lugar deste imenso Universo Uma estrela se apagou
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Ontem, em algum lugar deste imenso Universo Uma estrela se apagou Extinguiu-se antes que a sua luz chegasse a nós E iluminasse por ao menos um segundo Este nosso mundo atroz Dela, nem tomamos conhecimento Nossas vidas não passam de momento Momento em que sonhamos vislumbramos, crescemos e concluimos Nosso direito De sermos algozes de nós mesmos As estrelas partem Nós partimos Olhando a nós mesmos do cimo Sem perceber As luzes que não nos atingem Outros fingem Interpretam perceber E nem mesmo após o dia Em que todas as estrelas já houverem se apagado Terá percebido um sorriso Que brilhou a vida inteira e porventura luziu Bem ali, ao seu lado.

O que me faria feliz Era apenas e tão somente Ver este mundo e toda gente
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O que me faria feliz Era apenas e tão somente Ver este mundo e toda gente Ter tudo que sempre quis Mas que soubesse desejar Gente que soubesse onde quer ir E aonde quer chegar Se os anjos dissessem amém A gente seria feliz...e além Estantes cheias de livros Surrados de tanto ser lidos Meninas em brancos vestidos Cotovelos fora da mesa Rapazes sem chapéus, na hora de comer Camas limpas pra todos dormir Ruas com árvores Árvores com frutas Frutas com sabor Um pouco mais de amor no mundo Um mundo de gente elegante Educada e honesta Um padre que razasse a missa E nos desse parabéns Por saber viver e dividir Que a gente pudesse sorrir E nossos vizinhos também Um mundo onde ninguém mais Precisasse mentir Pra mais tarde descobrir Que a felicidade de verdade É uma vida isenta de ira Que todo mundo compreendesse Que tudo que não passa por isso É felicidade de mentira

À ver O ódio, o desprezo e a indiferença Que dividem entre si as pessoas
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À ver O ódio, o desprezo e a indiferença Que dividem entre si as pessoas Eu prefiro a companhia dos pássaros Prefiro parar por aqui E viver apenas de lembrança À ver O que está se tornando este mundo E como são falsas e fingidas As relações mais sinceras Eu prefiro a companhia das feras Prefiro relembrar o que esqueci E viver mais uma vez de esperança À ver No que se tornaram as relações humanas dizendo, pensando e fazendo As coisas mais absurdas e insanas Eu prefiro a companhia das iguanas Esquecer que também sou gente Viver de me esconder somente À lembrar de como as coisas um dia foram boas Eu queria a companhia das pessoas Que não sei aonde foram parar Talvez tenham previsto antes que eu descoberto o que foi que aconteceu e fugiram, nem me avisaram Talvez estejam todos brincando de enganar fingindo ter perdido a humanidade Mas, meu Deus Se não for de brincadeira Se este Mundo de agora é mesmo de verdade Me leva embora, Deus meu Na primeira oportunidade!

Toda Manhã Bem antes que amanheça E a Noite tecelã
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Toda Manhã Bem antes que amanheça E a Noite tecelã Recolha o bordado de estrelas Um Ar com aroma de hortelã Me invade o nariz Noite escura ainda Puro breu de vela que não se acendeu Sucumbe aos Sóis que nascem E a contagem dos dias progride Toda noite Páira-me sobre a cabeça Uma lanterna acesa A vida carrega nas ondas O velho frescor da framboesa O vento leva As flores laranjeiras O tempo vai passando Quarta, quinta, sexta-feira Um dia qualquer Duma manhã à toa Passou-se A boa vida inteira

Estrela Linda estrelinha Que brilha no firmamento
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Estrela Linda estrelinha Que brilha no firmamento Te peço, por favor, não vá Nem apague ilusão tão pura Que trago em mim nesta hora por favor, não vá embora Te rogo que permaneça Porém, se estás decidida A outras coisas ver em vida Que vá Não há de me ver chorar Mas, antes de partir, te digo Que hoje, para mim Não há brilho que te ofusque Não há saudade que sempre dure Portanto Se tens que partir, pois que vá busque...procure Durante algum tempo Não haverá dia em que eu me deite Sem antes olhar para o Céu Toda noite Vai buscar teu horizonte Seja feliz, vá Mas não espere me encontrar aqui Quando voltar Depois que descobrires Que não há no Universo Amor Igual ao meu Que tanto a ti se dedique Me deixe aqui na tristeza e vá Porém, se não há certeza Então Te suplico que fique

No dia do Juízo Um anjo indeciso Pergunta ao miserável:
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No dia do Juízo Um anjo indeciso Pergunta ao miserável: De qual maneira Julgas este mundo Que foi-te tão pouco amigável? E o miserável responde: Sina pior que a minha Teve o poeta em vida Recebeu somente indiferença Tentando dividir a arte Que a sorte não queria dividida Escreveu, escreveu Não resultou em nada A sua letra trôpega Foi do Alfa ao Ômega Tropeçou no Gama Caprichou no Sigma Pediu a Deus talento Não pediu sorriso ou agrado Assim viveu o poeta Lançando seta atrás de seta Deus não concedeu-lhe pontaria Jamais um sorriso, aplauso... elogio A pena com a qual escrevia era digna somente de pena Palavras na mente: choviam Reconhecimento : Estio Porém houve um dia Um olhar mais atento Quis olhar para o poeta Por ao menos um momento Esse dia jamais existiu Já faz algum tempo O poeta partiu A terra sobre a qual ele escreveu Agora o esconde Sem perguntar aonde O anjo chorou.

Não tenho medo da morte Nunca tive Meu medo era viver
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Não tenho medo da morte Nunca tive Meu medo era viver Esta vida Na qual não se vive Nunca tive medo de tempestade Tenho medo deste Sol que arde Não Existe apenas a chuva O problema é a palavra Que me vem e tanto machuca São lembranças Piores que a morte Que fizeram estes cortes Sem cura Não tenho medo do escuro Meu receio é a claridade Ela invade a vida E me impede de esconder Ou de esquecer A dor de ver tanta vida assim Perdida

O rio vai correndo Levando suas águas claras Faz barulho e faz silencio
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O rio vai correndo Levando suas águas claras Faz barulho e faz silencio Indiferente ao que a gente pensa O rio corre. Só corre Correndo forma regatos Forma arroios, remansos Corredeiras Traz areia, faz argila E corre Molhando as folhas Molhando os galhos Corre todos os dias Correu minha vida inteira Desde o primeiro dia Molha as pedras Não pára para olhar quem o olha... só corre Arrasta as pedras para o fundo todo mundo sabe O quanto são escorregadias O rio corre e nesta corrida Vai distribuindo vida Permeando a terra Grama, flores, insetos Peixes Águas limpas, às vezes turva Quando a chuva desaba Corre sempre Essa corrida nunca acaba Acaba a vida Que o rio recria Correndo todo dia Forma até o aluvião Só não consegue formar Gratidão no coração indiferente a isso corre o rio

Eu não compreendo o que se passa Quando percebo que pequenas coisas que me emocionam
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Eu não compreendo o que se passa Quando percebo que pequenas coisas que me emocionam Para a imensa maioria Não tem e nunca terão A mínima importância A chuva durante uma tarde de verão A nova versão de uma canção antiga Uma pequena vitória de qualquer pessoa amiga O mendigo que sorri para você Agradecendo a graça dividida A tristeza inexplicável que eu sinto Quando termino de ler um bom livro A insustentável sensação de ser e não ser livre A vontade de saber voar Contrastando com o medo de altura A doçura do sorriso daquela pessoa desconhecida Que posou despercebida Numa foto antiga da família A saudade de amigos ausentes O gosto de pitanga Que a memória gustativa Traz à boca Eu posso sentí-las nos dentes As plantinhas que nasciam Nos cantos dos jardins Nas escolas da minha infância Incríveis coisas invisíveis Que enxergava e ainda enxergo Não é possível que os demais estejam cegos

Acabou-se o mês de janeiro As contas que eu paguei dão a impressâo Que já passou-se um ano inteiro
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Acabou-se o mês de janeiro As contas que eu paguei dão a impressâo Que já passou-se um ano inteiro Em fevereiro acabam-se as férias Fizeram o mês com menos dias Que alegria! Para aumentar a miséria O brasileiro, sem rodeios Tratou de colocar um carnaval alí no meio Em pouco tempo chega março Em menos tempo o correio traz as contas Eu me embaraço e vou pagando passo a passo Passa-se o mês e a gente nem viu Já é abril Que já começa com mentira de um jeito ou de outro todo mundo se vira Só eu que me atrapalho Ainda bem que já é maio Comemoramos o trabalho e as noivas Que no final São a mesma coisa Chega junho e a gente nem viu Simbora fazer fogueira Comemorar a colheita do milho Meu filho Estamos em julho Que desgosto! Tem hidrofobia em agosto Passam-se setembro, outubro e novembro de janeiro? Nem me lembro Mês que vem já é dezembro E assim a vida vai passando: Praia, carnaval, quentão fome, miséria, corrupção violência, ignorância Um dia a vida acaba mesmo; pra quê dar tanta importância ?

A vida é uma lista de coisas que nós não fizemos relembre o que fez
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A vida é uma lista de coisas que nós não fizemos relembre o que fez E verá que deixou de fazer Um tanto assim de coisas boas E seu coração Ainda guarda um lugar vago Um lago sem vida Cercado de esperanças perdidas A saudade é uma cobra que voa Pouca coisa sobra Além daquilo que não fez desde que elegeste a lista das coisas importantes Que hoje não parecem Nem de perto As mesmas de antes Algo soa dissonante A vida é um barbante esticado No qual penduramos lembranças Algumas doídas Outras mansas E algumas malsãs A saudade é uma irmã Furtada de nós, quando criança A vida é uma dança Que nós não sabemos dançar A esperança é um pote de ouro escondido que você nunca vai saber onde ele está Por mais que procure Por mais tempo que dure esta busca infinda Mas mesmo assim, no final Verá que acabou de escrever Uma história linda num livro que não tivemos tempo de lêr Estávamos ocupados em viver

Quando a noite chegar Trazendo infinitas respostas E as flores bonitas
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Quando a noite chegar Trazendo infinitas respostas E as flores bonitas das quais você gosta E que não abrem-se ao Sol Noturnas iguais você e eu Misteriosas Quais livros que a gente não leu Relembre as promessas que nós não cumprimos incrustadas No seu coração e no meu hoje mais nada restou Mas te peço que leves Aonde quer que fores A nossa lembrança guardada E mais nada Além do perfume das flores

Por um desses dissabores Que plenamente assemelha-se à ausência de flores
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Por um desses dissabores Que plenamente assemelha-se à ausência de flores Que infesta este Universo Invertendo, assim, valores Medíocres ideologias Que nunca fizeram nada mais Que ensinar outros medíocres A igualar os desiguais Fizeram pior Ao igualar mantiveram-se acima Crendo-se assim serem mais Tendo por intento algo Para eles intangível Incapazes de enxergar o invisível Impossibilitados de entender Nem mesmo a sabedoria Que ensinam os animais Jamais vão compreender Que para atingir A velocidade da Luz É preciso reverter o fluxo do Tempo Pobres são aqueles Cujo pensamento somente conduz Ao Ouro que enferruja Ao domínio da carne suja Ignorando que em seus arquivos As traças corroeram Todos os livros Que eles confiscaram ...Mas não leram

No fundo do coração Nada irrita mais a quem te odeia do que te ver feliz.
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No fundo do coração Nada irrita mais a quem te odeia do que te ver feliz. E a quem diz que te ama, também. Amor não domina, subjuga ou discrimina Amor não é possessivo Amor não é possessão Amor não coloniza ou escraviza Amor não exige escritura Apenas se esconde No fundo do coração Amor verdadeiro Não exige nem amor Amor, quando existe Nem liga de te ver Alegre e nem triste Quem ama se contenta em ver Fica feliz em lembrar Se satisfaz apenas Em saber Que ainda está lá Amor não faz nem bem E também não faz mal Tirando isto Todo falso amor É sempre igual.

Quanto menos sentido faz a vida Mais necessário se faz vivê-la As descobertas diárias e casuais
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Quanto menos sentido faz a vida Mais necessário se faz vivê-la As descobertas diárias e casuais Me impulsionam querer Aquilo que eu sei Que não alcançarei jamais O vento sopra em todos os sentidos Todas as emoções que podem ser sentidas Passam por mim Deixando o coração assim...ressentido Perdidas as experiências vividas Hoje parecem ser melhores Que no tempo em que povoavam minha vida Que passa assim...sem sentido.

Não posso responder Se existe felicidade Não sei ao certo distinguir
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Não posso responder Se existe felicidade Não sei ao certo distinguir As coisas ilusórias Das mais profundas verdades Assim como você não saberá E também não te cabe Nem nunca caberá Julgar aquilo que se pode definir Como Glória Daquilo Que deve permanecer Sob os tapetes da sua sala Não sei responder se existem Glórias Não sei definir se existe amor Lealdade, sabor ou saudade Mas sei te responder Que existe em mim a vontade De ver existirem Todas essas coisas As quais ninguém vê E sei também definir Que é preciso apenas desejar Para que elas possam Existir Em sua realidade

Uma vez Quando eu era criança Uma das mães
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Uma vez Quando eu era criança Uma das mães Que a vida deu Me contou Que a vida cansa E Que não seria mansa a minha Mas Que era a missão Que alguém escolheu A ausência de mansidão Que o tempo trouxe Não deu-me tempo de parar para pensar Em muita arte Que fiz ou Queria ter feito Mas nunca permitiu Que se afastasse A lembrança do Rosário Que desfiou Aquela Mãe de nome doce Que nunca afastou-se de verdade E eu a vejo às vezes, ainda Quando abro os olhos pela manhã Isso permite Que eu suporte a saudade De minha velha Mãe Maria E aquela expressão, tão linda! De me olhar Como quem olha a um filho Que nunca haveria de pisar Um tapete vermelho Eu queria apenas vislumbrar As lágrimas Que ela previu naqueles dias Sentado em seu colo quente Não calculei mágoas tão frias Hoje sei Que caminhei por boa parte Sei também Que não foram mais sombrias Devido àquela doce companhia Que me fez e faz ainda Minha doce e amada Avó Maria Que cedo assim partiu para o Mundo Porém, nunca apartou-se de mim.