"Madrugada"
Esta madrugada eu quis ler um poema,
algo prateado que inundasse os olhos daquele anjo.
Eu quis ouvir a chuva, aquela chuva da minha infância,
que aportava meus navios brancos nas pedras.
Esta madrugada eu quis que todas as luzes se apagassem,
e teus olhos se acendessem nos meus.
Ramos crescendo esticam-se na janela,
querem ouvir meus pensamentos,
e bem ouvem,
a madrugada de um poema,
e pousam meus sonhos, no cansaço.
Tem piedade, Senhor,
unicamente dos proscritos.
Seus filhos, suas utopias,
os cães, os gatos, o passaredo.
Suas árvores, suas bíblias, a música,
a última mesa posta.
Ouve o grito, a agonia…!
Do malfeitor, Senhor,
não se encantem teus olhos;
por eles os meus se fechem sem piedade!