Diálogo A escuridão, ainda menina, chama-me às ruas frias Sou a andarilha proscrita das noites de luas vazias
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Diálogo A escuridão, ainda menina, chama-me às ruas frias Sou a andarilha proscrita das noites de luas vazias Não escondo meu rosto destas gentes curiosas... Que vejam a mulher vil, triste que sou...Lamuriosa. Mas amiga, nem sempre foste assim, amarga e sombria Houveram dias de sol e mar à brilhar sobre tua tez macia Diga-me: Porque te enfadastes das doçuras do amor? Porque voltaste as costas ao toar das carícias em clamor? Ah, minha amiga, nada sabes das minhas dores imensas... Das noites em que doei o mais sublime amor que pensas Ofertei-me de corpo e alma, desnuda em juras e poesias Ofereci rosas e mel; em troca ganhei abandono e heresias. Mas não te entregues às trevas, óh amiga tão triste e bela. Busca a luz dos sonetos mais puros, alegres em aquarela Esqueça-te do passado, volta-te para os presentes dias... Quem sabe, ainda pousam nos teus jardins as andorinhas? Não perca teu precioso tempo com minh'alma, óh amiga! Não haverão pássaros à cantar para minha causa perdida. Sou aquela que vaga em busca da morte que trará paz Somente o corvo me acompanha, nada e ninguém mais...!