Às vezes, sinto que só resta aceitar a escuridão que reside em meu coração. O ódio em mim é quase tangível, uma força avassaladora. O motivo dessa raiva profunda sempre me escapou. Queria dizer que sou um homem bom, filho exemplar, namorado dedicado e irmão leal, mas a verdade pesa em mim... Há uma batalha implacável e sangrenta em meu âmago, um conflito que não deixa espaço para aqueles ao meu redor. Tudo o que vejo é uma guerra interminável e um vazio sem fim em minha alma.
Algumas marcas carregamos para a vida toda: traumas, desilusões, mentiras e cicatrizes. A dor é uma professora implacável, que nos faz acreditar que nossas marcas contam uma história e nos ensinam a seguir em frente. No entanto, ela também exige estar presente em cada uma delas.
A dor nunca desaparece completamente, ela fica em repouso, imóvel, estática. Mas quando algo externo a provoca, ela ressurge ainda mais intensa do que da última vez. Acredito que o pior momento é quando você já sentiu tanta dor que começa a gostar dela. A tortura interna, o sofrimento, os sentimentos ruins e o ódio se tornam a sua maior fonte de prazer.
Quando você passa a gostar da dor, nada é capaz de te derrotar de verdade, porque você já foi derrotado.
Na era da internet, é complicado se descrever com palavras. A verdade fica perdida entre o que é real e o que é só aparência.
Afinal, dá para acreditar em tudo o que lemos online? As pessoas podem se mostrar como quiserem na internet.
Então prefiro não contar quem sou. Assim, não estou mentindo, mas também não estou dizendo a verdade. Você decide se quer me conhecer ou não.
Contemplei os céus no amanhecer, ouvi os pássaros cantando, os cães latindo, as pessoas conversando e os carros correndo pelas ruas... E então, percebi que tudo se transformava em música, desde o primeiro murmúrio até o último som, criavam a melodia deste dia, uma sinfonia da vida."