Os milagres que existem no Mundo
Eu os vejo nas menores coisas
Mesmo que sejam grandes
Pois é nos detalhes, que se escondem
os seus significados mais profundos.
A escuridão que precede o amanhecer
traz junto a si uma paz e uma temperatura
Que a gente não há de ver ou sentir
Em todo restante do dia
O canto dos pássaros ao longe
Misturando-se ao silêncio
entrecortando-lhe, extingüindo-o
Findando-lhe aos poucos
A coloração acinzentada
misturada a uma tonalidade rósea
é a luz do Sol brincando entre as nuvens
Tornando menos plúmbeo
o milagre pluvial
Algo lindo de ser ver!
E assim
A noite e o silêncio morrem
Na rua as pessoas correm feito loucas
Quando cumprimentam-se, velozes
Suas vozes denunciam, roucas
Um misto de tristeza e alegria
Pelo milagre do nascer de mais um dia
Bom dia!
Eu creio que o Céu seja assim,
Um lugar onde haja muito capim
Pra alimentar os cavalinhos que existirem
E maçãs bem vermelhinhas
ou verdinhas...todas maduras
As manhãs são todas belas
E à noite existem velas coloridas
Pra iluminar com cores
As aconchegantes noites escuras
As tristezas de antes
Se convertem em diamantes
As dores se traduzem em flores
E tem um barranco gramado
Com um papelão bem grandão
E o nome da gente escrito ao lado
Os anjos levam a gente pra escorregar lá
E brincam de gangorra com a gente
Na hora do almoço
Tem ervilhas e tremoços
E tantas maravilhas pra se ver
Que não dá pra descrever
Mas eu creio
que o melhor que Deus nos faz
É nos conceder uma certa paz
Que chega a dar pressa de estar lá
Tem horas que tudo que eu preciso
é somente rever alguns sorrisos
Que eu sei que hei de rever
Até lá...não tenho muita coisa pra dividir
Além dos poucos e bobos
Poemas que Deus me ajuda a escrever
e que eu sei que pouca gente lê
Mas Deus lê
Isso me deixa imensamente grato
Deus, se um dia eu for pro Céu
Me conceda a graça
de nunca mais usar sapatos
e me devolva as tão boas companhias
Que o Senhor havia me dado
Cá na Terra um dia.
As estrelas brilham no Céu
Durante a escuridão da madrugada
Cá neste lugar
Estão todos absortos em seus pensamentos
E não tem a chance de sentir nada
Não percebem que os olhos lá do Céu
Não estão completamente mortos
Apesar de serem frios
Eu crio pra mim mesmo um sonho
E coloco nele a todos aqueles
de quem eu gosto
Me encosto num canto escuro
E enxergo coisas coloridas
E as coisa bonitas
que a vida pode nos trazer
Na pureza dessa escuridão
Percebo
Que muita coisa não deixa de estar ali
Simplesmente porque não posso vê-las
Assim como os frios olhos das estrelas
Sabem me encontrar
Não importa a elas onde estou
Pois eu sempre estive com elas
e elas comigo
e conhecem meus pensamentos
Creio até que sejam os Olhos de Deus
Me dizendo
Que eu jamais estarei
e jamais estive só
Eu também olho pra Ele e digo
Que meu desejo era estar lá
e vejo seus olhos piscarem
e pedirem a mim que não desista
e jamais pare de crêr
Pois um dia a noite acaba
As montanhas desabam
Evaporam-se as águas do Mar
Porém essa promessa não passou
e jamais haverá de passar.
Quando eu era criança
Sempre desenhava Sóis sorrindo
e nuvens com cara de nuvens boas
A vida foi passando
E tempo escoou por entre os dedos
Que há tempos não mais desenham
O Mundo não parece mais
Ser daquele jeito lindo que eu via
O coração anda cansado de bater à toa
Um minuto passa lento
e outro voa
A tristeza me maltrata com certo requinte
E eu chego a esquecer os minutos
Quando a gente vê, passaram vinte
Andei divagando
Lembrando de um pé de pitanga
Perdido nas mangas do tempo
Longas horas passei sob ele
Aguardando a chegada dos domingos
Que era quando eu sumia
Nunca mais houve tanta alegria
Nunca mais houve quase nada
Além de medo
Que não existia, naquele mundo encantado
Meus dedos não sabem mais
desenhar nenhum sorriso
Nem tecer nenhum poema
Que fale sobre flores
Nuvens boas ou paz
Viver ou não
hoje em dia tanto faz
Alguém está cantando uma canção
Não é pra mim
A menina bonita sorriu quando passou
Não foi pra mim
O telefone toca
Não é pra mim
O correio trouxe carta
Que também não é pra mim
Tem alguém estourando pipoca
Não é pra mim
O Sol brilha no Céu
Mas não por mim
Eu soube que você sente saudades
Não de mim
Na igreja o sino badala
Sem saber que eu existo
O coveiro esta cavando
A chuva cai
Nesse momento eu resisto
Este ser esquecido sai e se encharca
Enfim, se a chuva abarca a todos
Ela cai também pra mim
Eu ando muito cansado
de viver neste mundo
tão carente de verdades
Este mundo tão lotado
da ausência de qualidades
Um mundo feito de olhos grandes
e almas cada vez mais diminutas
Um mundo de cabelos bonitos
Ornamentando cabeças vazias
Um mundo onde há poucos maestros
e muitas batutas espalhadas
Essa gente toda
Tornou-se uma orquestra horripilante
Será que fui eu quem mudou
Ou esta coisa que se escuta
Vem mesmo da Humanidade
Será que este mundo deixou de ser
Um lugar bom de se viver
Como a gente o via antes?
Talvez sejam apenas os meus ouvidos
Me fazendo ouvir
O Céu se rachando,
Temporais de vidro,
A antiga pureza se vendendo
em troca
de umas poucas moedas
Um mundo de poucas vitórias
e muitas...muitas quedas.
Hoje eu procurei no Céu
Uma pipa com a cor igual aquela
da qual nunca mais se ouviu falar
Tamanha era a dor da saudade
e tanta falta me fazem
todas aquelas amizades
Hoje sabem todos os que ficaram
Que somente os ventos prosperaram
O tempo passou lento
e foi levando, lentamente
Quase tudo. Tudo aquilo que fazia
A gente rir. Meu Deus, e a gente ria!
Ria, como não se ri hoje em dia
Hoje eu acho que a gente
Apenas cria algum argumento
Uma desculpa qualquer
Pra continuar aqui
Olhando pro Céu de vez em quando
e compreender
Que somente os ventos
Continuam no comando
Arrastando pra um lugar distante
todas aquelas pipas
todas aquelas lembranças
todos aqueles amigos
e todos aqueles sonhos
hoje antigos
Tão antigos quanto a infância.
A vida é uma historinha bonitinha, em que todo mundo morre no final.
Morre quem falou bem, morre também quem falou mal.
Por que ligar pra tudo isso, então?
O motivo que faz a diferença, mais do que muita gente pensa
É que a viagem não termina aqui, onde tudo está de passagem
O que diferencia tudo, na verdade
É que algumas pessoas viveram com dignidade
Outras não.
Senhor Meu Deus
Sejais pela eternidade
O Pai de meus pensamentos
Senhor Jesus
Eu sei que dás ordens ao Sol
E também aos Mares e aos Ventos
Te peço neste e em todos os demais Natais
Que olheis por toda a Humanidade
E que todas as crianças deste Mundo
Tenham direito de conhecer
Tuas verdades
E que o Engano seja banido
de todos os corações desertos
Que o erro seja finalmente
Reconhecido como errado
E que seja visto como correto
Somente o que for
Realmente certo
Que o ato de amar esteja presente
E o amor renasça em cada lar deste Mundo
Abençoa, meu Pai
Cada criancinha que nascer
e que todas elas conheçam teu amor
Não desejo e nunca desejei
Receber mais que aquilo que eu mereço
Te peço hoje, Meu Pai
O Teu olhar e Teu Perdão
Como o meu presente de Natal
Que Tua Compaixão
Se espalhe por todo o Mundo
e alcance a toda Humanidade
Restaura, Senhor, a visão
Àqueles que tem olhos e não veem
e que este seja um Mundo de verdades
Que o quente seja quente
Que o frio seja frio
Que o claro seja claro
e a escuridão seja somente
um lugar escuro onde possa entrar
Tua luz, mesmo com as portas fechadas
E nunca mais nenhum homem
Se afaste desta crença
Creio que isto é tudo
Te envio, meu pai, neste Natal
Meu desejo de receber o Teu abraço
Que toda a Humanidade durma em paz
Dorme em paz também, Jesus
Quando nascer um novo dia
Não seja apenas o dia uma coisa nova
Que o amor esteja restaurado
em cada coração
Amém.
As doces lembranças
Que te trazem o morno vento da tarde
Com a cara sorridente do Sol
As tranças nos cabelos
das meninas que passam apressadas
As taciturnas caras dos homens velhos
Parecem dizer que mais nada tem graça
Mas a palavra certa no momento preciso
Transforma tudo isso em sorriso
O voar dos pássaros
que hoje o vento trouxe
Enquanto secava a roupa no varal
A ideia nova que tudo isso lhe inspirou
Afinal, isso tudo não parece
Ser assim, de todo mal
E, se hoje ainda não o é
Te resta então, o amanhã
Aquilo que agora
o passado não mais esconde
Se torna um novo desafio
Naquilo que ainda não se desdobrou
Mas eu creio que já escolheste
A direção que desejais seguir
Não deixeis a tarde te atrasar ainda mais
Nem tropece na pressa que te invade
Tudo isso estava escrito
Acredite, então, em sonhos
Não importa nada a direção dos ventos
Siga tu, teu campo magnético
E corra devagar
Vá viver teu momento.
Foi amando que aprendi
Que a vida me deixou aqui
Pra que eu pudesse
aprender a amar
e vivendo descobri
Que tem coisas
Que para aprender, demora
No percurso
A gente ri e a gente chora
Buscando motivos pra vida
E a existência das estrelas
Rebuscando, em momentos de dor
A causa que me fazia
Vê-las tão distantes
E não ver o amor
Que a vida toda esteve perto
Vida, viagem longa e passageira
varia, dia a dia
Pois
Enquanto o tempo vaga
Sem pressa
Fazendo-me perder-lhe a conta
há nele sempre
duas pontas e a gente o remonta
Mas não existe amor que se meça
Existem sim
Amores que o tempo dilui
e de volta ao infinito, flui
Voltando ser parte integrante
da verdade que não vimos
Mesmo existindo
por toda uma eternidade, pois
O amor é a verdade sem pressa
e que sempre
há de voltar depois.
A vida que Deus me deu
é a vida que Deus nos dá
Um Presente Divino
E como qualquer outro menino
Me atrapalhei pra desembrulhar
E rasguei-lhe
Quase que completamente
Sem nem ao menos olhar
A fina estampa
dos papéis coloridos que a envolviam
Queria enxergar-lhe a essência
desvendar e provar-lhe a substância
Passar correndo pela infância
Com pressa de chegar em algum lugar
Sem nem ao menos saber
O que é que eu ia encontrar lá
O papel colorido se perdeu
E eu não me lembro nem
Quais as cores que ele tinha
Ou se havia desenhos de Montanhas
Estrelas ou flores, talvez uma casinha
Quem sabe Deus não tenha Escrito
Algumas palavras
Naquele papel tão bonito
Que eu rasguei sem olhar.
No interior daquele embrulho
Havia peças espalhadas e dispersas
Era um Enorme Quebra-cabeça
E ainda agora
Por mais que eu peça
Por mais pessoas que eu conheça
Até hoje eu não achei
Alguém que o soubesse montar.
Muita coisa não deu certo
Creio eu que foi isso que me deu
A força que agora eu tenho
E com coragem, deixei de seguir
Tantas leis, de tamanha injustiça
Pois um dia eu descobri
Que as fizeram só pra mim
Assim
Deixei de estar por perto
Desertei, fui embora, porque
Minhas súplicas, ninguém ouvia
Os meus dias nasciam mais cedo
Eu tinha medo de ir e sempre ia
Não sabia calcular meus passos
Arrisquei mesmo assim
Muitos saltos na vida
E em alguns eu não cai
Ninguém nunca se importou
Se eu sentia saudade ou vontade
E os meus dias eram sempre
Os que terminavam mais tarde
E quando era assim
Acabava estando tudo
Distante, muito distante
Parecia que só eu errava
Tem dias em que a vida
Simplesmente não ajuda
Enquanto tudo se agigantava
Fui crescendo, também eu, com isso
E agora
Meu único compromisso
é com algo
que ainda não conheço
As coisas que não deram certo
Me ensinaram
Que um novo amanhã
e um novo começo
Podem estar
Bem mais perto
Mais perto que eu penso.
Hoje choveu
Antes da chuva
O vento carregou as folhas
Que a chuva varreu
Eu estava parado na calçada
Sozinho, pensando
No quanto eu
de certa forma me sentia
Semelhante às folhas que caíam
Agora elas também se foram
E eu fiquei só
Somente em companhia da chuva
Mas enquanto ela desaba
Eu sei que posso chorar
Sem que ninguém perceba
Amanhã é outro dia
Brilha o Sol, as folhas crescem
Somente isso que eu sinto
não se acaba
A vida segue adiante
Somente meus olhos
parados no tempo
Atrelados ao meu coração
tão solitário
Não te esquecem.
Estive olhando o mundo
analisando friamente
com os olhos, a mente e o coração
o quanto a vida pode ser
Ao mesmo tempo boa ou ruim
pois tudo depende
de coisas que a gente simplesmente
não põe na balança enquanto vive
pois, apesar de viver pensando
Não cuida muito bem
dos pensamentos que nos vêm
cultivando valores falhos
houve dias que vivi à toa
e me foram muito mais produtivos
que outros dias de ativo trabalho
noutras vezes, após
mergulhar as minhas mãos
em um vespeiro
é que fui perceber
a minha afoitez incauta
Mais tarde percebi
que os dinheiros que eu não ganhei
não fizeram-me a mínima falta
diante das palavras de carinho
que muitas vezes eu podia ouvir
e não ouvi
As pétalas das flores
que o vento espalhou
subindo ao Céu
enquanto eu suplicava
que elas não subissem
Se ontem eu soubesse
metade do que eu sei agora
eu teria roubado e aberto
as gaiolas de passarinhos
de todos os meus vizinhos
a permitir que eles também
fossem embora
Contudo, optei por falar
Quando era hora de calar
e me calei, simplesmente
Quando uma simples palavra minha
Teria feito que este mundo
Se tornasse um lugar melhor
pra muita gente
Tem horas em que a gente
simplesmente se cansa
e passa a ver este Mundo
de um jeito que antes não via
e percebe que deixou de pesar
muita coisa na balança desta vida
enquanto vivia
Navegante solitário
escuridão da madrugada
ao meu redor, somente o som do Mar
distante, eu posso ver a luz das tochas
Que se movimentam
Como se empunhadas por formigas
Cessaram-se todas as brigas
Já transpus também
todas as rochas
Apesar dessa aparente e transitória
ausência de luz
Eu sei onde estou
E sei também onde é que estão
As coisas que eu faço questão
de ter por perto
Elas estão exatamente
onde eu as pus
Agora é somente
Aguardar um pouco mais de tempo
e o dia amanhece
desaparecem todas as brumas
e as vistas novamente
Se acostumam
Àquela branca e viva luz
Apesar de parecer
Não estou e jamais estive
à deriva
Eu conheço muito bem as armadilhas
e as esquivas
Estou a caminho
de colher as flores
e as frutas que plantei
Nesta vida eu me fiz rei
Em meu próprio ninho
Superei todas as dores que encontrei
Fiz o melhor que pude
em tudo que fiz
Portanto eu sei
Que falta muito pouco
Pra eu poder descansar
e me sentir feliz
Azar de quem não quis
Atravessar o Mar comigo.
Havia em algum lugar
Um local onde havia água
e tinha Mar
Um lugar onde havia luz
Uma luz que se apagava
Quando era hora de dormir
Um lugar onde se dormia
todo dia
E os dias corriam
Sempre um depois do outro
pois sempre que um dia acabava
outro dia amanhecia
Havia em algum lugar
Um lugar
Em que todo dia de manhã
Tinha alegria
Nesse lugar amanhecia
Dias de Sol
Mas de vez em quando chovia
Porém, ninguém se importava
O que todo mundo
Realmente gostava
é que nesse lugar
Quase não se via gente brava
E quando havia
Era só de mentirinha
E a bravura tornava em doçura
Quando menos se esperava
E toda a gente era amiga
Esse lugar existiu
Numa época antiga
Sem gritos, sem raiva, sem briga
Hoje
Em todos os lugares que eu conheço
as únicas coisas que me fazem
lembrar esse outro lugar
É que ainda faz Sol e chove
Mas as coisas não se movem como antes
e as pessoas agora
Estão constantemente
Irritadiças e irritantes
Cansadas umas da outras
estão sempre irritadas
Este tempo e este lugar
Não tem nada
Além do dia e da noite
Que esteja em comum
com o passado
chego a ter a impressão
Que este lugar
é um Lugar Nenhum
Irritado
Carregado de maldade
que só me faz sentir saudade
daquele outro lugar
Onde a gente nem ligava
Se fazia Sol ou se chovia
O importante era somente
Que outro dia
Sempre amanhecia
e a gente olhava um pro outro
e, invariavelmente
Sorria.
Fatalmente mais um dia
Onde voavam borboletas
enquanto o Sol sorria
Inexoravelmente
outro dia parte
Eu descarto desta vida
mais um dia
Enquanto esta vida assim
não me descarte
Outro dia fatalmente parte
E leva com ele
uma parte de mim
Igual a todo dia
Onde o Sol sorria
iluminando novamente
este chão
onde eu piso
desliza velozmente
me derruba
ri de mim
Termina outro dia
outro amanhã
a vida afia
Que em breve virá cortante
Constante
instante após instante
e partirá novamente
me deixando aqui
no meio dessa gente
Que caminha normalmente
e gentilmente desvia
de mim
Mais um dia, que pra mim
Sem Sol, nem borboletas
Partiu
Como cada dia sempre parte
Um dia, dia
Haverei também de pisar-te
Cortar-te, esquecer-te
e abandonar-te
Igual a cada dia desta vida
Que partiste
e te foste
sem mim.
Com o tempo a vida ensina
Que assim como a falta de amor
Todo amor que for demais
Sempre traz atrás de si
À reboque
Um toque demoníaco
Que quando se espalha
A tudo contamina
E o coração não suporta
Foi vivendo que aprendi
Que quanto mais portas
Eu abrisse ao Mundo
Mais portas pra mim
O Mundo fecharia
Pois quanto mais risos eu ria
Mais vultos distantes
Me dando as costas
Haveria de ver
E aprendi a recusar convites
Me cansei de evitar confetes
Deixei de ser
Aquele que eu era antes
Passei a olhar a tudo
Protegido
Sob o escudo da prudência
A lente da confiança
Abandonou-me os olhos
Após tantas punhaladas
Que deu-me a vida
Devido à falta
Da devida vivência
Que eu carecia
Hoje
A cada vez que nasce o dia
Eu desconfio daquilo que me espera
E me atiro ao circo de feras
Sem ódio, rancor ou vingança
O tempo ensinou-me apenas
A esperar que algo bom aconteça
Mas que porém
Espere sem muita esperança.
O dia amanhece
e você tem ao seu lado
finalmente alguém
a quem ama e que
realmente o ame
e ri placidamente pra vida
A graça alcançada
Se passa diante das vistas
conquistas e mais conquistas
Só isso
e nenhum compromisso
Mas a vida nem sempre
prossegue harmônica
algo destoa
você abre a janela
e o pombo da paz desaparece
se cala a orquestra
a vida não é mais aquela
em um momento desatento
um vento lhe defenestra
te desarvora
te esquece
Melhor é viver
essa vida de agora
os minutos primeiros
momentos faceiros
fugiram do pulso
trincaram-lhe o vidro
entortaram porteiros
O sangue lhe corre nas veias
Qual areia de ampulheta
A vida, num mero impulso
passou
Você, que tinha tanto
e não sabia o quanto
a perdia
enquanto girava o mundo
girava tanto
que a vida, então
acabou por perder
aquela direção