Se a vida é um assalto escondido
- É o que fazem, é o que não faz sentido.
Então prefiro a sentinela ou castigo
De merecer ser o que sou.
Se a vida é esta desesperança.
Corremos perigo, atrás da bonança.
Então prefiro a emoção dos meus dias tristes
De merecer ser o que não sou e nunca fui.
Fico idealizando metáforas antigas
Para uma antítese nova
E em busca do voo perdido, eu nasço na perda da palavra.
Fico mostrando dentes à toa
Para um sorriso que nunca ecoa
E em busca da liberdade, eu nasço imperfeito na madrugada.
Faço versos sem sentido para livrar-me da significação.
Gosto da vida desalinhada, sem sentido. Fujo da organização.
Tenho pés de nuvem e cabeça de céu: gosto do inverso.
Enquanto todos dançam no ritmo, eu vou na contramão: faço versos.
Talvez eu seja mais um desses capengas da solidão.
Sorriso no bolso, cachaça na mão.
Cabeça vazia, asas no chão.
Gosto da crise e do destaque, corroído sou pela própria distração.
Essa tensão de superar o insuperável
E de fazer mágica com o imaginável
É tão artisticamente eu
Que prefiro não ser,
Quer prefiro não fazer,
A ser condenado por algo indiscutível.