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Frases de Demétrio Sena - Magé-RJ.

1.828 frases

JOGO DA VERDADE Demétrio Sena, Magé - RJ. Ser quem sou custa caro; dou meu jeito
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JOGO DA VERDADE Demétrio Sena, Magé - RJ. Ser quem sou custa caro; dou meu jeito para não pendurar as minhas contas; não expor um defeito em mil parcelas nem dever o favor de algum afeto... Quem não quer, não me queira mesmo assim, nesta minha versão mal acabada; neste copo de gim entregue ao léu; nas camadas do quanto me disponho... Seja lá como for, só sou quem sou, numa justa e seleta pronta entrega que não pede fiado para ser... Pago à vista, me dano mundo afora, pois viver é meu jogo da verdade; meu agora não deixo pra depois...

URGENTE! Demétrio Sena, Magé - RJ. Lá se vão os primeiros anos da morte de minha mãe, mas parece que foi ontem. A dor ainda é fresca. Não é patológica, sei que a vida segue, sabemos todos, mas trata-se uma realidade que ainda não foi totalmente absorvida pela saudade persistent…
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URGENTE! Demétrio Sena, Magé - RJ. Lá se vão os primeiros anos da morte de minha mãe, mas parece que foi ontem. A dor ainda é fresca. Não é patológica, sei que a vida segue, sabemos todos, mas trata-se uma realidade que ainda não foi totalmente absorvida pela saudade persistente. Saudade com toque de remorso, por eu ter sido um filho ausente por muitos anos, e na mesma leva, um irmão frio e distante, o que magoava também meus irmãos, mas entristecia especialmente a minha mãe. Ainda bem que tive tempo de nos últimos poucos anos de sua vida, reatar os laços de cumplicidade com ela e lhe dar a grande alegria de me ver bem próximo de meus irmãos, dos quais não sei como consegui viver tão desligado desde cedo. Hoje sei exatamente a dimensão do meu amor por eles, e não consigo mais ficar longe ou ausente por muito tempo. Tenho irmãos especiais, a tal ponto que discordo veementemente da máxima bíblica de que há amigos mais chegados que um irmão, mesmo considerando que tenho alguns amigos também especiais; que amo sinceramente. Voltando à minha mãe, o que me consola é saber que ela pôde assistir ao processo lento e gradativo pelo qual me tornei uma pessoa menos pior, tanto para ela quanto para os que ficaram. Minha mãe me achava o máximo, em seu amor extremado e sua simplicidade bem própria de mãe atemporal. Ou do tempo das mães ensandecidas pelos filhos. Nos últimos tempos, tínhamos conversas muito longas e secretas, sobre tudo, e até hoje não sei como ela podia gostar tanto de conversar comigo. Cada filho de nossa Maria tinha virtudes distintas e acima das de todos os filhos de outras mães, em sua opinião. Para ela, nenhum dos rebentos estava em um patamar abaixo do outro. Nenhum merecia menos a sua admiração; o seu desprendimento e atenção infalíveis. E eram nove filhos e um neto criado como tal. Dez filhos, todos merecedores do seu melhor, na mesma proporção. Sem mais delongas, estas considerações que já se alongaram são a minha proposta de reflexão aos filhos de todas as mães e todos os pais. Se eles merecem o seu amor, ame-os urgentemente! Com gestos, atitudes e palavras! Sim, palavras também! Evidentemente, os atos falam mais alto, mas as palavras, quando correspondem a sentimentos sinceros, têm magia. Dão ânimo novo e vida extra para quem nos ama. E no caso de mães e pais que amam os filhos, os gestos ficam até em segundo plano, porque eles bebem nossas palavras de amor sincero como se fossem rios de água revigorante. Não custa nada um "eu te amo", entre outras frases carinhosas extraídas do fundo do coração; de preferência, sempre seguidas de um leve beijo; de um afago sutil; de um abraço aconchegante. Pensemos nisto, eivados do simbolismo deste dia escolhido como de finados.

SONETO SURTO Demétrio Sena, Magé - RJ. És meu lado perverso, escuridão,
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SONETO SURTO Demétrio Sena, Magé - RJ. És meu lado perverso, escuridão, minha parte sinistra e venenosa, distorcida, manchada e sem perdão; lado espinho mortal de minha rosa... Quem azeda o poema, faz a prosa se perder nos umbrais do coração, quando sou natureza perigosa numa fuga da própria perdição... Mas meu lado melhor tem mais espaço; não estás na magia do compasso que me rege no tempo habitual... Minha vida prossegue, traço planos, em meu lado melhor morreste há anos; és apenas um surto pontual...

APELO AFETIVO PUBLICITÁRIO Demétrio Sena, Magé - RJ. Sou grato a todos os que me veem - e tratam - como ser humano sempre aberto aos contextos de afeto e desprendimento, dentro de minhas possibilidades. Mas quero pedir que também aprendam a ler meus códigos de barra e me respei…
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APELO AFETIVO PUBLICITÁRIO Demétrio Sena, Magé - RJ. Sou grato a todos os que me veem - e tratam - como ser humano sempre aberto aos contextos de afeto e desprendimento, dentro de minhas possibilidades. Mas quero pedir que também aprendam a ler meus códigos de barra e me respeitar quando sou produto e demanda, mesmo que o meu afeto não consiga exigir. Há momentos em que tratar o ser humano estrategicamente como ser humano pode se tornar uma enorme desumanidade.

RIMARIA Demétrio Sena, Magé - RJ. A ondinha na poça
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RIMARIA Demétrio Sena, Magé - RJ. A ondinha na poça não é maré; calango não é filhote de jacaré. Sanguessuga também gosta, mas não é bicho de pé, nem é porque sou pobre que sou ralé. O cheiro do tênis sujo não é sempre chulé; jamais confunda um adeus com um até; um pirulito comprido com picolé. O café da manhã às vezes não tem café, e não é sempre que o antes tem que ser pré ou a pessoa inocente ser mané. Muita música baiana não é axé; às vezes retroceder não é marcha a ré; existe muito carinho sem cafuné. Poema nem sempre rima se o autor não quer, não confunda qualquer um com um qualquer, pois tanta coisa parece mas não é. Às vezes fica difícil pra quem bate o pé; acreditar de teimoso não é fé.

VEGETAIS Demétrio Sena, Magé - RJ. O que falta pra muitos é sentir a falta
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VEGETAIS Demétrio Sena, Magé - RJ. O que falta pra muitos é sentir a falta do que mora num sonho e não foi conquistado, é estado concreto do que sempre foi abstrato, platônico, fora de alcance... Um amor, algum bem, uma graça pendente; o que falta pra gente, caso tenha tudo, será sempre uma falta que não é sentida, ressentida no vácuo desse velho nunca... Precisamos não ter, pra que o ter satisfaça, o completo está cheio de vazio insano como dano de nunca ter sentido a dor... Sofrimento final é de quem não sofreu; há um eu que se fere de não ter ferida, quando a vida nos cria no jardim do Éden...

MEDO DO SEM FIM Demétrio Sena, Magé - RJ. Vida cansa e começo a pressentir
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MEDO DO SEM FIM Demétrio Sena, Magé - RJ. Vida cansa e começo a pressentir a tristeza, o ranger do não chegar, só seguir e saber que não há porto nem um ponto em que pouse os olhos baços... Uma vida sem fim seria o fim rastejado; insistente; sem sentido; um pedido inaudível por socorro, de quem sabe que o tempo já parou... Tudo cansa e se perde sob o nada, minha estrada revela o que seria caminhar à deriva para sempre... Horizonte; horizonte; nada mais; não há paz na ilusão da eternidade; comecei a temer que jamais morra...

PRA VIVER Demétrio Sena, Magé - RJ. Só preciso me achar no silêncio da hora
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PRA VIVER Demétrio Sena, Magé - RJ. Só preciso me achar no silêncio da hora que se tranque no tempo duma vida inteira, jogue fora meus lixos existenciais num abismo sem beira que sugira volta... Quero muito encontrar um momento mais meu do que todas as posses que já tive um dia; uma hora tardia que me recomponha e conduza meus passos em um recaminho... Sei do quanto me devo em verdades bem minhas, peço ao tempo agiota e não importam juros nem as novas espinhas na cara do eu... Nascerei outra vez e será pra viver sem calar tanto sonho e temer os mergulhos em riachos escuros rumo ao que será...

ANTI-COBAIA Demétrio Sena, Magé - RJ. Minhas modas se aplicam às minhas vontades,
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ANTI-COBAIA Demétrio Sena, Magé - RJ. Minhas modas se aplicam às minhas vontades, tenho cá meus critérios que ninguém amolda, porque olho nos olhos das plenas verdades que ao acaso quebradas o tempo não solda... Minha moda maior é não estar na moda, só entendo ser livre como não ter grades, crio asa no vento e no chão ganho roda, pra fugir das estampas e publicidades... Nunca tive carimbo nem preço de capa, dou a cara pro mundo ensaiar o seu tapa e jamais conseguir consumar esse ato... Sou de corpo gasoso para quem me caça, pois me quer no seu banco de réu ou de praça, seja lá como for, para servir de rato...

AS MÍDIAS, OS INTERESSES PESSOAIS E A HIPOCRISIA RELIGIOSA Demétrio Sena, Magé - RJ. Chegou ao fim, uma novela que me fez entrar em sua história. Uma trama que encontrou as mais diferentes formas de alcançar os corações e as mentes dos brasileiros. Tanto os que assistiram quant…
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AS MÍDIAS, OS INTERESSES PESSOAIS E A HIPOCRISIA RELIGIOSA Demétrio Sena, Magé - RJ. Chegou ao fim, uma novela que me fez entrar em sua história. Uma trama que encontrou as mais diferentes formas de alcançar os corações e as mentes dos brasileiros. Tanto os que assistiram quanto os que não; porque afinal, os que não assistiram fizeram exatamente como aquelas pessoas que não tomam bebidas alcoólicas, porém, cheiram as rolhas. Colhem as rebarbas. Tentam saber por meio de terceiros, ou em última instância, dão audiência escondidos. Não tenho como não aplaudir uma obra; seja novela, filme, peça teatral, dança, livro, arte plástica (...), exibida por qualquer veículo... seja ele a Rede Globo ou a Band News; a CBN ou a Rádio Tupi; qualquer site, revista ou tela de cinema, se ela propõe um conjunto de reflexões de suma importância para o mundo contemporâneo, de formas tão delicadas, ao mesmo tempo cruas, porém dotadas de responsabilidade social. Conexão com as verdades que nem sempre queremos, mas precisamos encarar. Vi a novela do início ao fim, com os mesmos olhos que tenho sobre qualquer obra de arte: olhos atentos às mensagens; às entrelinhas; às particularidades que me dizem respeito, e a toda a sociedade, na vida real. Olhos também atentos ao desempenho dos atores; à sensibilidade com que todos incorporam suas personagens e vivem suas histórias como heróis, bandidos, intermediários e figurantes. É claro que a arte, a exemplo de tudo, tem seus contextos positivos e negativos; perniciosos e sãos. O que posso dizer aos que temem novelas e determinadas emissoras porque seus líderes espirituais ou politicopartidários mandam temer, é que o princípio da cidadania mora na liberdade. Liberdade para vermos, lermos e assistirmos o que achamos de bom tom, com a certeza de separarmos o que é bom e mau para nossas vidas a curto, médio e longo prazo. Gostar ou não de algo é um direito de todos. Ninguém é obrigado, por exemplo, a ser noveleiro porque sou. Nem deixar de ser porque o padre, o pastor, o pai de santo nem o grão-mestre ou guru não gosta... ou desaprova. Seus próprios olhos e critérios são os mais recomendáveis para você avaliar o que é de bom e mau agouro, didático, antididático, belo, terrível... Foi com essa liberdade pessoal, esses olhos e critérios que pude absorver o que há de melhor em uma trama. Desarmado, consegui entender que a história trouxe para dentro de minha casa o que meus preconceitos às vezes não querem ver. Arrombou meu sossego e acomodação social, me fazendo refletir sobre a importância de aceitar que o próximo não é só o igual. É também o diferente. Próximo é perto. Ao alcance de nossos olhos, nossas mãos e nosso amor... ou pelo menos nossa tolerância. Não, não e não. As novelas não influenciam a sociedade. As realidades sociais influenciam as novelas, que as devolvem à sociedade física embrulhadas em arte, literatura e espelho, para decidirmos o que representa em nós. Nem há pregação. Nenhum autor manda cometer crime ou delito, mudar de gênero nem se converter a outra orientação. O que nossos filhos sabem é pelas próprias observações. O que eles são, enrustidos ou às claras, já são mesmo. E o que aprendem, mesmo em nossa companhia, o fazem nas ruas e na vizinhança; nas convivências inevitáveis na escola. E como se não bastasse, ainda aprendem com nossas rabugices religiosas, sociais e políticas, lições incontestes de pura hipocrisia. Vi uma trama combater, com histórias espelhadas em experiências de vidas reais, o preconceito de gênero; o racismo; o ódio religioso; a negação do vício; a injustiça política e social. Também vi essa trama trazer à luz os caminhos que levam ao crime, para depois mostrar as consequências. Li nos contextos da referida, o discurso verdadeiro de que nos vemos diante de uma nova sociedade, e não nos resta senão optar entre o amor e o ódio, pelas diferenças. E é claro, além de muitas outras realidades, um pouco de poesia. Enfim, vi com o meu discernimento e minha liberdade, na novela que todos viram com seus olhos ou os olhos alheios, uma mensagem múltipla de amor. Um amor que se distorce na hipocrisia religiosa e na intenção eleitoreira dos candidatos a cargos públicos, quando contradizem suas pregações pretensamente alicerçadas no livro que usam para suas conveniências pessoais. Este pagão ou não religioso alicerça o seu manifesto utilizando exatamente o livro no qual não crê como guia divino de sua conduta ou caminho para salvação da alma, mas no qual descobre, sempre que o relê, máximas ou ensinamentos preciosos. A bíblia confronta e desmente seus pregadores, onde fala de amor ao próximo; primeiro, porque o próximo é qualquer pessoa de algum modo alcançável. Segundo, porque diz que se deve fazer o bem sem olhar a quem. Terceiro, porque fala do amor de Deus como um amor incondicional. E quem não ama incondicionalmente, fere natureza e o princípio do amor desse provável Deus. Por fim, a bíblia também desmente seus pregadores, onde afirma que Deus deu ao homem o livre arbítrio. O que os religiosos mais têm feito, com linchamentos verbais e físicos, às vezes letais, é se mostrar superior ao possível Deus, querendo arrancar à força esse livre arbítrio do semelhante. Se a tal bíblia fala em inferno após a morte, porque será que seus seguidores querem condenar o próximo ao inferno – da exclusão, do julgamento e a condenação contínua – mesmo antes da morte? Conhecer o mundo além das paredes dos templos, das palavras dos líderes, das páginas da bíblia, das dicas da web, das mensagens carolas de redes sociais, da hipocrisia política e familiar e até das mídias fixas e recomendadas, é sair da ignorância. Vencer a limitação. Ter bagagem para refletir por conta própria. Possíveis céu e inferno são o futuro. Não Continuemos ignorantes do agora.

Amor à vida Demétrio Sena, Magé - RJ. Levo a cabo,
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Amor à vida Demétrio Sena, Magé - RJ. Levo a cabo, acabo o que começo. Sempre luto pra que o luto não perdure. Minha testa só atesta o que sou. Eu contesto com texto, preguiça de viver. Tenho tudo que tudo me reserva, porque nada nada em mar de rosas. Sei que sei bem menos do que penso que sei que sei, tenho medo é do medo de saber. E tenho a paz como pás pra enterrar o mau humor. Meu amor pela vida cata espinhos. Mas logo rio do rio de lágrimas que choro. Trago a flor à flor de cada poro.

MUNDO NARCISISTA Demétrio Sena, Magé - RJ. Ninguém há de negar que a globalização tornou o próximo mais próximo do que nunca. Mas o amor, por sua vez, tomou a direção oposta. Está mais distante do que nunca, em razão das diferenças. Da constatação definitiva do quanto o ser hum…
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MUNDO NARCISISTA Demétrio Sena, Magé - RJ. Ninguém há de negar que a globalização tornou o próximo mais próximo do que nunca. Mas o amor, por sua vez, tomou a direção oposta. Está mais distante do que nunca, em razão das diferenças. Da constatação definitiva do quanto o ser humano é diverso. Raramente amamos o próximo, a menos que o próximo seja nossa réplica, em todos os sentidos. O mundo moderno excede no narcisismo.

FANATISMO Demétrio Sena, Magé - RJ. A distância do próximo se alarga,
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FANATISMO Demétrio Sena, Magé - RJ. A distância do próximo se alarga, pelo amor de matéria duvidosa; pela carga de raiva dos opostos ou da rosa dos ventos adversos... Ninguém ama e respeita os diferentes; preconceito é bandeira dos covardes; rangem dentes os donos da verdade mal forjada nos templos da mentira... Quem confunde moral com moralismo, tem a fé como ferro de ferir, já morreu de mesmismo sem vacina... Se lhes cabe algum céu é o céu da boca duma noite sem lua e sequer céu; fanatismo já é o próprio inferno...

SOCIEDADE - NOVELA - SOCIEDADE Demétrio Sena, Magé - RJ. Cheguei à conclusão de que não posso exigir que a arte pare no tempo, sob pena de se tornar fútil; superficial; sem qualquer compromisso com as realidades contemporâneas. A dramaturgia, por exemplo, quando não se propõe a…
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SOCIEDADE - NOVELA - SOCIEDADE Demétrio Sena, Magé - RJ. Cheguei à conclusão de que não posso exigir que a arte pare no tempo, sob pena de se tornar fútil; superficial; sem qualquer compromisso com as realidades contemporâneas. A dramaturgia, por exemplo, quando não se propõe a exibir histórias de épocas passadas ou de cunho estritamente religioso, tende a se tornar alienada, fora de propósito e contexto, caso exceda nos véus. A menos que haja intenção dos autores, por questões de humor, fantasia ou romance atemporal. Como não dá para enfiar computadores, smartphones, armas nucleares e comportamentos ultramodernos em histórias de séculos, quiçá milênios passados, também não dá para fazer o oposto nas histórias de nosso tempo. Afinal, a arte existe em razão da sociedade; não a sociedade em razão da arte. Excetuando os casos de fanatismo artístico, em que a falta de compromisso com crianças, adolescentes e outros vulneráveis interfere perniciosamente no processo natural e gradativo de formação ou assimilação, não acho nada imoral. Nem contradidático. Nem escandaloso. Na arte, no entretenimento nem na lida interpessoal e consensual. É só uma questão de achar ou não por bem consumir, e de querer ou não, de forma explícita, inequívoca e decidida, interagir com o outro. Tudo com discernimento próprio; não de acordo com regras, prismas ou imposições de que ou quem quer que seja. É claro que havemos de repudiar qualquer manifestação artística e de outras naturezas, se houver clara imposição ou incitação ao ódio; ao preconceito; à exclusão; ao crime. Mas confesso que o que tenho visto é que a mídia, em especial a dramaturgia na maioria das vezes tem feito, com ou sem eficiência e sucesso, é exatamente pregar a compreensão, a tolerância, o respeito e os novos olhares sobre as diferenças cada vez mais evidentes. Com vícios, distorções e falhas, mas cabe às famílias aplicar seus filtros, propor as devidas reflexões, assessorar seus vulneráveis para o entendimento viável do que assiste. Ou proibir a audiência, pelo reconhecimento da incapacidade de assessorar. O que nenhuma pessoa, família, grei, organização ou grupo tem o direito de fazer é decidir o que os outros podem ou não podem, com base nas suas proibições internas, por moralismo; fanatismo; ideologia; crença; imposição de cultura ou tradição. Que se denuncie o que fere a lei; o que é crime ou contravenção. Mas ninguém se julgue apto a reger a sociedade; a exigir que todos vivam dentro de seus moldes ou virem suas ovelhas compulsórias. Voltando à dramaturgia, chegamos ao tempo em que, por falso moralismo e ditadura de fé, como se já não bastassem os preconceitos religioso, de gênero e até racial, temos que conviver com o preconceito a depender dos programas que apreciamos, a emissora de rádio ou televisão que preferimos, o jornal que lemos, os sites que acessamos e até as músicas de nossa expressa preferência. Na contramão do que muito cidadão tem feito, se um dia me acudisse a ideia de mover um processo judicial de natureza pública, baseado em influências de comportamentos, eu preferiria processar a sociedade, da qual faço parte, pelas más influências que ela, sim, tem levado às telenovelas. Repito que a arte existe em razão da sociedade; não a sociedade em razão da arte.

CRIANÇA RESTANTE Demétrio Sena, Magé - RJ. Que a criança restante do tempo que passa
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CRIANÇA RESTANTE Demétrio Sena, Magé - RJ. Que a criança restante do tempo que passa não empate o caminho da maturidade; permaneça no sonho, mas não na pirraça e não perca o princípio da sinceridade... A criança que resta queira bem a idade, sem querer construir uma eterna trapaça, distorcer os conceitos de felicidade como quem ri de tudo, porque tudo é graça... Seja mesmo feliz, a criança que resta, considere de fato que viver é festa, mas que a música pode reciclar seu tom... Terá sempre seu canto a criança restante; somos vinho que vai do suave ao rascante com a mesma missão de ser um vinho bom...

RESPEITO Demétrio Sena, Magé - RJ. Sempre haja respeito pelas velhinhas que recolhem sucatas em nossas ruas; nossos portões. Também pelo senhor e o jovem que transpiram contrição e fé, como pelas beatas, as filhas e as mães de santo. Mesmo pelo falso pajé que vende folhas e ram…
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RESPEITO Demétrio Sena, Magé - RJ. Sempre haja respeito pelas velhinhas que recolhem sucatas em nossas ruas; nossos portões. Também pelo senhor e o jovem que transpiram contrição e fé, como pelas beatas, as filhas e as mães de santo. Mesmo pelo falso pajé que vende folhas e ramos secos na esquina. Respeitemos a senhora distinta e sisuda que nem sempre nos respeita, porque se julga mais séria do que o mundo. Mas não deixemos de respeitar o rapaz tatuado dos pés ao pescoço e de bíceps expostos. Muito menos a mulher desnuda e de olhar indecente ou aquele moço fanático e desaforado a gritar na praça, garantindo que todos nós - os filhos dos diabo - estamos encomendados pelo inferno. Vamos respeitar os costumes opostos. Quem é livre para se permitir, como às vezes queremos, mas os ossos trincados de nossas almas não obedecem. Para que todos nos respeitem, respeitemos a mente, o coração alheio, como único meio de vida e mundo viáveis.

PARAÍSO DE PAI Demétrio Sena, Magé - RJ. É temer um futuro que não é mais meu,
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PARAÍSO DE PAI Demétrio Sena, Magé - RJ. É temer um futuro que não é mais meu, construir uma vida que não é pra mim, rechear o meu fim de alegrias aflitas e tristezas felizes que me tornem pleno... Minha força está justo no meu ponto fraco; sigo a luz que me cega, para para ver melhor; cato caco por caco de minha vivências pra forjar uma placa de não corra tanto... Sou quem sou por quem sei em que momento está, quero a dor que puder continuar só minha, pra que só as espinhas sejam seus espinhos... Paraíso de pai é mentir pra si mesmo; é fingir que tem dom de adocicar o fel pra dar céu a quem sabe que pertence ao mundo...

MEIO AMOR Demétrio Sena, Magé - RJ. Embora sempre ouça de alguém a mesma explicação esdrúxula, foi com espanto e frustração que ouvi uma grande amiga explicar seu motivo para não visitar um parente hospitalizado: ela não gosta de hospital. Ainda emendou que também não vai a vel…
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MEIO AMOR Demétrio Sena, Magé - RJ. Embora sempre ouça de alguém a mesma explicação esdrúxula, foi com espanto e frustração que ouvi uma grande amiga explicar seu motivo para não visitar um parente hospitalizado: ela não gosta de hospital. Ainda emendou que também não vai a velórios e sepultamentos, porque “não curte” capelas mortuárias e cemitérios. Bem que tento entender minha grande amiga, exatamente por ela ser minha grande amiga, levando em conta o seu temperamento sempre alegre. Seu despojamento, a expressão leve, o rosto cheio de luz. Inquieta, enérgica, cheia de vida, ela nunca dispensa uma balada; malha todos os dias; é flamenguista convicta e não perde um só jogo do seu mengão. Mesmo que aceite a explicação, não consigo evitar o meu lamento. Confesso que não por ela, mas por mim, pela consciência de que não contarei com sua presença, caso fique doente ou me aconteça o pior. A menos que eu seja hospitalizado numa discoteca; velado numa academia de ginástica; sepultado num estádio de futebol.