Pobre rei,
se senta
confortavelmente
em sua sala
Se cala e não pensa
Em sua pretensa sabedoria
Que não lhe daria
um dia de vida real
Escuta o que o mundo fala
Discorda de tudo
e concorda com tudo
Na dúvida
Fica mudo
Se abriga
Atrás dos seus escudos transparentes
e se sente
Totalmente seguro
e completamente só
Se esconde
Pra chorar no escuro
Faz castelos no ar
O mesmo ar que lhe falta
Quando tenta respirar
Faz planos e planos
Enquanto passam-se
anos sem fim
Pobre rei
Onde ele vive eu não sei
Mas sei que se assemelha
Um pouco a você
e um pouco a mim.
edsonricardopaiva
Preciso descobrir
Urgentemente
Uma forma
De parar o tempo
Um modo
de fugir às normas
A que todo mundo
Claramente
Se acostuma
O tempo passa
Sopra o vento
E vai mudando
Lentamente
E não há nada
Que se faça
A não ser
Ir rumando junto
Junto àquilo
Que eu desejo
tanto descobrir
Como se faz
Para
Pará-lo
Sonhos
Castelos de areia
Faz ferver e congelar
Tudo isso
Que me vai na veia
Alegres sonhos tristonhos
dos quais me recordo
Quando acordo
E retorno
Da Constelação de Peixes
Bela e singela recordação
Que me vai no coraçâo
Até que eu novamente
Adormeça
Me esqueça
Por favor...
Não me deixes
Te espero amanhã
Assim como hoje esperei
Te espero surgir
Aqui
Ou em algum
Universo Paralelo
Te espero nos meus sonhos
Aguardo que apareça
Pra que eu
Finalmente te compreenda
e te conheça
Te espero, Meu Pai
Que me conhece mais que eu
E sabe
de cada pensamento que me vai
e cada fio de cabelo
Que existe na minha cabeça
E cada vontade minha
Te espero a cada manhã
Te peço que venha
Assim como antigamente
O Senhor sempre vinha
Não tenho muito
Mas queria que o Senhor aparecesse
Pra tomar uma xícara de chá
e me dar um abraço
Eu sei que o Senhor está aqui agora
Compreendo isso
E sei também
Que diante
dos compromissos que assumi
Acabei por perder
Aqueles olhos que eu tinha
de Te Ver
Mas ainda te espero, Meu Pai
Pra te falar
Sobre as coisas que aprendi
desde aquela última vez
Em que o Senhor
Me permitiu
Que eu O Visse
E Mandou que eu
Vivesse esta vida
Te espero Meu Pai
Pra confessar
Que fiz muita coisa errada
e Te pedir perdão
Mas, se o Senhor não puder vir
Pede a um Anjo
Que Segure a minha mão
e Guie meus passos
e oriente meu caminho
O chá vai estar preparado
Se o Senhor não puder vir
Não tem problema
Pois eu sei que um dia
Estarei perto de Ti novamente
E eu vou poder
Te olhar e Te ver
Como antigamente
Eu, alegremente
O via.
Uma pitada de Sal
Uma Xícara de Açucar
Pra dar um pouco de gosto
Nesta vida
Melhorar aquilo
Que foge ao normal
Posto isso
Cumpramos todos os compromissos
Se uma xícara não der
Derrama, mulher
Um quilo
Se não tem gosto de nada
Coloca mais uma pitada
E se mesmo assim
Não tiver açucar em casa
Naqueles dias
Em qua a vida atenta
Abra as asas da imaginação
E coloca pimenta em tudo
Pois
Quando o dia
Parece perdido
é que a gente
Realmente cresce
E escreve aquela nova página
E muda aquelas mínimas coisas
Que devia ter mudado
e deixou pra depois
Pois você não está sozinha
Enquanto eu estiver aqui
Seremos pra sempre
Nós dois
Igual ao que sempre foi
e quando não for
Não se esqueça
Que quando começava assim
Eu sempre colocava
Uma pitada de sal
E lembre
de lembrar de mim.
Cada pessoa
Que Deus coloca neste mundo
Traz consigo uma verdade
E Deus lhe confia
A possibilidade
de melhorar
Um pouco este lugar
E dividir
Com as pessoas ao redor
Aquilo
Que de melhor puder
Trazer e dividir
Alguns fazem Ciência
Outras fazem Arte
Outras mais, exemplificam
Outras, coitadas
Por pensar
Somente em si mesmas
e não conseguirem fazer
Nada de original
e fazem igual
A quem só quem faz o Mal
E enquanto a Deus Convier
Lá de cima, Deus aguarda
Que cada homem e cada mulher
Aprenda
E enquanto isso
Cá embaixo
Uns vivem
Outros se encaixam
Conforme lhes convém
E cada um
Vai deixando no mundo
Um pouco daquilo que tem
Até não restar mais ninguém
Depois que eu envelheci
E todas aquelas alegrias
Que vivíamos
Naqueles lindos dias
Partiram pra outro lugar
E hoje não mais
Estão indo
e nem vindo
Somente se foram
E todos os dias
Agora
São sempre iguais
Mesmo assim
Eu olho pro lugar onde ficava
A Velha Estrada de Ferro,
Posso até ver
As telhas vermelhas de barro
E tantas pessoas
Deixando ali
Seus sorrisos,
Cabelos balançando,
Olhares indecisos.
Entre eles
Nós dois
Éramos quase crianças
As boas lembranças
Vão sendo apagadas
Cerro meus olhos
Tentando me lembrar
Porém, de tantos rostos
Que passaram por ali
Somente o teu olhar
Não esqueci.
Edson Ricardo Paiva.
De vez em quando
Eu penso em doar um presente
Que esteja pra sempre presente
Algo que o tempo não estrague
E que nem precise
Ser entregue
Algo que não precise limpar
e nem carregar
Algo que não se regue
Não envelheça
e não se esqueça
Alguma coisa
Que não se vista
e não se ponha na cabeça
Enfim
Eu ponho alí
Um pouco do meu tempo
e muito de mim
Eu faço meu presente ao mundo
Mas não é todo mundo
Que o vê
Pois é preciso
Ter no peito
Um jeito um pouco mais profundo
de ver e de viver
Mas ele ficará guardado
E poderá ser uma coisa boa
Um dia
Na vida de alguém,
Cada um doa aquilo que tem
Eu deixo ao mundo
Poesia
O que mais me dá saudade
da infância
É aquela possibilidade
de poder imaginar
de crer, de acreditar
Que tudo que imaginasse
Poderia ser verdade
E eu ainda trago comigo
Esse poder
de poder brincar de acreditar
e eu brinco de acreditar
Na amizade do amigo
Nas causas pelas quais eu brigo
Nas coisas antigas
do meu tempo de criança
Que me fazem
Não perder a confiança
nas coisas que se revelam
a cada dia
Menos confiáveis
E eu brinco de acreditar
Que a vida seja algo bonito
e que eu possa confiar no Homem
e outras coisas
Que a cada dia
eu cada vez mais
acredito menos
De janeiro a janeiro
Por muito tempo andei perdido
Pelos caminhos do mundo
Tudo aquilo, no final
Nem me parecia ser
de todo mal
E em resumo
Seria esquecido um dia
Bastaria
Permanecer calado
e ouvir o que o mundo fala
Qualquer tolo
Demonstra sabedoria
Quando se cala
Mas somente o silêncio
é algo que não vale à pena
ser esquecido
Enquanto se perde tempo
Vagando em vão
Em um mundo
Que também anda perdido
e repleto de perdição
Até que um dia
Se percebe
Que a melhor visão
Não se encontra nos olhos de ver
E existe algo bem melhor
e mais profundo
Uma Luz que nos afaga
Um carinho que vem no vento
Mas que muita gente não sente
E vaga perdida no mundo
Todo aquele
Que pretende um dia
Sentir-se livre
Necessita antes livrar-se
de todos os seus conceitos
Acerca daquilo
Que pretensamente
Enxerga como sendo
Liberdade
Liberdade é tudo aquilo
Que se pode viver
Mesmo se estiver
Cercado por grades
Rodeado por paredes
e fisgado numa rede
A liberdade simplesmente
é uma coisa apenas sua
Em poder olhar o Mundo
e enxergá-lo
Como Ele realmente é
Não importam correntes
Não há homem nem mulher
Que impeçam a alma livre
de voar
e ir e voltar
Quando quiser
O mais importante
e mais porfundamente irritante
Quando se é livre de verdade
é poder rir à vontade
E não fazer o mal a ninguém
Almas libertas
Tem a liberdade no ar
E estão onde tem vontade
Pois todas elas
Podem ir
e querem ficar
Tenho a nítida impressão
de que não sabemos, absolutamente
Para onde estamos indo
E rumamos perdidos
Feito barco à deriva
Um dia depois do outro
E outro, e outro...
A Lua se põe no horizonte
Enquanto o Sol se esquiva,
discretamente.
E a gente aqui vai vivendo
Ou vendo a vida passar
Talvez exista alguma diferença
Pouca gente pensa nisso
Temos um compromisso
Muitas vezes mais importante
Em cumprir o expediente
Os filhos crescem
A gente chega lá
No Espaço Sideral
A escola termina
São tantas grandes conquistas
Que eu chego a perder de vista
Algumas coisas muito mais distantes
Nesta comprida Estrada
Como aqueles longínquos laços
Que muitas vezes selávamos
No momento
Em que simplesmente
Nós todos nos cumprimentávamos
Com um arcaico sorriso no rosto
um prosaico abraço
e mais nada
Um dia a gente promete
Promete pra gente mesmo
Que com a gente
Vai ser tudo diferente
E que vai mudar muita coisa
Um dia a gente percebe
descontente
Que este mundo engana a gente
A uns menos, a outros mais
E por mais que a gente tente
A vida condena a gente
à mesma sina que nossos pais
A natureza da vida
Os caminhos do Mundo
A mesma chuva caindo
E roupa secando no varal
Muita coisa muda
e no final a gente percebe
Que o tempo mudou tanto a gente
Pra depois finalmente
A gente constatar
Que pra bem ou pra mal
Não há nada diferente
e tudo aquilo que fizemos
Acabou deixando a gente
Muito igual
Eu tenho um amigo
Que sempre andou comigo
Acordava atrasado
e era muito atrapalhado
Coitado, meu amigo enviesado
Quando criança
Nunca soube jogar bola
Jamais foi bom em dança
Jamais foi bom em nada
Não era bom de briga
Nem tinha namorada
Na vida Militar, coitado!
Não era bom soldado
Não era bom atleta
Bom marido ou bom poeta
Jamais teve jeito pra nada
Pois trazia no peito
Um coração
Totalmente desprovido de ambição
e comia o pão da ilusão
Tinha como companhia um violão
Mas, pra não destoar
Também
Não cantava muito bem
Porém
Ele era um bom amigo
e sempre andou comigo
Não deu no jornal
Ninguém veio dizer
Mas eu sei
Que as pessoas solitárias
Podem muito bem
Acabar eternamente
Com essa solidão
Que de longe parece
dolorida e constante
Mas quando se olha de perto
e pra dentro
Percebe-se
Que quase todo mundo
Esconde em si
Um deserto bem maior
Enfeitado
De algo que já não existe
E vive num mundo
Insano e delirante
Recheado
de uma esperança cortante
Um diamante às avessas
Torna-se carvão
Um coração repleto e completo
Rodeado
da pura, boa e velha
Solidão.
à tarde um vento suave
Levemente se move
E vai soprando o barco à vela
Vejo o mar pela janela
Tão distante; penso nela
Se à noite o vento apaga a vela
Mesmo assim, no escuro, és bela
Te vejo em meu sonho e pergunto
Meu Deus, o que foi que te trouxe?
Quisera fugir de presença tão doce
Quem sabe se ao menos
Tão bela não fosse
Acordo, abro a janela
a olhar as estrelas pulsando
Lembranças que se acendem
e esperanças que se apagam
Qual lume,
dos insetos que à noite vagam
Respirar o perfume de fada
que emana da tua lembrança
e meus sentidos embriagam
Assim eu não sinto tanta saudade
E nem morro de distância
tento somente
Enxergar-te em essência
se cego e surdo
fosse eu, de fato
Quisera a sorte permitisse
ver-te bela
pelo tato.
Como se fosse
Um poema onde nada rima
Algo além do limite
Um dia sem Sol
Quando termina
A gente permite que Ele se vá
E chega a hora da despedida
Há coisas na vida
Que parece começarem pelo fim
E vai correndo ao avesso
desde o começo
Não se encaixa...desafina
Quando o coração se permite
Permanecer eternamente
Qual coração de criança
dança e ri
Com a canção desafinada
E sem querer saber de nada
Segue rindo da cara da sorte
Pois não há corte
Que não cicatrize
diante de uma boa risada
Ria sempre de volta pra vida
Não há tristeza que suporte
Um sorriso insistente
de sorte
Que um dia
A tristeza acaba rindo com você
E tudo acaba em alegria
Quando alguém
Me diz que me entende
Eu olho pra pessoa
Plenamente consciente
de estar na presença
de alguém que está mentindo
Pois nem eu mesmo me entendo
Tem dias que eu olho pro espelho
E faço cara de paisagem
Fingindo estar de passagem
de vez em quando
Me aparece um iluminado
Que não entendeu nada
e me censura
Tem dias que eu gosto da vida
e outros que apenas a aturo
e juro que penso
em um dia
viver apenas de silêncio
creio eu ser a melhor forma
de não ser mal interpretado
Por um mundo que me dita normas
Quando na verdade
Não entendeu quase nada,
Se eu pudesse cuidar do mundo
Como quem guarda um jardim
Se eu pudesse escolher as sementes
Se eu fosse um bom jardineiro
Ou algo semelhante
Plantaria um jardim de verdade
E cultivava somente verdades
E o melhor que houvesse
do amor e da amizade
Mas, por mais sementes que se espalhem
Muita coisa falha, abaixo do Céu
Muita coisa falta em meu jardim
Assim como falta
Um maior entendimento
Pra que todo mundo soubesse
Que neste jardim
Onde quase nada cresce
Poderá nascer a qualquer momento
Aquilo que há de varrer deste mundo
Todos os jardins do mundo.
As folhas se foram
Antes mesmo que chovesse
Eu fico assim
Em companhia de mim mesmo
Os mesmos pensamentos
Aqueles
Que o coração não esquece
Dessa maneira
Me resta uma tarde inteira
A pensar em luzes
E Seres Angelicais
Criaturas Divinas
Anjos
Com cara de menina
Que vivem longe de mim
E todos os demais
Que me rodeiam
Aranha tecendo teia
Marimbondo
Fazendo ninho na areia
de vez em quando
A natureza grávida
Escondendo a beleza vindoura
Nas pupas e crisálidas
Borboletas
São como Anjos que vem de longe
Mulheres lindas e iluminadas
Que brilham na escuridão
Algumas possuem uma certa luz
Que desperta algo dentro de mim
E me deixa sem rumo...
Sem chão.
Mesmo assim
Me refaço...me aprumo
Me imagino
dentro do seu abraço
desfaço esses pensamentos
Prossigo no meu caminho
Preciso ir viver ainda
deixar essas coisas de lado
Meu Deus
Eu vi um anjo iluminado
Uma borboleta linda!
Quem sou eu
Eu não sei
Às vezes , querido por Deus
Perseguido pelos reis
desde que eu estou aqui
A vida tem sido assim
Um golpe a cada dia
Vem fazer doer-me hoje
As dores, que antes não sentia
A Garrafa sobre a mesa
No copo, somente tristeza
Uma dor a cada dia
Um gole de cada vez
Andando pela vida
Vivendo e fazendo de conta
Que não existe uma razão
E que também
Não faço questão de nada
O Mundo se move
Chove, enquanto entardece
Parece até que nem me molha
Anoitece o dia
Escurece a vida
Somos todos passageiros
Quando não, prisioneiros do tempo
Quando nada fazemos dele
Simplesmente observamos
O que ele faz com a gente
Enquanto somente
Andamos pela vida
e vemos
O tempo passando
Do jeito que ele sempre faz
Lentamente correndo
Deixando a gente pra trás.
As coisas são assim:
Você pode passar uma vida
Qual fosse existência perdida
Indo procurar bem longe
Alguém que muito lhe foge
Faz previsão de viagem
Bota provisão no alforge
Gasta muitos pares de botas
E outras mais, sobressalentes
E sai a escalar Montanhas
Dormir ao relento
Enfrentar chuva e vento
Contente
Numa procura tamanha
Que talvez nunca termine
Ou acabe em desesperança
Por não encontrar
Aquilo que não enxergaste
No teu ponto de partida
O Par de olhos
que tanto procuraste
Atravessaram a vida, lindos e tristes
Pedindo-te que voltasse
Querendo enxergar você
Quando eu nasci
Meu pai me deu um nome
Que o Mundo
Sempre tentou tirar de mim.
E enquanto eu crescia
Minha mãe me ensinava a amar
e me esquivar das coisas ruins
todo dia
Mas o Mundo ainda tentava
Tirar tudo isso de mim
Porém, antes disso tudo
Antes mesmo que eu nascesse
Deus dotou-me de um escudo
E antes de eu ter um nome
Ele me deu o dom de ser um homem
Antes que eu soubesse o que é amor
Ele me preparou
Pra enfrentar as dores deste Mundo
Com um largo e profundo sorriso
Deus dotou-me de uma luz
Que os olhos ruins deste Mundo
Não enxergam
Há pessoas que não vivem
Vagam feito cegas
Estragam-se e esmagam-se
Mas as Coisas de Deus são assim
E no fim
Essa luz
Não apagam
Tampouco a tiram de mim
Prosseguem tentando...delirantes
Porém, hoje
Essa luz brilha mais do que antes
E não há quem a tire de mim.